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title: "Meta Platforms"
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updated: 2026-09-19T10:06:38.254+00:00
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Meta Platforms

A Meta Platforms, Inc. é uma gigante americana de tecnologia que detém redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, mantendo seu modelo de negócio sustentado majoritariamente por publicidade. Sob a liderança de Mark Zuckerberg, a empresa redirecionou seu foco estratégico para o desenvolvimento de inteligência artificial e agentes autônomos, como o Muse. Atualmente, a companhia enfrenta intensos desafios regulatórios e jurídicos globais relacionados à segurança infantil, desinformação e privacidade.

## O que é a Meta

A Meta Platforms, Inc. é a empresa americana de tecnologia dona do Facebook, do Instagram, do WhatsApp, do Messenger e do Threads, com sede em Menlo Park, na Califórnia. Foi fundada em 4 de janeiro de 2004 como TheFacebook, Inc. por Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Andrew McCollum, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, e adotou o nome atual em 28 de outubro de 2021.

O negócio é sustentado essencialmente por publicidade: no segundo trimestre de 2026, a receita total foi de US$ 60,8 bilhões, dos quais apenas US$ 431 milhões vieram do Reality Labs, a divisão de hardware e realidade virtual. A empresa reportou receita de US$ 201 bilhões e lucro líquido de US$ 60,5 bilhões em 2025, e tinha 75.472 funcionários em junho de 2026.

Mark Zuckerberg segue como presidente-executivo. Susan Li é a diretora financeira, Andrew Bosworth é o diretor de tecnologia e Alexandr Wang responde pela área de inteligência artificial.

## História: do Facebook à Meta

O Facebook nasceu em 2004 como rede social universitária e cresceu comprando concorrentes e plataformas adjacentes. Comprou o Instagram em 2012 por cerca de US$ 1 bilhão, o WhatsApp em 2014 por mais de US$ 19 bilhões e a Oculus VR, também em 2014, por mais de US$ 2 bilhões — aquisição que originou a linha de headsets de realidade virtual.

Em 28 de outubro de 2021, a Facebook, Inc. passou a se chamar Meta Platforms, Inc., sinalizando a aposta no "metaverso". A virada custou caro: em fevereiro de 2022, a companhia perdeu US$ 237 bilhões em valor de mercado em um único dia, o maior tombo já registrado na bolsa americana até então. Nos anos seguintes, o foco declarado migrou do metaverso para a inteligência artificial.

## Aplicativos e plataformas

O portfólio da Meta reúne Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger, Threads e Facebook Watch, além dos headsets Meta Quest. No segundo trimestre de 2026, a empresa informou 3,6 bilhões de usuários ativos diários no conjunto dos aplicativos.

Além dos aplicativos principais, a companhia tem lançado uma série de apps autônomos e experimentais. Em 20 de agosto de 2026, o Pocket — aplicativo de "vibe coding" em que o usuário gera pequenos jogos interativos a partir de instruções em texto, publicados em um feed rolável — passou a ser liberado para todos os usuários dos Estados Unidos, depois de ter estreado no mês anterior no Brasil, usado como mercado de teste. O produto nasceu da contratação da equipe da plataforma Gizmo, absorvida pela Meta no início do ano, cujo aplicativo original foi desligado no mesmo dia; os jogos, chamados de "gizmos", respondem ao toque e à inclinação do celular, tocam efeitos sonoros e podem usar fotos da galeria ou a câmera. O Pocket se soma a outros lançamentos recentes citados por Mark Zuckerberg na teleconferência de resultados de julho — Instagram Instants, o Forum (aplicativo autônomo de Grupos) e o Seller (do Marketplace) —, ritmo que o executivo atribui ao próprio uso de IA no desenvolvimento de software: "Espero que fique muito mais fácil lançar novos aplicativos".

## Meta Ads e Meta Business Suite

Praticamente toda a receita da Meta vem de anúncios vendidos dentro desses aplicativos. As ferramentas comerciais que dão acesso a esse inventário são o Gerenciador de Anúncios e o Meta Business Suite.

Segundo a documentação oficial da empresa, o Meta Business Suite é o espaço para gerenciar atividades de publicidade e marketing no Facebook e no Instagram, centralizando Facebook, Messenger e Instagram em um único painel. Ele permite responder mensagens, criar e programar publicações, stories e anúncios, e acompanhar métricas de desempenho. Funciona no navegador e em aplicativo móvel.

## Anúncios fraudulentos e desinformação paga

O modelo de negócio da empresa — receita quase toda vinda de publicidade vendida por leilão automatizado — colocou a Meta no centro de disputas sobre até que ponto uma plataforma responde pelos anúncios que ela própria decide exibir.

Na Alemanha, a questão virou condenação. Em 16 de setembro de 2026, o Tribunal Regional de Frankfurt (Landgericht Frankfurt am Main) condenou a Meta Platforms Ireland Limited no processo 2-06 O 234/25, movido pela Finflow GmbH — dona da plataforma de educação financeira Finanzfluss — e por seu fundador e diretor-gerente, Thomas Kehl. Desde 2024, perfis falsos e anúncios fraudulentos vinham usando o nome e a imagem de Kehl e a marca Finanzfluss no Facebook e no Instagram para promover investimentos duvidosos. A sentença obriga a empresa a parar de veicular esse conteúdo, a prestar informações detalhadas sobre os formatos de anúncio envolvidos e a receita publicitária que geraram, a indenizar os prejudicados e a compensar Kehl pela violação de seus direitos de personalidade.

O fundamento jurídico é o que dá alcance à decisão. O tribunal aplicou o entendimento do Tribunal de Justiça da União Europeia no caso Webgroup e Coyote, de 16 de junho de 2026, segundo o qual a plataforma que exerce controle algorítmico sobre a distribuição do conteúdo perde a isenção de responsabilidade do artigo 14(1) da Diretiva de Comércio Eletrônico e do artigo 6(1) do Regulamento de Serviços Digitais (DSA). Para os juízes de Frankfurt, a Meta exerce esse controle por meio do sistema de leilão dos anúncios e dos algoritmos que ordenam o conteúdo — e, por isso, responde pelo material ilícito de terceiros independentemente de ter conhecimento efetivo dele. É a primeira aplicação por um tribunal alemão do critério mais estrito fixado pelo TJUE. A decisão não é definitiva e cabe recurso ao Tribunal Regional Superior (Oberlandesgericht) de Frankfurt.

No Brasil, a cobrança recaiu sobre a moderação de propaganda eleitoral. Em 17 de setembro de 2026, a organização britânica Ekō divulgou um estudo em que submeteu 15 anúncios políticos ao sistema automático de moderação do Instagram e do Facebook: 13 deles, ou 87%, foram aprovados. As peças traziam conteúdo fabricado com inteligência artificial — entre eles uma imagem gerada por IA do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, anunciando mudança na data da eleição; uma imagem sintética de Donald Trump ao lado do senador Flávio Bolsonaro promovendo sua candidatura; a alegação de que locais de votação estariam fechados e o pleito adiado para novembro; e alegações sobre facções criminosas danificando urnas. Os anúncios acumulavam várias violações das regras eleitorais: foram pagos por uma conta sediada nos Estados Unidos, o que a legislação brasileira veda; não traziam a identificação obrigatória do uso de IA; e não foram classificados como conteúdo político pelo sistema da plataforma, driblando a exigência de contratação direta por candidatos e partidos e permitindo gasto não rastreado, fora da prestação de contas eleitoral. Os pesquisadores removeram todas as peças logo após a decisão de aprovação ou rejeição, de modo que nenhuma chegou a ser exibida ao público. Em resposta, a Meta afirmou reafirmar "o compromisso de proteger o processo eleitoral", destacou que os anúncios "nunca foram vistos por nenhum usuário" e sustentou que o relatório não representa seu trabalho de moderação.

O teste da Ekō repetiu o resultado de um experimento anterior. Em 25 de agosto de 2026, a Anistia Internacional submeteu 15 anúncios em português — 14 com desinformação e um neutro — e teve 8 das peças enganosas aprovadas. O material explorava três estratégias: deslegitimação eleitoral, construção de inimigos e apelo autoritário travestido de segurança, com alegações de fraude, ataques à legitimidade de candidatos, procedimentos de votação incorretos e defesa de intervenção militar. Como no teste da Ekō, os anúncios aprovados foram cancelados antes de circular.

## Meta One: a assinatura paga

Em 15 de setembro de 2026 a Meta lançou globalmente o Meta One, um pacote de assinaturas que reúne recursos pagos do Facebook, do Instagram e do WhatsApp e amplia o uso das ferramentas de inteligência artificial da empresa. É a tentativa mais direta da companhia de tirar receita direta dos usuários e reduzir a dependência da publicidade.

Os planos avulsos por aplicativo continuam existindo — WhatsApp Plus por R$ 7 ao mês, Instagram Plus e Facebook Plus por R$ 10 cada — e dão figurinhas personalizadas, fontes, aviso de quem viu o story, métricas de Reels e super reações. Acima deles ficam os dois planos combinados para o público geral: o Core, a R$ 32 por mês (US$ 7,99 nos Estados Unidos), que junta os benefícios dos três planos Plus e libera os modelos de IA mais recentes; e o Premium, a R$ 97 (US$ 19,99), que acrescenta geração e edição de imagem e vídeo com o Muse, o recurso Restyle para os stories do Instagram e efeitos de voz.

Para criadores e empresas há quatro faixas: One Essencial, a partir de R$ 59 por mês (US$ 14,99), com Meta Business Agents, selo de verificação e proteção de identidade; One Avançado, a partir de R$ 199 (US$ 49,99), com ferramentas profissionais de publicação, agendamento de stories por 30 dias, análise de audiência e colaboração em equipe; One Expert, a partir de R$ 599 (US$ 149); e One Máximo, a partir de R$ 1.999 (US$ 499) — as duas últimas voltadas ao uso intensivo dos agentes de atendimento.

Nenhum dos planos remove anúncios, e os pacotes para empresas não aumentam o alcance das publicações. A Meta afirma que o uso básico dos aplicativos e o acesso ao Meta AI continuam gratuitos, e apresenta as assinaturas como forma de financiar o desenvolvimento de IA e a expansão da infraestrutura.

## Meta AI: Muse Spark, Muse Code e a Superintelligence Labs

A inteligência artificial passou a ser o principal destino de investimento da companhia, conduzida pela Meta Superintelligence Labs sob comando de Alexandr Wang.

Em 5 de agosto de 2026, a Meta lançou em beta o Muse Code, um agente de programação que roda no terminal e executa tarefas completas de engenharia de software em repositórios grandes — planejar mudanças, escrever código e validar resultados. Para lidar com projetos extensos, ele distribui o trabalho entre subagentes que rodam em paralelo em worktrees isoladas, sem tocar na cópia de trabalho original. O agente é alimentado pelo modelo Muse Spark 1.2, apresentado junto com melhorias em geração de código, depuração e compreensão de bases de código.

O lançamento coloca a Meta em disputa direta com o Codex, da OpenAI, e o Claude Code, da Anthropic. O argumento de venda é preço: segundo Alexandr Wang, "para muitos fluxos de trabalho e muitos casos de uso, esta pode ser uma opção incrivelmente boa, especialmente do ponto de vista de custo". Além da cobrança por uso, a empresa oferece um nível de acesso com desconto expressivo em troca do compartilhamento de dados de uso pelo desenvolvedor.

O assistente ganhou um aplicativo próprio de desktop em 19 de agosto de 2026, com a estreia do Meta AI para macOS. É a primeira versão nativa do chatbot para computador e vem acompanhada de conexões voltadas a criadores e pequenas empresas que fazem marketing no Facebook e no Instagram: o app se liga às contas profissionais nas duas redes, às campanhas do gerenciador de anúncios da Meta e ao Google Workspace, respondendo a perguntas sobre métricas de engajamento e desempenho de anúncios. Dois recursos são exclusivos do desktop — anexar uma janela da tela à conversa, para que o assistente leia o que está visível e sugira edições ou textos, e ditar em qualquer aplicativo do Mac. O aplicativo é gratuito, mas os recursos avançados ficam sujeitos a limites de uso que exigem assinatura do Meta One.

Em 1º de setembro de 2026, a Meta Superintelligence Labs apresentou o Muse Voice Transcribe, seu primeiro modelo de percepção de áudio em tempo real. Ele reúne em uma única arquitetura a transcrição em streaming, a diarização de falantes — a identificação de quem fala, com suporte a gravações com mais de 20 vozes — e o endpointing, a detecção de quando alguém terminou de falar, sem etapa separada de pós-processamento. O ajuste chamado de "atraso adaptativo" define quanto tempo o modelo espera antes de fixar cada palavra, avançando rápido na fala fácil e acumulando mais contexto nos trechos difíceis, em vez de trabalhar com uma troca fixa entre velocidade e precisão. Foi treinado em mais de 70 idiomas, com 25 validados no lançamento, aceita alternância de idioma dentro de uma mesma frase e processa áudios de mais de uma hora.

No ranking de transcrição em streaming da Artificial Analysis, o modelo assumiu o primeiro lugar em 1º de setembro, com taxa de erro de palavras de 3,1% e transcrição final entregue 0,16 segundo após o fim da fala — à frente do Cartesia Ink-2 (3,4%), do ElevenLabs Scribe v2 Realtime (3,6%), do GPT Live Transcribe da OpenAI (3,9%) e do Gemini 3.5 Transcribe Live do Google (4%). O teste comparativo cobriu apenas o inglês. O preço é o outro argumento: US$ 3 por mil minutos de áudio, ou US$ 0,18 por hora, contra US$ 0,96 por hora do Google Cloud Speech-to-Text. O modelo está em prévia pública na Meta Model API, no Meta AI para Mac — onde alimenta o ditado do sistema, acionado pela tecla Fn — e no Muse Code.

Em 2 de setembro de 2026, a Meta liberou o Muse Spark 1.3, quarto modelo da linha Spark em cinco meses, disponível no Muse Code e na Meta Model API. Segundo a conta oficial AI at Meta, a versão sustenta trabalho de horizonte mais longo em vários fluxos dentro de uma mesma conversa, faz perguntas de esclarecimento, avisa quando trava e pede confirmação antes de ações consequentes, além de estar melhor calibrada sobre os próprios limites em vez de alucinar resultados. Em comparações internas, a empresa afirma que o modelo usa cerca de 20% menos chamadas de ferramenta e 25% menos tokens que o Muse Spark 1.2. Shengjia Zhao, da Meta Superintelligence Labs, descreveu-o como "o modelo mais forte para tarefas agênticas e de codificação" da linha. Mark Zuckerberg resumiu o lançamento como "desempenho de fronteira quase barato demais para medir" e "o maior salto que já demos em codificação e trabalho agêntico".

Os números independentes vieram da Artificial Analysis. A variante disponível ao público, Muse Spark 1.3 (xhigh), entrou no Artificial Analysis Intelligence Index com 61 pontos — 4 acima do Muse Spark 1.2 (57, em agosto) e 8 acima do Muse Spark 1.1 (53, em julho) —, empatada com GPT-5.6 Sol (max), Grok 4.6 (high) e Claude Opus 5 (high), e atrás de Claude Fable 5.1 (max, 66) e Claude Opus 5 (max, 63). A variante Muse Spark 1.3 (max), em prévia limitada para parceiros da Meta, marcou 62, ficando atrás apenas das versões Fable e Opus da Anthropic. Os ganhos vieram sobretudo de trabalho agêntico e capacidade científica: no Tau3-Bench Banking o xhigh saltou de 35% para 47% e o max chegou a 52%, a melhor marca entre todos os modelos avaliados; no Terminal-Bench 2.1 a alta foi de 80% para 85%. Houve duas regressões, ambas em relação ao 1.2: o AA-LCR caiu de 83% para 79% nas duas variantes e a acurácia no AA-Omniscience recuou, efeito de uma taxa maior de abstenção que, em contrapartida, reduziu a taxa de alucinação.

O argumento comercial é o mesmo do Muse Code: preço. A Meta manteve a tabela do modelo anterior, US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 por milhão de saída (US$ 0,15 para entrada em cache), o que dá US$ 0,55 por tarefa do índice — contra US$ 0,95 do GPT-5.6 Sol (max) e US$ 0,94 do Grok 4.6 (high), um prêmio de mais de 70% para os concorrentes de mesma pontuação. No Artificial Analysis Coding Agent Index, o xhigh rodando no Muse Code marcou 64 a US$ 1,72 por tarefa, o menor custo entre os agentes acima de 60 pontos e cerca de um quinto do Claude Opus 5 (xhigh) no Claude Code (US$ 8,17); o max chegou a 68, atrás somente do Opus 5 (xhigh). A Meta não divulgou preço para a variante max.

A escala do esforço não se limita à infraestrutura própria. Em 20 de agosto de 2026, a Bloomberg informou que a Meta se tornou um dos maiores clientes de inteligência artificial da Microsoft: gasta centenas de milhões de dólares por ano no Azure e consome trilhões de tokens de IA por semana, por meio do Foundry, o marketplace de modelos da Microsoft. O serviço tem entre seus grandes compradores a ByteDance, dona do TikTok e normalmente a maior deles, além de Adobe, Perplexity e Sierra; ainda assim, a OpenAI respondeu sozinha por cerca de 70% da receita de IA da Microsoft no último ano fiscal. Meta e Microsoft se recusaram a comentar o acordo.

A aposta em agentes também reorganizou a comunicação interna da empresa. Em memorando revelado pelo Business Insider, Alexandr Wang informou aos funcionários que a Meta abandonaria o Google Chat em favor do Slack, da Salesforce, com a justificativa de que "o Slack é a plataforma mais forte disponível hoje para agentes". Wang apoiou o argumento na interface conversacional da ferramenta, no ferramental para desenvolvedores e nas integrações com produtos de terceiros já disponíveis nela — ou seja, a escolha recaiu menos sobre o aplicativo de mensagens em si do que sobre o ecossistema de agentes que já se conecta a ele.

## Hatch: o agente que executa tarefas

Em agosto de 2026 vieram a público os planos da Meta para um agente de IA capaz de executar tarefas em nome do usuário, chamado internamente de Hatch. Segundo documentos internos revelados pelo The Information em 25 de agosto, a companhia pretendia lançar a versão de consumo do agente nas semanas seguintes e mirava outubro para um novo modelo, de codinome Watermelon.

Um memorando interno obtido por Hugh Langley, do Business Insider, e publicado em 27 de agosto de 2026 descreve o que distingue o produto: o Hatch "tem o próprio computador" para processar as solicitações, o que lhe permite seguir trabalhando com o aplicativo fechado, e se conecta a serviços externos como e-mail, Instagram e a plataforma de reservas OpenTable.

O escopo relatado é o de um agente de tarefas, não o de um chatbot: com autorização do usuário, ele interpreta um objetivo, decompõe as etapas e age nos serviços conectados — comparar produtos, reservar mesa, acompanhar entregas, resumir e-mails e compromissos de agenda. A primeira vitrine seria o Instagram, com uma função de compras que permite descobrir e adquirir itens sem sair do aplicativo, e as reportagens apontam planos de assinatura para uso intensivo. O produto é peça central da tentativa de Zuckerberg de extrair receita direta dos investimentos em IA e reduzir a dependência da publicidade.

Internamente, a adoção do Hatch avançou junto com um recuo na cobrança por uso de IA. Reportagem da Wired publicada em 2 de setembro de 2026 informou que a Meta reescreveu o texto das avaliações de desempenho: onde antes se exigia "uso de IA" como critério e se classificava o funcionário como "AI Native", a nova redação diz apenas que os resultados esperados "podem ser apoiados por IA ou por outros meios". A mudança encerra o incentivo que havia produzido o fenômeno apelidado de tokenmaxxing — o consumo inflado artificialmente para subir num placar interno —, já criticado meses antes pelo diretor de tecnologia Andrew Bosworth: "ninguém deveria usar ferramentas de IA apenas pelo fato de usá-las; todo movimento não é progresso, e o uso de tokens sozinho não é medida de impacto de nenhum tipo". Ao mesmo tempo, e nisso está a contradição apontada pela reportagem, a empresa vinha estimulando — sem obrigar — o uso do Hatch, liberado aos funcionários nas semanas anteriores e mais intensivo em tokens que os chatbots e assistentes de código convencionais.

## Muse: o agente pessoal e a liderança na App Store

Em 8 de setembro de 2026, a Meta lançou o Muse, a versão de consumo do agente que vinha sendo desenvolvido internamente sob o codinome Hatch — nome que segue visível na arquitetura do produto, em serviços como `hatch-authd` e `hatch-safety`. O agente roda sobre o Muse Spark 1.3 e chegou apenas aos Estados Unidos, para maiores de 18 anos, em aplicativos para iOS e Android, no site muse.ai e dentro do WhatsApp, com integração aos óculos prometida para depois. Um aplicativo próprio do Muse para Mac — distinto do app do Meta AI lançado em agosto — veio em 17 de setembro.

A proposta não é a de um chatbot: o Muse abre um navegador, preenche formulários, lê e envia e-mails, gerencia a agenda, compara preços, reserva viagens e conclui compras, conectando-se às contas de e-mail, calendário, pagamento, saúde, casa inteligente e comércio do usuário. Entre os exemplos divulgados pela empresa está converter um vídeo de receita em lista de compras. Mark Zuckerberg enquadrou o produto como primeiro passo da "superinteligência pessoal": "Todos terão um agente pessoal excepcionalmente capaz que entende você, seus objetivos e tudo aquilo com que você se importa. Seu agente trabalhará 24 horas por dia em seu favor".

A cobrança é por consumo de tokens. O nível gratuito dá até 100 milhões de tokens por semana; o Power custa US$ 20 por mês e o Maximum, US$ 100. A Meta não publicou os tetos exatos dos planos pagos no lançamento.

A segurança foi o argumento central da apresentação, e é onde está a engenharia mais incomum do produto. Cada usuário recebe uma máquina virtual Linux isolada — a Muse Secure VM —, com navegador, CPU, memória e armazenamento próprios. Nas palavras de Zuckerberg, "seus dados e credenciais vivem na Muse Secure VM — um computador Linux isolado com navegador, CPU, memória e armazenamento". Um componente chamado Sentinel funciona como corretor de permissões, autorizando no nível do kernel cada ação de conector e cada saída de rede; o agente nunca recebe as credenciais reais, apenas tokens substitutos, inseridos só na fronteira da rede. Contra injeção de prompt, a empresa descreve cinco camadas — treinamento do modelo, rotulagem de conteúdo no harness, um conjunto de classificadores em paralelo, aprovação humana para qualquer dado que saia da VM e limites determinísticos abaixo do agente — e abriu um programa de recompensas que paga até US$ 300 mil por falha de segurança e até US$ 130 mil por um ataque de injeção bem-sucedido. A janela do navegador fica visível para que o usuário acompanhe o que o agente faz, e gastar dinheiro ou enviar mensagem exige aprovação explícita. A Meta afirma que o Muse não acessa senhas nem meios de pagamento e que as conversas não alimentam o sistema de anúncios.

A adoção foi rápida. O aplicativo estreou em segundo lugar na App Store americana em 10 de setembro, com mais de 83 mil downloads no iOS nos dois primeiros dias, e assumiu a primeira posição entre os gratuitos em 18 de setembro, dez dias após o lançamento, à frente do ChatGPT. As ações da Meta subiram cerca de 0,6% depois do lançamento, reação que a imprensa financeira classificou como contida.

O tamanho do público por trás da posição é menos impressionante que o ranking. Os 83 mil downloads em dois dias se comparam aos 4,3 milhões que o Threads registrou nos Estados Unidos em seu primeiro dia e aos cerca de 108 mil do aplicativo do Meta AI no lançamento; no Google Play, o Muse aparecia em 338º lugar na categoria Produtividade. A empresa não divulgou conversão em uso recorrente nem em assinaturas.

Há também um obstáculo estrutural para a parte de compras. Os grandes varejistas vêm fechando as portas para agentes: em agosto de 2025, a Amazon acrescentou seis rastreadores de IA ao seu arquivo robots.txt, entre eles os da Meta, do Google, da Huawei e da Mistral, ampliando bloqueios anteriores que já atingiam o Claude, da Anthropic, a Perplexity e o Project Mariner, do Google. A restrição por robots.txt é uma convenção, não uma barreira técnica, mas sinaliza a disposição da maior loja online do mundo de não servir de back-end para o agente de um concorrente.

## A dependência dos modelos da Anthropic

O discurso público da Meta sobre a Anthropic não corresponde ao uso que a empresa faz dos modelos da concorrente. Documentos internos citados em reportagens de 27 de agosto de 2026 mostram que a companhia chegou a projetar, ao longo de 2026, gasto anual de até US$ 10 bilhões com as ferramentas de IA da rival, o que a colocaria entre suas maiores clientes. O Claude Code passou a ser adotado em larga escala pelos desenvolvedores da Meta a partir do início de 2026, e a tecnologia da Anthropic foi usada em testes e no suporte computacional do próprio Hatch. Nat Friedman, chefe de produto de IA da Meta, chegou a dizer a funcionários que restringir o uso às ferramentas internas reduziria a receita da Anthropic às vésperas de sua abertura de capital.

No sentido inverso, e sem relação com esse gasto, o New York Times informou em 17 de julho de 2026 que a Anthropic negociava em estágio preliminar alugar capacidade computacional da Meta em um acordo de cerca de US$ 10 bilhões por dois anos — movimento que colocaria a Meta na posição de fornecedora de infraestrutura para uma concorrente direta.

## A virada para os pesos abertos: Muse Glimmer e o manifesto de Zuckerberg

Em 10 de agosto de 2026, a Meta anunciou o Muse Glimmer, um modelo agêntico de 30 bilhões de parâmetros publicado sob licença permissiva Apache 2.0 e voltado a fluxos de trabalho locais e contínuos. Segundo a própria empresa, o modelo é pequeno o bastante para rodar em um Mac ou PC com uma única GPU de consumidor: a versão quantizada ocupa menos de 20 GB, o que a acomoda em placas de 24 a 32 GB de memória. O Muse Glimmer foi treinado por destilação de logits a partir das saídas do Muse Spark e é descrito como capaz de execução de tarefas de longo horizonte, chamada precisa de ferramentas, compreensão multimodal, memória de contexto longo e operação em mais de 100 idiomas.

No mesmo anúncio, a companhia informou que pretende liberar nas semanas seguintes os pesos do Muse Spark 1.2, seu modelo mais avançado, e destinar US$ 1 bilhão a um fundo para comunidades vizinhas de seus data centers nos Estados Unidos.

A promessa foi reiterada no lançamento do Muse Spark 1.3. Em 2 de setembro de 2026, ao anunciar o modelo, Zuckerberg escreveu que "a seguir vêm o 🍉 e os lançamentos de pesos abertos do Muse Spark, em breve" — o emoji de melancia é a referência pública ao Watermelon, o modelo de codinome interno que reportagens de agosto situavam para outubro.

O lançamento veio acompanhado de um texto assinado por Mark Zuckerberg e publicado pela Meta sob o título "O futuro é para todos". Nele, o executivo defende que a superinteligência seja distribuída amplamente em vez de concentrada em poucas instituições, e afirma que "se o poder da superinteligência estiver nas mãos de um pequeno número de indivíduos, empresas, governos ou da própria IA, isso naturalmente levará a resultados menos favoráveis para todos os demais". O texto trata o código aberto como "uma força positiva e importante para empoderar as pessoas e evitar a centralização" e anuncia que a Meta voltará a publicar alguns modelos abertos. Como exemplo do efeito local de seus investimentos, o manifesto cita o data center de Richland Parish, na Louisiana, cuja arrecadação de impostos permitiu bônus de US$ 50 mil a professores da região.

Zuckerberg também dirigiu o argumento a legisladores americanos, sustentando que restrições excessivas prejudicam a competitividade do país: "Laboratórios estrangeiros hoje têm várias vantagens aqui, já que os laboratórios americanos precisam cumprir muitas restrições adicionais sobre dados de treinamento". A movimentação ocorre em um cenário em que concorrentes chineses — entre eles DeepSeek, Alibaba e Moonshot — ganharam espaço justamente no segmento de modelos de pesos abertos.

## Chips próprios: a linha MTIA

Além de comprar GPUs no mercado, a Meta desenvolve aceleradores próprios para inteligência artificial, a linha MTIA (Meta Training and Inference Accelerator). Em 15 de setembro de 2026, segundo reportagem de Dina Bass para a Bloomberg, a empresa afirmou que pretende começar a implantar em seus data centers o MTIA 450 — a terceira geração do chip — no primeiro semestre de 2027, seguido de uma distribuição ampla do MTIA 500 até o fim do mesmo ano.

## Meta Quest e o Reality Labs

O Reality Labs é a divisão responsável pelos headsets Meta Quest, pelos óculos inteligentes e pelas apostas em realidade virtual e aumentada. É deficitária de forma consistente: no segundo trimestre de 2026, teve receita de US$ 431 milhões, alta de 16% na comparação anual, e prejuízo operacional de US$ 4,6 bilhões.

## Óculos Ray-Ban Meta e a disputa sobre privacidade

Os óculos inteligentes feitos em parceria com a Ray-Ban, que gravam vídeo a partir da armação, viraram alvo de restrições no Reino Unido. Em agosto de 2026, estabelecimentos britânicos passaram a proibir o uso do produto em suas dependências, entre eles os restaurantes de Jeremy King (Simpsons in the Strand, Arlington e The Park), os clubes Soho House, a rede de pubs Wetherspoons e a ATG Theatres, dona do Bristol Hippodrome, do Edinburgh Playhouse e de teatros em Londres.

A justificativa é a proteção da privacidade de clientes e funcionários e a proibição de filmagens não autorizadas. Tim Martin, presidente-executivo da Wetherspoons, afirmou que os óculos violam o código geral dos pubs ao permitir vigilância encoberta. A reação não é unânime: o chef Tom Kerridge declarou não ver problema no produto, argumentando que filmar já faz parte da vida cotidiana.

Na Alemanha, a disputa saiu do terreno civil. Em 12 de agosto de 2026, a organização de direitos digitais HateAid apresentou uma queixa-crime à Zentralstelle zur Bekämpfung der Internetkriminalität (ZIT), unidade de crimes digitais da Procuradoria-Geral de Frankfurt am Main, contra a direção da Meta, contra as marcas Ray-Ban e Oakley (do grupo EssilorLuxottica) e contra as redes varejistas Fielmann, Apollo-Optik, Mister Spex e MediaMarkt. O alvo é o Ray-Ban Meta Wayfarer de segunda geração.

A base legal invocada é a lei alemã de proteção de dados em telecomunicações e serviços digitais (TDDDG), nos § 8, parágrafo 1, e § 27, parágrafo 1, item 3, que proíbem colocar no mercado aparelhos disfarçados de objetos do cotidiano e construídos para filmar ou escutar pessoas sem que elas percebam. A HateAid sustenta que o LED de gravação não protege ninguém: é preciso olhar de perto para distinguir a versão inteligente de um Wayfarer comum, o piscar do indicador passa despercebido e há relatos de serviços que desativam a luz mantendo a gravação. A ZIT confirmou o recebimento e fará uma avaliação preliminar antes de decidir se abre investigação formal. Meta, Ray-Ban e Apollo-Optik não se manifestaram à publicação alemã heise online.

No Brasil, a cobrança partiu da sociedade civil. Em 20 de agosto de 2026, o Idec e a organização de direitos digitais Coding Rights protocolaram uma denúncia pedindo investigação conjunta do Ministério Público Federal, do Ministério da Justiça e da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) sobre os riscos à privacidade — principalmente de mulheres e crianças — criados pela venda dos óculos da Meta, fabricados em parceria com a EssilorLuxottica, grupo que controla a Ray-Ban e a Oakley. As entidades pedem também a suspensão imediata de tecnologias de reconhecimento facial ligadas ao aparelho.

O argumento é que o LED de aviso pode ser driblado quebrando a lâmpada e que o produto vem sendo usado em "crescentes episódios de gravações veladas, notadamente mulheres em consultórios médicos, em situações de assédio ou expostas sem consentimento em locais públicos". O caso concreto citado é o de Salvador, em que uma paciente denunciou um médico por usar óculos com câmera durante uma consulta ginecológica: o ginecologista foi preso em flagrante e solto após a audiência de custódia; a defesa admitiu o uso dos óculos, mas nenhuma imagem armazenada foi encontrada no aparelho, e o juiz anulou a prisão. Para as organizações, "tal episódio é exemplo de situação de vulnerabilidade das mulheres em contextos nos quais a proteção da intimidade deve ser absoluta". A denúncia também invoca reportagens do jornal sueco Svenska Dagbladet para sustentar que conteúdos enviados aos servidores da Meta podem ser revisados e rotulados por prestadores terceirizados para treinar modelos de IA.

Os pedidos são específicos: que a ANPD verifique a regularidade do tratamento e do envio de mídias de brasileiros para desenvolvimento de software e exija da empresa um relatório sobre os riscos reais a mulheres, meninas, crianças e adolescentes, em linha com o ECA Digital; que o MPF instaure inquérito contra a Meta e a EssilorLuxottica para apurar lesões transindividuais à privacidade, com eventual ação civil pública e indenização por danos morais coletivos; e que o Ministério da Justiça fiscalize o dever de informar sobre a facilidade de alterar ou ocultar o LED. Em nota à Folha de S.Paulo, a Meta afirmou que leva a privacidade em conta desde o início do desenvolvimento dos óculos e que o LED de captura "não pode ser desligado, e se alguém cobrir ou danificar o LED, a câmera é desativada", acrescentando que as pessoas usam o aparelho "para ouvir música, fazer tradução simultânea e fazer ligações com as mãos livres".

O peso do mercado ajuda a explicar o foco na empresa: segundo dados da consultoria IDC citados pelo Idec, as vendas globais de óculos inteligentes podem chegar a 13,6 milhões de unidades até o fim de 2026, com a Meta detendo 76,1% delas. Antes da denúncia, a Câmara dos Deputados já havia aprovado um projeto de lei com novas regras para os dispositivos que, se mantido pelo Senado no formato atual, proíbe o uso em banheiros, vestiários, salas de aula e outros ambientes "com expectativa de privacidade".

Nos Estados Unidos, a restrição partiu do próprio governo. Em meados de agosto de 2026, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) distribuiu um memorando interno proibindo todos os seus funcionários — não apenas os agentes de campo — de usar os óculos da Meta em serviço. O texto afirma que "o uso dos óculos da Meta ou de dispositivos semelhantes pode capturar, gravar ou transmitir informações sensíveis de forma não intencional, comprometendo potencialmente a privacidade e proteções legais". A ordem veio depois de relatos, desde março de 2026, de agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira usando o produto durante operações e protestos; um porta-voz do Departamento de Segurança Interna afirmou ao New York Times que servidores sempre estiveram proibidos de usar câmeras corporais particulares. Mesmo assim, o site 404 Media registrou um agente da CBP gravando com os óculos em uma operação já sob a nova regra.

A próxima geração do produto está no centro de um debate sobre reconhecimento facial. Em 13 de agosto de 2026 foi publicado o pedido de patente US 2026/0238876 A1, "Smart Cameras Enabled by Assistant Systems", de uma família de pedidos que remonta a 2019. O documento descreve um assistente que combina câmera com reconhecimento facial, leitura de expressões, direção do olhar e identificação de objetos: os óculos reconheceriam quem está no campo de visão, gravariam trechos curtos quando alguém rir, falar ou entrar em quadro e montariam automaticamente um resumo em vídeo do encontro — priorizando pessoas identificadas e podendo desfocar as demais. Uma patente não é um produto anunciado, mas o registro reacendeu a crítica de que a tecnologia permitiria identificar estranhos na rua sem consentimento, num país sem lei federal abrangente de privacidade biométrica. Em junho de 2026, a WIRED já havia encontrado no aplicativo Meta AI um sistema de reconhecimento facial não lançado, chamado NameTag, que a empresa classificou como "exploratório" e disse não ter decisão final antes de remover seus componentes.

Sob essa pressão, a empresa mexeu no produto. Em 28 de agosto de 2026, a Meta começou a distribuir uma atualização de software que fecha a brecha mais simples de burlar o LED: até então os óculos impediam o início de uma gravação com a luz coberta, mas nada acontecia se o usuário tapasse o indicador depois que a captura já tinha começado. Alex Himel, vice-presidente de realidade aumentada da Meta, afirmou que "a câmera agora vai parar de funcionar se a luz for coberta durante uma gravação" e que, se o LED for "coberto, adulterado fisicamente ou destruído", o aparelho desativa a câmera automaticamente. A atualização vale para as linhas Ray-Ban Meta, Oakley Meta e Meta AI glasses. Em 1º de setembro de 2026, o Semafor informou que a medida já havia atingido milhares de aparelhos: a atualização detecta o LED coberto ou destruído e desliga a câmera, e a Meta calcula que menos de 0,1% de todos os óculos vendidos foram adulterados. Alex Himel tratou o problema como permanente — "tem sido um pouco um jogo de gato e rato (…) sempre há novas formas de contornar as salvaguardas" — e a empresa passou a acompanhar a trava técnica de uma campanha em redes sociais e em outdoors para ensinar o público a reconhecer quando os óculos estão gravando. No mesmo período, o Digital Trends noticiou uma patente concedida à empresa que descreve um circuito de corte físico ("hardware privacy mute circuit") capaz de interromper a energia do sensor da câmera — uma trava de hardware, que não depende de software e por isso não pode ser contornada por atualização ou modificação do sistema. Uma patente concedida não é um produto anunciado.

O uso dos óculos para assédio também expõe os limites da moderação da própria empresa. Em meados de julho de 2026, Adam Mosseri anunciou que o Instagram passaria a remover vídeos gravados com os óculos que assediem mulheres em espaços públicos — o gênero de conteúdo de "cantada" e pegadinha que rendeu ao produto o apelido de "óculos de pervertido". Cerca de um mês depois, uma apuração de Katie Notopoulos, do Business Insider, encontrou dezenas desses vídeos ainda no ar: dos mais de 20 links enviados à Meta, a empresa removeu nove, e uma conta desativada chegou a ser reativada por engano antes de ser banida de novo. A Meta afirma ter retirado milhares de conteúdos, derrubado grandes contas e bloqueado buscas por termos como "rizz" e "cold approach", mas não divulgou o texto da política, o que deixa sem definição pública o que conta como assédio e qual é o alcance da regra.

A resposta seguinte à pressão por privacidade é um produto sem câmera. Em 15 de setembro de 2026, o The Information informou que a Meta prepara para o outono do hemisfério norte um modelo de óculos inteligentes de codinome Luna, sem lentes de captura: a interação se dá por voz, com seis microfones que dão acesso ao chatbot de IA da empresa e ao agente Muse. Segundo o Canaltech, que cita apuração do Engadget, o aparelho viria em dois estilos, Clubmaster e Burbank, com apresentação na conferência Meta Connect, marcada para 23 e 24 de setembro de 2026, e entregas previstas para outubro.

## Resultados financeiros

No segundo trimestre de 2026, a Meta registrou receita de US$ 60,8 bilhões, crescimento de 28% em um ano e acima da expectativa do mercado, de US$ 60,17 bilhões. O lucro líquido, porém, caiu 14%, para US$ 15,8 bilhões, e o lucro por ação diluído recuou 13%, para US$ 6,18 — abaixo dos US$ 7,22 projetados por analistas.

A margem operacional encolheu de 43% para 31% e os custos totais subiram 55% no ano, para US$ 42 bilhões. A queda do lucro foi atribuída principalmente a itens não recorrentes, incluindo US$ 2,4 bilhões em despesas jurídicas e US$ 1,18 bilhão em custos de rescisão.

O investimento em infraestrutura de IA explica boa parte da pressão: o capex do trimestre foi de US$ 31,08 bilhões, o fluxo de caixa livre caiu para US$ 784 milhões e a companhia elevou a projeção de investimento para 2026 à faixa de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões. Para o terceiro trimestre, a projeção de receita ficou entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões.

## O Conselho de Supervisão e os deepfakes

O Conselho de Supervisão (Oversight Board) é o órgão independente que revisa decisões de moderação da Meta e cujas determinações sobre conteúdo a empresa se comprometeu a cumprir. Em 17 de setembro de 2026, ele emitiu sua crítica mais dura até aqui às regras da companhia sobre conteúdo sintético, ao reverter duas decisões da empresa e classificar suas políticas de IA como "consistente e fundamentalmente inadequadas" diante do avanço do material gerado por inteligência artificial.

O primeiro caso envolvia um vídeo gerado por IA que punha declarações inflamadas sobre refugiados na boca de uma pessoa eleita vereadora pelo Partido Trabalhista na Escócia. O material era realista, o áudio não acompanhava os movimentos faciais e não havia qualquer rótulo indicando origem sintética; a Meta havia decidido não removê-lo depois de receber a denúncia. Para o Conselho, o vídeo violava a política de conduta de ódio e deveria ter sido removido e rotulado com destaque. A vítima descreveu o uso da própria voz replicada como "bastante traumático".

No segundo caso, uma jovem muçulmana que havia participado de uma campanha de educação sobre saúde menstrual teve trechos de sua entrevista manipulados para ridicularizá-la — num dos vídeos ela aparecia se exercitando de forma absurda e comendo besteira. O conteúdo acumulou dezenas de milhões de visualizações, e a Meta chegou a fechar automaticamente as denúncias sobre a publicação. O Conselho entendeu que o vídeo violava a política de bullying e assédio e determinou a remoção, além da aplicação das regras aos comentários — providência que a empresa só tomou depois da decisão.

As falhas apontadas foram a dependência da sinalização por "parceiros confiáveis" em vez de revisão independente, a rotulagem inconsistente do conteúdo de IA e a ausência de salvaguardas contra campanhas de assédio direcionado, que atingem de forma desproporcional mulheres com presença pública. O Conselho fez nove recomendações, entre elas baixar o limiar para aplicação do rótulo de "IA de alto risco", inserir telas de aviso antes da exibição, reduzir o alcance ou desmonetizar o conteúdo sinalizado, punir reincidentes, publicar anualmente dados sobre rotulagem, ampliar a definição de imagem manipulada não consentida para alcançar pessoas privadas e priorizar revisão humana quando houver indício de conteúdo sintético. A Meta tem 60 dias para responder; removeu os dois vídeos após as decisões, mas não havia adotado de forma substantiva as recomendações anteriores do órgão sobre rotulagem de IA.

## Controvérsias e regulação

A Meta acumula litígios e disputas regulatórias em várias frentes.

**Cambridge Analytica.** O escândalo envolveu a coleta não autorizada de dados de usuários do Facebook por terceiros e se tornou o caso emblemático das falhas de privacidade da empresa.

**Antitruste nos Estados Unidos.** Em novembro de 2025, a Justiça americana decidiu que a Meta não violou as leis antitruste e não detém monopólio no mercado analisado, encerrando a fase principal do processo movido pela FTC.

**A marca "Meta" no Brasil.** A companhia disputa no Judiciário brasileiro o direito de usar o próprio nome no país. A Meta Serviços em Informática S/A, empresa brasileira que usa a marca há mais de trinta anos e obteve o registro no INPI em 2008, acionou a dona do Facebook depois da mudança de nome de 2021. Em 28 de fevereiro de 2024, a 1ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu por unanimidade, sob relatoria do desembargador Eduardo Azuma Nishi, que a Meta Platforms tinha 30 dias para parar de usar a marca no Brasil, sob multa diária de R$ 100 mil. Em 15 de março de 2024, o desembargador Heraldo de Oliveira Silva, presidente da Seção de Direito Privado do mesmo tribunal, suspendeu os efeitos dessa decisão por ver "risco de dano irreparável ou de difícil reparação", liberando o uso da marca enquanto o mérito não é julgado. No recurso, a Meta Platforms sustentou que a Justiça estadual não teria competência para anular registro de marca, atribuição que, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça invocado pela empresa, cabe à Justiça Federal.

**O julgamento dos 29 estados na Califórnia.** A maior ação já movida contra a empresa por danos a menores chegou a júri em agosto de 2026 em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, sob a juíza Yvonne Gonzalez Rogers. Vinte e nove estados americanos acusam a Meta de desenhar o Facebook e o Instagram para induzir o uso compulsivo por adolescentes, de coletar dados de crianças menores de 13 anos e de enganar os pais sobre a segurança das plataformas. A seleção do júri começou em 12 de agosto e as alegações iniciais foram apresentadas em 18 de agosto; Mark Zuckerberg e Adam Mosseri, chefe do Instagram, estavam na lista de depoentes. O julgamento não chegou ao fim: em 26 de agosto de 2026 as partes anunciaram um acordo que encerra o processo (ver abaixo).

Na abertura, em 18 de agosto, falaram os advogados de quatro estados que lideram a coalizão — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey. A procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O'Neill, resumiu assim a acusação: a Meta teria desenhado seus produtos para "fisgar os usuários, mantê-los pelo maior tempo possível, colher seus dados e então esconder a verdade do público". Pela defesa, o advogado Paul Schmidt reconheceu que parte dos usuários enfrenta dificuldades, mas sustentou que a pesquisa disponível não estabelece relação clara entre o uso de redes sociais por adolescentes e piora do bem-estar, e que a empresa admite ter havido linguagem "solta" em comunicações internas sem que isso descreva o produto. Entre as mudanças pedidas pelos estados estão o fim das curtidas e da rolagem infinita, limites de tempo por faixa etária e barreiras efetivas ao acesso de menores de 13 anos.

A cifra de US$ 1,4 trilhão citada como exposição máxima é uma estimativa da própria Meta, obtida somando as sanções previstas para cada violação das leis de proteção ao consumidor e de privacidade; a empresa contesta o método, alegando que ele conta o mesmo adolescente várias vezes. A defesa também sustenta que o "vício em redes sociais" não é um diagnóstico psiquiátrico reconhecido. Além de multas, os estados pedem mudanças nos produtos: restrições por idade, limites rígidos de tempo de uso para menores, fim da rolagem infinita e corte das notificações constantes.

O primeiro depoente de peso foi Arturo Béjar, em 19 de agosto. Diretor de engenharia da Meta entre 2009 e 2015 e depois consultor independente sobre o bem-estar de adolescentes no Instagram, entre 2019 e 2021, ele afirmou que a empresa premiava funcionários por métricas de engajamento — como as "interações sociais significativas" e os usuários ativos diários — em detrimento da segurança, e que a cultura de decisão vinha de cima: "Se o Mark faz de algo uma prioridade, montanhas se movem em meses". Béjar disse ter levado a Zuckerberg e a outros executivos estudos internos que documentavam a exposição de menores a conteúdo sexual e violento sem ver ação correspondente, e classificou de "projetadas para falhar" ferramentas de segurança como o lembrete de pausa e o "modo silencioso", por serem opcionais em vez de padrão. Sobre as declarações públicas do fundador em 2021, afirmou: "É tão falso, cada parte disso. Você simplesmente não pode confiar no Mark Zuckerberg com crianças". No contra-interrogatório, o advogado da Meta Brian Stekloff destacou que Béjar desconhecia problemas enfrentados pela própria filha adolescente no Instagram e o levou a reconhecer que a empresa emprega centenas de profissionais dedicados à segurança.

Adam Mosseri, chefe do Instagram, depôs em 25 e 26 de agosto e viu a acusação transformar uma das ferramentas de segurança da empresa em prova contra ela. Interrogado por Jason Slothouber, advogado do Colorado, Mosseri reconheceu que a adesão ao "Faça uma Pausa" — o recurso que sugere ao adolescente fechar o aplicativo depois de certo tempo de uso — ficava "na casa de um dígito" antes de a ferramenta passar a vir ligada por padrão nas Contas de Adolescente, lançadas em 2024; um documento interno admitido como prova registrou 1,8% dos adolescentes usando o recurso. Ele confirmou que a companhia nunca divulgou publicamente esse número e que, à época, não havia como um pai ou uma mãe saber que apenas 1% a 2% dos adolescentes usariam a ferramenta. Em um post de dezembro de 2021, Mosseri havia afirmado que mais de 90% dos adolescentes que ativaram o recurso o mantiveram ligado — percentual que contava apenas quem já o tinha habilitado manualmente. No depoimento, resumiu a decisão assim: "A maioria dos adolescentes não queria. Decidimos seguir em frente mesmo assim."

**O acordo de US$ 18 bilhões.** Em 26 de agosto de 2026, com o julgamento em curso, a Meta e os procuradores-gerais anunciaram um acordo que encerra o processo antes do veredicto: a empresa pagará até US$ 18 bilhões ao longo de dez anos, valor que os estados destinarão a iniciativas de saúde mental e de tratamento da dependência de redes sociais entre menores. Cerca de US$ 5,3 bilhões — 30% do total — só serão desembolsados se YouTube e TikTok adotarem medidas equivalentes: limite diário de uma hora, modo noturno e verificação de idade. É a maior quantia já paga pela empresa em um litígio de segurança infantil. Segundo a Al Jazeera, a adesão foi além dos 29 estados autores e alcançou 48 estados, o Distrito de Columbia, Porto Rico, Samoa Americana e as Ilhas Marianas do Norte; a coalizão bipartidária é liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.

A contrapartida em produto vale para Facebook e Instagram e é o que muda para o usuário: limite padrão de duas horas diárias somadas nos dois aplicativos para menores de 18 anos, que só pode ser afrouxado por um dos pais, com avisos aos 60 e aos 90 minutos; um "modo noturno" que bloqueia o acesso entre meia-noite e 6h; um "modo escola" que silencia notificações entre 8h e 15h; contagem de curtidas oculta nas contas de adolescentes; bloqueio por padrão de filtros que simulam maquiagem pesada e procedimentos estéticos; supervisão parental ampliada sobre tempo de uso, contatos e mensagens; e tecnologia mais estrita de verificação de idade para barrar menores de 13 anos. As obrigações valem por cinco anos e podem se estender a dez caso as plataformas concorrentes adotem regras equivalentes. O cronograma começa a correr depois da homologação judicial: quatro meses para os feeds não personalizados de adolescentes, seis meses para as demais medidas e um ano para os requisitos de verificação de idade.

**A investigação na Índia.** Em julho de 2026, o Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação (MeitY) notificou a Meta sobre anúncios pagos no Instagram ligados a material de abuso e exploração sexual infantil, apontados por uma reportagem do BBC Eye que identificou peças usando termos associados a abuso sexual de crianças e direcionando usuários a canais no Telegram. Em 3 de julho de 2026, a Comissão Nacional de Proteção dos Direitos da Criança (NCPCR) abriu apuração de ofício e, em 16 de setembro de 2026, intimou o diretor-gerente e chefe da Meta na Índia a depor. O governo indiano passou a contestar o enquadramento da empresa como mera intermediária: para fontes oficiais, uma companhia cujos algoritmos amplificam e decidem o que cada usuário vê é prestadora de serviço, não intermediária passiva — tese que, se acolhida, alcança a proteção de safe harbour e cuja palavra final cabe ao Judiciário indiano. A Meta concordou em reportar casos de segurança infantil diretamente ao I4C, o portal de cibercrime do país, tornando-se a primeira grande intermediária de tecnologia a abrir esse canal direto com as autoridades indianas.

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