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title: "Recep Tayyip Erdoğan"
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updated: 2026-09-29T13:19:21.085+00:00
categories: ["world", "politics"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Recep Tayyip Erdoğan

Recep Tayyip Erdoğan é o presidente da Turquia desde 2014, após mais de onze anos como primeiro-ministro, e líder do AKP, partido conservador de raízes islamistas. Ampliou os poderes do cargo com o referendo de 2017 e foi reeleito em 2023 no segundo turno. Seu governo é criticado pela repressão à oposição, com o rival Ekrem İmamoğlu preso desde março de 2025 e críticos condenados por insultá-lo, e rompeu relações com Israel pela guerra em Gaza.

## Quem é Recep Tayyip Erdoğan

Recep Tayyip Erdoğan é o presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014. Nasceu em 26 de fevereiro de 1954 em Kasımpaşa, no distrito de Beyoğlu, em Istambul. Antes da presidência, foi prefeito de Istambul (1994–1998) e primeiro-ministro do país de 14 de março de 2003 a 28 de agosto de 2014. É cofundador e líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Estudou na Escola Primária Kasımpaşa Piyale (1965) e na Escola Secundária İmam Hatip de Istambul (1973), de formação religiosa. Diz ter se formado em administração de empresas pela Escola de Economia e Ciências Comerciais de Aksaray, hoje Faculdade de Economia da Universidade de Mármara; a autenticidade do diploma é contestada por opositores.

## Erdoğan é de direita ou de esquerda?

Erdoğan pertence ao campo conservador de direita. O AKP tem raízes no islamismo político turco, mas, ao fundar o partido, Erdoğan abandonou as bandeiras abertamente islamistas e passou a se apresentar como conservador. Seus governos adotaram políticas socialmente conservadoras, e o AKP governa em aliança com o Partido do Movimento Nacionalista (MHP).

## Carreira política

Erdoğan foi eleito prefeito de Istambul e governou a cidade de 27 de março de 1994 a 6 de novembro de 1998. Em dezembro de 1997, recitou num comício um poema associado a Ziya Gökalp e foi condenado com base no artigo 312/2 do Código Penal por "incitar ódio religioso". A pena de dez meses foi reduzida para quatro, cumpridos entre 24 de março e 27 de julho de 1999.

Em 2001, participou da fundação do AKP e assumiu a liderança do partido em 14 de agosto daquele ano. Tornou-se primeiro-ministro em 14 de março de 2003 e ficou no cargo por mais de onze anos. No período, aprovou reformas constitucionais em referendos: a de 2007 teve 68,95% de aprovação, e a de 2010, 58%.

Em 2013, enfrentou duas crises: os protestos do Parque Gezi, onda de manifestações antigoverno entre maio e julho, reprimida com acusações de uso excessivo da força pela polícia; e um escândalo de corrupção que levou à prisão de aliados próximos.

## Quando Erdoğan foi eleito presidente

Erdoğan assumiu a presidência em 28 de agosto de 2014, ao deixar o cargo de primeiro-ministro. Foi reeleito em 2018, já no sistema presidencialista, com 52,59% dos votos no primeiro turno, à frente de Muharrem İnce (30,64%) e Selahattin Demirtaş (8,40%).

Em 2023, disputou o primeiro segundo turno da história das eleições presidenciais turcas. No primeiro turno, em 14 de maio, teve 49,52% contra 44,88% de Kemal Kılıçdaroğlu, candidato da oposição unificada. No segundo turno, em 28 de maio, venceu com 52,18% contra 47,82%. Foi a 11ª vitória eleitoral seguida de Erdoğan desde a eleição para a prefeitura de Istambul em 1994.

## Tentativa de golpe de 2016 e referendo de 2017

Em 15 de julho de 2016, uma facção das Forças Armadas tentou derrubar o governo; o golpe foi contido no dia seguinte. Até 24 de julho, cerca de 13.165 pessoas haviam sido detidas, entre elas 8.838 militares, 2.101 juízes e promotores e 1.485 policiais. Segundo o jornal The Independent, nos meses seguintes cerca de 145 mil pessoas foram detidas e 134 mil demitidas do serviço público. O estado de emergência decretado após o golpe durou dois anos.

Em 16 de abril de 2017, um referendo aprovou por 51,41% dos votos 18 emendas constitucionais que extinguiram o cargo de primeiro-ministro e substituíram o sistema parlamentarista por uma presidência executiva. O presidente passou a nomear e demitir ministros e o vice-presidente, a governar por decreto e a influir nas nomeações do Conselho de Juízes e Promotores. Observadores internacionais e a oposição questionaram o resultado por irregularidades e pela repressão a quem fazia campanha pelo "não".

## Oposição, İmamoğlu e liberdade de expressão

O principal rival de Erdoğan, o prefeito de Istambul Ekrem İmamoğlu, do Partido Republicano do Povo (CHP), foi detido em 19 de março de 2025 sob acusações de corrupção, suborno, extorsão e liderança de organização criminosa, junto com mais de cem pessoas. Na véspera, a Universidade de Istambul havia anulado seu diploma, requisito para concorrer à presidência. Em 23 de março de 2025, dia em que teve a prisão formalizada, o CHP o escolheu como candidato presidencial em prévia. A prisão provocou protestos em massa. Em 11 de novembro de 2025, a promotoria o acusou de 142 crimes, com penas somadas de mais de 2.000 anos.

Críticos e jornalistas são alvo frequente de investigações por insultar o presidente. Em 28 de setembro de 2026, um tribunal de Istambul condenou o comediante Deniz Göktaş, de 32 anos, a 19 meses e 10 dias de prisão por insultar Erdoğan e valores religiosos, por piadas em que descrevia o presidente como um ditador que deixou de ser "tímido" para ficar "confiante na sua identidade". O tribunal recebeu 185 denúncias contra o número por meio de um canal oficial de reclamações mantido pela Presidência. Göktaş vai recorrer em liberdade.

## Relação com Israel

Após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, Erdoğan passou a atacar Israel de forma cada vez mais dura. Em 25 de outubro de 2023, condenou os ataques contra civis, mas descreveu o Hamas como "um grupo de libertação" e não uma organização terrorista. Em novembro de 2023, chamou Israel de "Estado terrorista", acusou o país de genocídio em Gaza e anunciou que a Turquia levaria o caso à Corte Internacional de Justiça.

Em 2 de maio de 2024, a Turquia suspendeu todo o comércio com Israel. Em 13 de novembro de 2024, Erdoğan anunciou o rompimento das relações com o país enquanto a guerra em Gaza continuasse. Em agosto de 2025, a Turquia fechou seu espaço aéreo a aeronaves israelenses, e em novembro de 2025 a Justiça turca emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outras 36 autoridades israelenses por genocídio e crimes contra a humanidade.

## Relação com o Brasil e com Lula

Erdoğan e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por telefone em agosto de 2026 e acertaram a criação de um Conselho Estratégico Brasil-Turquia, no nível dos vice-presidentes, para elaborar um roteiro de aprofundamento das relações. Os dois celebraram a ratificação do Acordo de Cooperação da Indústria de Defesa pelos dois parlamentos, e o Brasil se comprometeu a enviar a Ancara uma delegação dos ministérios da Defesa e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Lula aceitou o convite de Erdoğan para ir à COP31, a conferência do clima da ONU que a Turquia sedia em Antália em novembro de 2026.

## Relação com a Europa e a Alemanha

A Turquia é membro da Otan e mantém uma união aduaneira com a União Europeia. Em 28 de setembro de 2026, Erdoğan recebeu em Ancara Hendrik Wüst, ministro-presidente do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, apontado como possível sucessor do chanceler Friedrich Merz. A reunião, rara porque o presidente turco não costuma receber líderes regionais, tratou das relações econômicas, da reforma da união aduaneira entre UE e Turquia, da facilitação de vistos e do papel turco na Otan. Cerca de 1 milhão de pessoas com raízes turcas vivem na Renânia do Norte-Vestfália.

## Vida pessoal

Erdoğan é casado desde 1978 com Emine Erdoğan. O casal tem quatro filhos: Ahmet, Bilal, Esra e Sümeyye.

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