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title: "Oracle"
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updated: 2026-09-19T20:41:39.035+00:00
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Oracle

A Oracle Corporation é uma gigante americana de tecnologia focada em bancos de dados, software de gestão empresarial e infraestrutura de nuvem. Atualmente, a empresa vive uma transformação estratégica voltada à inteligência artificial, impulsionada por contratos massivos com a OpenAI e investimentos pesados em data centers. Apesar do crescimento recorde na receita de nuvem, a companhia enfrenta desafios financeiros, incluindo alta dívida e reestruturações internas com cortes de pessoal.

## O que é a Oracle

A Oracle Corporation é uma empresa americana de tecnologia com sede em Austin, no Texas. Nasceu vendendo banco de dados — o Oracle Database é seu produto mais conhecido — e hoje vende também software de gestão empresarial (ERP, RH, cadeia de suprimentos), serviços de nuvem e hardware. É negociada na Bolsa de Nova York sob o código ORCL e integra os índices S&P 100 e S&P 500.

No ano fiscal encerrado em 31 de maio de 2026, a Oracle registrou receita de US$ 67,36 bilhões e lucro líquido de US$ 17,09 bilhões, com cerca de 141 mil funcionários. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de agosto de 2026 e divulgado em 10 de setembro, a receita trimestral foi recorde: US$ 19,3 bilhões, alta de 30% sobre um ano antes.

O que mudou a empresa nos últimos anos foi a infraestrutura de inteligência artificial. A receita de nuvem da Oracle chegou a US$ 11,6 bilhões no trimestre (+62%), puxada pela infraestrutura como serviço — a OCI —, que mais do que dobrou, para US$ 7,4 bilhões, um crescimento de 121% em um ano. A empresa projeta receita de pelo menos US$ 90 bilhões no ano fiscal de 2027.

## Quem comanda a Oracle

**Larry Ellison** é cofundador, presidente do conselho (chairman) e diretor de tecnologia (CTO). É o maior acionista individual da companhia e nunca deixou de ditar a direção técnica dela.

Em 22 de setembro de 2025, a Oracle promoveu **Clay Magouyrk** e **Mike Sicilia** a CEOs — os dois dividem o cargo. Magouyrk, então com 39 anos, foi um dos primeiros funcionários da Oracle Cloud Infrastructure, depois de passar pela Amazon, e comandava a infraestrutura de nuvem. Sicilia, então com 54, era presidente da divisão de Indústrias e entrou na empresa em 2009, com a compra da Primavera Systems.

**Safra Catz**, CEO desde 2014, passou a ocupar o posto de vice-presidente executiva do conselho (executive vice chair). "Neste momento de força é a hora certa de passar o cargo de CEO para a próxima geração de executivos capazes", disse ela no anúncio.

## História e origem do nome

Larry Ellison, Bob Miner e Ed Oates fundaram a empresa em 16 de junho de 1977, em Santa Clara, na Califórnia, com o nome de Software Development Laboratories (SDL). A inspiração veio do artigo de 1970 em que Edgar F. Codd descreveu o modelo relacional de dados.

O nome mudou três vezes: Relational Software, Inc. em 1979, Oracle Systems Corporation em 1983 e Oracle Corporation em 1995. "Oracle" era o codinome de um projeto de 1977 para a CIA — o primeiro cliente da empresa —, e os fundadores obtiveram permissão para reaproveitá-lo no produto.

Entre os três, Ellison foi considerado o pior programador e virou o vendedor. A empresa abriu capital em 12 de março de 1986. A sede ficou em Redwood Shores, na Califórnia, de 1989 até dezembro de 2020, quando se mudou para Austin; em abril de 2024 a Oracle anunciou que pretende mudar a sede novamente, para Nashville, sem informar prazo.

## Oracle Cloud Infrastructure (OCI): o que é

A OCI é a plataforma de nuvem da Oracle — o equivalente ao AWS da Amazon, ao Azure da Microsoft e ao Google Cloud. Vende capacidade de computação (CPU e GPU), armazenamento, rede e banco de dados gerenciado, cobrados por uso.

É o motor de crescimento atual da empresa. No trimestre encerrado em agosto de 2026, a receita de infraestrutura de nuvem cresceu 121%, para US$ 7,4 bilhões, com US$ 6,5 bilhões vindo de computação em CPU e GPU (+151%). A Oracle entregou 850 megawatts de nova capacidade de data center no trimestre — quase o triplo do trimestre anterior — e disse operar sua frota de GPUs com 97,9% de utilização.

Uma aposta distinta da Oracle é o banco de dados multinuvem: rodar o Oracle Database dentro da infraestrutura dos concorrentes. Essa receita cresceu 353% em um ano, com 70 regiões multinuvem em Azure, AWS e Google Cloud.

## Oracle Cloud Free Tier: o que entra de graça

A Oracle oferece uma camada gratuita da nuvem em dois níveis:

- **Teste gratuito**: US$ 300 em créditos, válidos por até 30 dias, para usar em qualquer serviço elegível da OCI.
- **Always Free (uso livre)**: serviços sem limite de tempo, que continuam disponíveis depois que os 30 dias acabam. A lista inclui computação Ampere A1 baseada em ARM, computação AMD, Block e Object Storage, Autonomous Database (Data Warehouse, Transaction Processing e JSON), HeatWave, balanceadores de carga, VPN site a site, monitoramento, logging e Vault.

O cadastro exige cartão de crédito ou débito para verificação de identidade — a Oracle informa que pode haver uma autorização temporária no cartão, removida pelo banco em três a cinco dias, sem cobrança efetiva. Vale uma conta por pessoa, e contas ociosas por 30 dias ou mais podem ser suspensas.

## Oracle ERP: Fusion, NetSuite e as aplicações de negócio

Além da infraestrutura, a Oracle vende software de gestão em nuvem. São três famílias principais:

- **Oracle Fusion Applications**, lançada em 2010 para unificar as tecnologias das aquisições de PeopleSoft, Siebel Systems e JD Edwards num único pacote. Cobre ERP, RH (HCM), experiência do cliente (CX) e cadeia de suprimentos (SCM). No trimestre encerrado em agosto de 2026, o Fusion de back-office faturou US$ 1,6 bilhão, alta de 14%.
- **NetSuite**, o ERP em nuvem voltado a empresas menores e de porte médio: US$ 1,1 bilhão no trimestre, alta de 6%.
- **Aplicações setoriais**, incluindo a Oracle Health, construída sobre a Cerner — empresa de prontuário eletrônico comprada por US$ 28,3 bilhões em junho de 2022. O conjunto somou US$ 1,2 bilhão no trimestre, alta de 12%.

No total, as aplicações em nuvem (SaaS) cresceram 10%, para US$ 4,2 bilhões — bem abaixo da infraestrutura. A receita de software licenciado tradicional caiu 3%, para US$ 5,5 bilhões, o que a empresa atribui à migração de clientes do modelo local para a nuvem.

## Oracle Database, Java, MySQL e VirtualBox

O Oracle Database, lançado no fim dos anos 1970, continua sendo o produto de origem da empresa e a base do negócio de banco de dados na nuvem.

Boa parte do resto do portfólio veio de aquisições. A compra da Sun Microsystems, anunciada em 2009 por US$ 7,4 bilhões, trouxe para a Oracle a linguagem **Java**, o banco de dados de código aberto **MySQL**, o sistema operacional **Solaris** e o virtualizador **VirtualBox** — este último, gratuito, é hoje um dos softwares Oracle mais instalados em computadores pessoais no mundo, sem qualquer relação com o negócio corporativo da empresa.

Outras marcas do grupo incluem PeopleSoft, Siebel, JD Edwards, NetSuite e Cerner. A compra da PeopleSoft foi a segunda aquisição hostil da história do setor de software.

## A aposta em inteligência artificial: OpenAI, Stargate e os data centers

Em janeiro de 2025, a Oracle foi anunciada na Casa Branca como sócia do **Stargate**, uma joint venture com a OpenAI, o SoftBank e a MGX para investir até US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA nos Estados Unidos.

Em setembro de 2025, veio o contrato que redefiniu a empresa: a OpenAI fechou a compra de cerca de **US$ 300 bilhões em capacidade de computação da Oracle ao longo de aproximadamente cinco anos**, começando em 2027 — equivalente a cerca de 4,5 gigawatts de capacidade por ano. É um dos maiores contratos de nuvem já assinados.

O efeito aparece na carteira de contratos. As obrigações de desempenho remanescentes (RPO, na sigla em inglês) — receita contratada mas ainda não reconhecida — chegaram a **US$ 664 bilhões** no trimestre encerrado em agosto de 2026, alta de US$ 209 bilhões em um ano. Só nesse trimestre a Oracle fechou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem de IA.

O campus âncora fica em **Abilene, no Texas**, onde a Oracle entregou 131 mil GPUs em um único trimestre e seis dos oito prédios do complexo, com 618 megawatts. O modelo GPT-6 Astra, da OpenAI, foi treinado ali, segundo a Oracle. O próximo campus de escala de gigawatt é Shackelford, também no Texas.

Para alimentar essas instalações, a Oracle anunciou em 17 de setembro de 2026 investimentos em **mais de 1,7 GW de energia eólica no Texas**, distribuídos em dez projetos com Clearway Energy, ENGIE, RWE e Scout Clean Energy. O acordo com a RWE é um contrato virtual de compra de energia (vPPA) de 433 MW dos parques Panther Creek I, II e III, no oeste do estado; o com a ENGIE chega a 568 MW. A empresa estima que os projetos gerem energia equivalente ao consumo de mais de 525 mil residências e evitem 1,8 milhão de toneladas de CO₂ por ano em relação à média da rede texana, e diz mirar 100% de eletricidade livre de carbono para seus data centers de IA sob medida até 2035.

## Demissões e reestruturação

A Oracle cortou pessoal em larga escala enquanto crescia em receita. No ano fiscal encerrado em 31 de maio de 2026, o quadro global caiu de cerca de 162 mil para cerca de **141 mil funcionários** — uma redução de aproximadamente 21 mil pessoas, ou 13%. A empresa gastou US$ 1,84 bilhão em rescisões e outros custos de saída no período, contra US$ 374 milhões no ano anterior.

A primeira onda começou em **31 de março de 2026**, atingindo trabalhadores nos Estados Unidos, Índia, Canadá, México e Uruguai. Uma segunda onda começou em **14 de setembro de 2026**, com e-mails de desligamento enviados de madrugada. O texto, segundo cópia publicada pelo Business Insider, dizia: "Após cuidadosa consideração das necessidades atuais do negócio da Oracle, decidimos eliminar sua função como parte de uma mudança organizacional mais ampla. Como resultado, hoje é seu último dia de trabalho."

A Oracle não divulgou quantas pessoas foram atingidas em setembro. O que existe é o registro contábil: em documento enviado ao regulador americano em 11 de setembro de 2026, a empresa acrescentou cerca de US$ 700 milhões ao plano de reestruturação de 2026, elevando o custo total estimado para cerca de US$ 2,8 bilhões. O mesmo documento citou pela primeira vez a **adoção de inteligência artificial** como um dos motivos da reestruturação.

Analistas alertam que o valor não se converte diretamente em número de demitidos. "O suplemento é uma estimativa, não uma fatura", disse Sanchit Vir Gogia, analista-chefe da Greyhound Research, ao Computerworld, observando que a cifra cobre indenizações, rescisões contratuais e outros custos de saída em vários países. Pelos números da própria Oracle no ano fiscal de 2026, pesquisa e desenvolvimento caiu de 50 mil para 43 mil pessoas, vendas e marketing de 31 mil para 25 mil, e serviços de 37 mil para 34 mil.

## Dívida, ações e o risco da aposta

O crescimento da Oracle está sendo financiado com dívida, e essa é a principal fonte de questionamento sobre a empresa. No trimestre encerrado em agosto de 2026, o investimento em infraestrutura (capex) saltou para US$ 28,5 bilhões, contra US$ 8,5 bilhões um ano antes. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,4 bilhões, e a dívida total alcançou US$ 125 bilhões. A companhia projeta capex de US$ 90 bilhões a US$ 95 bilhões no ano fiscal completo.

Em julho de 2026, a S&P rebaixou a nota de crédito corporativo da Oracle, que passou a ficar um degrau acima do grau especulativo ("junk").

O sinal mais recente de estresse veio de Doña Ana County, no Novo México. Cerca de **US$ 18 bilhões em empréstimos** ligados ao "Project Jupiter", um campus de 1.400 acres arrendado pela Oracle e peça do contrato com a OpenAI, passaram a ser cotados entre 89 e 91 centavos por dólar por bancos do sindicato, incluindo Santander e Jefferies, segundo o Financial Times em 18 de setembro de 2026. A tentativa de revender essa dívida a um conjunto maior de investidores travou, e os bancos ficaram com mais exposição à Oracle do que pretendiam.

O projeto enfrenta resistência local por temores sobre abastecimento de água e qualidade do ar. O escritório de terras do estado barrou um pedido para levar um gasoduto até o data center, que seria alimentado por 2,2 GW de turbinas a gás; a Suprema Corte do Novo México permitiu, em 17 de setembro de 2026, que o licenciamento fosse retomado. Segundo o FT, a ação da Oracle caiu 50% desde o anúncio do contrato com a OpenAI.

## A Oracle no Brasil

A Oracle opera duas regiões de nuvem no país, ambas no estado de São Paulo: a região de São Paulo e a região de **Vinhedo**, no interior paulista, aberta em maio de 2021. A estratégia de duas regiões no mesmo país serve à recuperação de desastres e às exigências de residência de dados — os dados permanecem em território nacional.

As regiões brasileiras oferecem serviços da OCI, incluindo Oracle Autonomous Database, Kubernetes, Oracle Cloud VMware Solution e as aplicações em nuvem. Entre os clientes citados pela empresa estão a TIM Brasil, que migrou 100% de seus data centers, e a SKY.

Em outubro de 2025, durante o SuiteWorld em Las Vegas, a Oracle NetSuite anunciou a disponibilidade geral de seus primeiros data centers no Brasil, nas regiões de São Paulo e Vinhedo. "A América Latina é um mercado estratégico para a NetSuite, e o lançamento de data centers locais marca um marco importante em nosso crescimento", disse Gustavo Moussalli, vice-presidente sênior da NetSuite para a América Latina. Com a adição do Brasil, a NetSuite passou a operar em 35 data centers distribuídos por 18 regiões da OCI em cinco continentes.

## Oracle e o TikTok

A Oracle é uma das três investidoras gestoras da **TikTok USDS Joint Venture LLC**, a empresa que passou a controlar a operação americana do TikTok. O negócio foi fechado em 22 de janeiro de 2026, cumprindo a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 25 de setembro de 2025.

A Oracle, a Silver Lake e a MGX detêm 15% cada. A ByteDance, dona chinesa original, ficou com 19,9% — o teto permitido pela lei americana de 2024 que obrigava a venda ou o banimento do aplicativo. O restante dos 80,1% está pulverizado entre outros investidores, incluindo o family office de Michael Dell e a NJJ Capital, de Xavier Niel.

O papel da Oracle é técnico e vai além da participação societária: os dados dos usuários americanos ficam em seu ambiente de nuvem, o algoritmo de recomendação é retreinado e guardado nessa mesma infraestrutura, e a empresa atua como "parceira de segurança confiável", revisando e validando o código-fonte dos aplicativos — TikTok, CapCut, Lemon8 e outros.

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