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title: "Protestos na França 2026"
url: https://dailyjournal.news/topics/protestos-na-franca-2026
updated: 2026-10-18T07:08:49.17+00:00
categories: ["world", "politics"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Protestos na França 2026

Onda de protestos na França contra o custo de vida e a piora dos serviços públicos, sobretudo das escolas. Começou em setembro de 2026 com estudantes do ensino médio e, em 17 de outubro, virou um dia nacional com sindicatos e coletes amarelos: cerca de 550 mil pessoas nas ruas, pelo menos 1.200 detidos, incêndios em Limoges e Lyon e saques. O governo promete punir a violência, a seis meses da eleição presidencial de 2027.

## Visão geral

Os protestos na França de 2026 são uma onda de manifestações contra o aumento do custo de vida e a piora dos serviços públicos, sobretudo das escolas. Começaram em setembro de 2026 como um movimento de estudantes do ensino médio e, em 17 de outubro, viraram um dia nacional de protestos com sindicatos e o movimento dos "coletes amarelos": cerca de 550 mil pessoas foram às ruas, segundo o governo, e pelo menos 1.200 foram detidas (BBC). Houve incêndios em prédios públicos, como a prefeitura de Limoges, saques em várias cidades e denúncias de violência policial.

A história da fase estudantil, de Créteil às escolas fechadas, está na página [Protestos estudantis na França 2026](/topics/protestos-estudantis-na-franca-2026). Esta página trata do movimento mais amplo, que junta a pauta da educação à do poder de compra.

## Por que há protestos na França

Os manifestantes protestam contra o custo de vida e o orçamento do governo para 2027. As queixas mais citadas são o preço alto dos combustíveis, salários e benefícios sociais congelados e cortes de gastos públicos. Na educação, os estudantes denunciam falta de professores, turmas lotadas e escolas degradadas. "Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país simplesmente por tentarem protestar", disse uma manifestante de 19 anos ao g1 em Paris.

O pano de fundo é uma crise política e fiscal. O governo de [Emmanuel Macron](/topics/emmanuel-macron) tenta reduzir a dívida pública, e os custos de financiamento do Estado francês chegaram ao nível mais alto em mais de duas décadas (g1). Macron deixa o cargo em 2027, e a eleição presidencial está marcada para abril. Para o correspondente da BBC em Paris, Hugh Schofield, o movimento repete o padrão de quase todo outono francês, mas surge num momento de desgaste do "macronismo", de crise da dívida e de ascensão dos extremos.

## Como começou: das escolas às ruas

O movimento nasceu em setembro de 2026 em liceus (escolas de ensino médio, para jovens de 15 a 18 anos) de Créteil, na periferia de Paris, e se espalhou pelo país em bloqueios de escolas. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, prometeu 3.000 professores substitutos a mais, mas os protestos continuaram (BBC). O Ministério da Educação afirma que o orçamento da pasta cresce em 2027.

Depois de três semanas de atos liderados por estudantes, as entidades secundaristas romperam o diálogo com o Ministério da Educação e passaram a pedir negociação direta com o gabinete do primeiro-ministro. Ao mesmo tempo, chamaram sindicatos e coletes amarelos a se juntar a elas. O apelo unificado, assinado por grupos como Bloquons tout e Indignons-nous, tinha o lema "Jaunes et jeunes, nos luttes se rencontrent" ("amarelos e jovens, nossas lutas se encontram").

## O dia nacional de 17 de outubro

Em 17 de outubro de 2026, cerca de 550 mil pessoas protestaram em toda a França, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez; em Paris, foram 110 mil (g1). Em Toulouse, o governo regional contou 32 mil pessoas e os sindicatos, cerca de 80 mil.

A marcha principal de Paris foi em grande parte pacífica à tarde, mas à noite houve confrontos com a tropa de choque, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água; carros foram incendiados na Place de la République e lojas foram saqueadas (BBC). Os episódios mais graves:

* **Limoges**: um incêndio na prefeitura histórica derrubou parte do telhado e a torre.
* **Lyon**: o posto de turismo, prédio histórico da cidade, foi incendiado; o prefeito Grégory Doucet chamou o caso de "tragédia".
* **Angers**: manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire.
* **Marselha**: um grupo invadiu a prefeitura e foi retirado pela polícia.
* **Saint-Étienne**: um jovem perdeu a mão por causa de um explosivo, segundo o prefeito Régis Juanico.
* **Saques**: o Ministério do Interior relatou saques ou tentativas em Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha; em Lille, uma loja da Apple foi esvaziada.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, disse que 150 policiais ficaram feridos (BBC). Segundo Nuñez, a maior parte dos detidos era de adultos sem ligação com o movimento estudantil, e a violência partiu de grupos encapuzados da esquerda radical. Um órgão de fiscalização da polícia investiga 24 denúncias de violência policial (g1).

## Reação do governo e dos partidos

Macron, que tinha pedido calma em 16 de outubro, disse que quem atacou prefeituras, sedes de governo regional e comércios "será processado e punido". Lecornu acusou o partido França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, de instrumentalizar o movimento estudantil para ganhar votos e disse que alguns grupos usam os protestos como "aquecimento" para a eleição presidencial: "Ninguém vai impor sua agenda política pela violência" (BBC).

Mélenchon participou dos atos, condenou saques e incêndios e acusou a polícia de atacar os manifestantes; Lecornu chamou as falas de "perigosas e cínicas". Marine Le Pen, do Reunião Nacional, disse que as "reivindicações legítimas" dos manifestantes foram "sequestradas pela extrema esquerda". Prefeitos como Christophe Béchu, de Angers, e Jean-Luc Moudenc, de Toulouse, também atribuíram a violência à extrema esquerda; a CGT responsabilizou o governo pelas ordens dadas à polícia em Toulouse.

## O que acontece agora

Os estudantes pedem negociação direta com o primeiro-ministro, e o governo diz que vai identificar e punir os autores da violência a partir das imagens. Os protestos acontecem a seis meses da [eleição presidencial francesa de 2027](/topics/eleicoes-na-franca-2027), que as pesquisas citadas pela BBC apontam como uma possível disputa entre Le Pen e Mélenchon. Atos com pautas parecidas, sobre salários, aposentadorias e o preço de serviços básicos, foram registrados na Bélgica, na Itália e em Portugal (g1).

## Linha do tempo

* **Setembro de 2026**: protestos começam em liceus de Créteil, na periferia de Paris, e se espalham por escolas do país.
* **8 de outubro de 2026**: o ministro da Educação, Édouard Geffray, promete 3.000 professores substitutos a mais.
* **14 de outubro de 2026**: Lecornu acusa a França Insubmissa de instrumentalizar o movimento estudantil.
* **16 de outubro de 2026**: Macron pede calma e "respeito pelas pessoas e pelo patrimônio".
* **17 de outubro de 2026**: dia nacional de protestos com estudantes, sindicatos e coletes amarelos reúne cerca de 550 mil pessoas; pelo menos 1.200 detidos, incêndios em Limoges e Lyon e saques em várias cidades.

## Perguntas frequentes

### Qual o motivo dos protestos na França?

O custo de vida e os serviços públicos. Os manifestantes criticam o preço dos combustíveis, o congelamento de salários e benefícios e os cortes do orçamento de 2027; os estudantes, a falta de professores e as escolas degradadas.

### Como estão os protestos na França hoje?

Em 17 de outubro de 2026, o maior dia do movimento até agora, cerca de 550 mil pessoas protestaram e pelo menos 1.200 foram detidas. Os estudantes pedem negociação direta com o primeiro-ministro, e o governo promete punir os autores da violência.

### Os protestos são contra a reforma da previdência?

Não. A onda de 2026 é contra o custo de vida e a situação das escolas. Os grandes protestos contra a reforma da previdência foram em 2023.

### Quem são os coletes amarelos?

É o movimento que protestou contra a alta do custo de vida por mais de um ano a partir de 2018, um dos mais longos da história francesa. Em outubro de 2026, ex-integrantes se juntaram aos estudantes.

### Quantas pessoas foram presas nos protestos na França?

Pelo menos 1.200 pessoas foram detidas em 17 de outubro de 2026, segundo o governo francês citado pela BBC.

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