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title: "Ozempic"
url: https://dailyjournal.news/topics/ozempic
updated: 2026-09-20T11:56:13.46+00:00
categories: ["science"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Ozempic

O Ozempic é um medicamento injetável à base de semaglutida, indicado originalmente para o tratamento de diabetes tipo 2, que atua na regulação da glicose e na saciedade. Sua relevância cresceu devido ao uso off-label para perda de peso e à recente expiração de sua patente, que permitiu o surgimento de versões genéricas e similares mais acessíveis no Brasil. Atualmente, o fármaco exige retenção de receita médica e possui alertas de segurança sobre efeitos colaterais raros, como a neuropatia óptica.

## O que é o Ozempic e qual é o princípio ativo

Ozempic é o nome comercial de um medicamento da Novo Nordisk cujo princípio ativo é a **semaglutida**, um agonista do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1). É aplicado por injeção subcutânea uma vez por semana, com tratamento iniciado em 0,25 mg e aumento gradual da dose.

A mesma molécula aparece no mercado sob outros nomes comerciais, com indicações e doses diferentes — Wegovy (obesidade) e Rybelsus (semaglutida em comprimido). "Ozempic" acabou virando o apelido genérico de toda a classe das chamadas canetas emagrecedoras, mas é apenas uma das marcas.

## Como funciona

A semaglutida imita o GLP-1, um hormônio produzido pelo intestino que participa da regulação da glicose. O medicamento estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está elevado, reduz a secreção de glucagon e diminui a produção de glicose pelo fígado.

Há um segundo efeito, o que explica a perda de peso: os agonistas de GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico e atuam sobre os centros de apetite, o que prolonga a sensação de saciedade e reduz a ingestão de alimentos.

## Para que serve: as indicações aprovadas

A indicação original do Ozempic é o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 em adultos, associado a dieta e exercício, quando a glicemia não está satisfatoriamente controlada.

Em **2 de fevereiro de 2026**, a Anvisa aprovou uma nova indicação: redução do risco de declínio sustentado da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), de doença renal em estágio terminal e de morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, em adição à terapia padrão. A aprovação se baseou no estudo FLOW, que mostrou que a semaglutida 1 mg retarda a progressão da doença renal crônica nesses pacientes.

Ozempic não tem registro no Brasil como medicamento para obesidade — essa indicação pertence ao Wegovy.

## Ozempic e Wegovy: a mesma molécula, usos diferentes

Ozempic e Wegovy contêm a mesma substância, semaglutida, e são fabricados pela mesma empresa. A diferença está na indicação aprovada e na dose máxima: o Ozempic foi aprovado pelo FDA em 2017 para controle glicêmico no diabetes tipo 2, com dose máxima semanal de 2 mg; o Wegovy foi aprovado em 2021 para controle crônico de peso em adultos com obesidade (ou sobrepeso com comorbidade associada), com dose máxima de 2,4 mg por semana.

É por isso que o uso do Ozempic para emagrecer é, tecnicamente, uso fora de bula — prática comum, mas que não corresponde ao registro do produto.

## Quanto custa o Ozempic no Brasil

A caneta de Ozempic 1 mg (3 ml, com agulhas) era anunciada por **R$ 1.298,54** em farmácia online em setembro de 2026. O preço tem teto definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o Preço Máximo ao Consumidor, mas as redes praticam descontos, o que faz o valor variar bastante entre farmácias e programas de fidelidade.

O quadro mudou com a entrada das versões nacionais: o Ozivy, da EMS, era vendido por **R$ 333** no programa de fidelidade do laboratório em agosto de 2026 — uma fração do preço da marca original.

## O genérico e o "Ozempic brasileiro"

A patente da semaglutida caiu em **20 de março de 2026**, depois que o Superior Tribunal de Justiça rejeitou o pedido de extensão apresentado pela Novo Nordisk. A partir daí a Anvisa passou a registrar medicamentos com semaglutida obtida por síntese química.

A sequência dos registros:

- **26 de maio de 2026** — Ozivy, da EMS, o primeiro medicamento brasileiro com semaglutida sintética. É ele que serve de referência para os genéricos nacionais.
- **Agosto de 2026** — a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos de semaglutida do país (EMS, decidido em 13 de agosto e publicado no Diário Oficial em 17 de agosto; Germed, em 24 de agosto) e dois similares (Semaclique, da Germed, em 17 de agosto; Yluméc, da EMS, em 31 de agosto). O registro da EMS cobre quatro apresentações em caneta injetável na concentração de 1,34 mg/ml.

Por lei, o genérico precisa custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência. Hypera Pharma, Cimed, Biomm e Prati-Donaduzzi também anunciaram projetos de semaglutida depois da abertura regulatória.

## Ozempic em comprimido: a semaglutida oral

Existe semaglutida em comprimido, mas não com a marca Ozempic. O **Rybelsus**, da Novo Nordisk, é a primeira e única medicação oral da classe dos agonistas de GLP-1 aprovada pela Anvisa, disponível em 3 mg, 7 mg e 14 mg, em tomada diária. Em **27 de abril de 2026** a Anvisa aprovou para ele a indicação de redução do risco de eventos cardiovasculares — infarto, AVC e morte — em adultos com diabetes tipo 2, com base no estudo SOUL, ensaio de fase 3b com 9.650 participantes e seguimento médio de quatro anos, que apontou redução relativa de 14% no risco de eventos cardiovasculares em relação ao placebo.

A versão oral do Wegovy, de 25 mg, voltada à obesidade, foi aprovada pelo FDA em dezembro de 2025 e submetida à Anvisa em janeiro de 2026, sem previsão anunciada de aprovação no Brasil.

## Ozempic ou Mounjaro

Mounjaro tem como princípio ativo a **tirzepatida**, que age em dois receptores — GLP-1 e GIP —, enquanto a semaglutida age apenas no GLP-1.

A comparação direta entre as duas moléculas foi feita no estudo SURMOUNT-5, ensaio aberto de fase 3b com 751 adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2, com 72 semanas de duração, publicado no *New England Journal of Medicine* em maio de 2025: a perda de peso média foi de **20,2% com tirzepatida contra 13,7% com semaglutida**. O estudo foi patrocinado pela Eli Lilly, fabricante da tirzepatida.

A escolha entre os dois, porém, depende da indicação, das comorbidades e da tolerância do paciente, e é uma decisão médica.

## Efeitos colaterais e o alerta de perda de visão

Os efeitos adversos mais comuns da semaglutida são gastrointestinais: náusea, vômito, diarreia e constipação, geralmente mais intensos nas fases de aumento de dose.

O alerta mais grave veio em **6 de junho de 2025**, quando o comitê de farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos concluiu que a **neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION)** é um efeito colateral muito raro dos medicamentos com semaglutida — Ozempic, Rybelsus e Wegovy —, com frequência de até 1 caso em 10 mil pacientes tratados. Estudos epidemiológicos de grande porte apontaram risco cerca de duas vezes maior de NAION em adultos com diabetes tipo 2 em uso de semaglutida, o equivalente a aproximadamente um caso adicional a cada 10 mil pessoas-ano de tratamento.

A NAION causa perda de visão súbita e indolor, em geral em um olho, e costuma ser irreversível. A orientação regulatória é procurar atendimento médico imediato diante de perda súbita de visão ou piora rápida da visão durante o tratamento, e suspender o medicamento se o diagnóstico for confirmado. As bulas passaram a trazer o aviso, e a Anvisa replicou o alerta no Brasil.

## Ozempic e anticoncepcional

A dúvida tem origem num efeito real do medicamento: ao retardar o esvaziamento gástrico, os agonistas de GLP-1 podem atrasar a absorção de remédios tomados por via oral, incluindo anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. O que se descreve é atraso no início da ação, não perda de eficácia.

Uma revisão de seis estudos com usuárias de contraceptivos hormonais orais e agonistas de GLP-1 não encontrou interação entre semaglutida ou liraglutida e os contraceptivos; a orientação nesse caso é manter o anticoncepcional oral. Em relação à gravidez, a recomendação é suspender a semaglutida pelo menos dois meses antes de uma eventual gestação (um mês, no caso da tirzepatida). Qualquer ajuste deve ser conversado com o médico responsável.

## "Ozempic natural": o que a Anvisa proibiu

Não existe versão natural do Ozempic. O termo circula em redes sociais associado a suplementos, chás e à berberina, apresentada como alternativa vegetal às canetas — a berberina não é semaglutida, não tem o mesmo mecanismo de ação e não pode ser considerada uma versão natural do medicamento.

Em **agosto de 2026**, a Anvisa proibiu a comercialização, a distribuição, a divulgação e o uso de produtos vendidos como "Ozempic Natural", determinando apreensão, por ausência de registro sanitário e indícios de falsificação. A venda ocorria sobretudo por sites e perfis de redes sociais, prática vedada pela Lei 6.360/1976.

## Onde comprar e as regras de receita

Ozempic e os demais análogos de GLP-1 são vendidos apenas em farmácias, sob prescrição médica e **com retenção de receita**. A regra foi estabelecida pela Anvisa em abril de 2025 e passou a valer em **23 de junho de 2025**: a receita tem validade de 90 dias e fica retida no estabelecimento. As embalagens passaram a trazer tarja vermelha com a frase "VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA – SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA".

Compra por sites não autorizados, redes sociais ou fora do circuito farmacêutico é irregular e expõe o consumidor a produto falsificado.

## Manipulação de semaglutida em farmácias

A Nota Técnica nº 200/2025 da Anvisa condicionou a importação de insumo de agonistas de GLP-1 obtido por síntese química, para fins de manipulação magistral, à existência de um medicamento registrado na agência com a mesma molécula. Enquanto não havia semaglutida sintética registrada, a manipulação ficava inviabilizada.

O registro do Ozivy, em maio de 2026, cumpriu essa condição e alterou a premissa regulatória que sustentava a restrição. Isso não equivale a autorização automática para qualquer origem de insumo: permanecem exigências de qualificação de fornecedor, controle de qualidade e rastreabilidade. A Anvisa anunciou em 2026 reforço da fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas.

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