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title: "Huawei"
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updated: 2026-09-08T11:58:50.021+00:00
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Huawei

A Huawei é uma gigante chinesa de telecomunicações e eletrônicos, reconhecida por sua liderança em infraestrutura de rede, dispositivos móveis e semicondutores. Apesar de enfrentar severas sanções dos Estados Unidos desde 2019, que limitaram seu acesso a tecnologias ocidentais, a empresa mantém forte presença global e lidera o mercado chinês de dobráveis. Atualmente, a Huawei investe no desenvolvimento de seu próprio sistema operacional, o HarmonyOS, e na produção doméstica de chips e equipamentos de litografia.

## O que é a Huawei

A Huawei Technologies Co. Ltd. é uma empresa chinesa de telecomunicações e eletrônicos com sede em Longgang, no distrito de Shenzhen, província de Guangdong. Foi fundada em setembro de 1987 por Ren Zhengfei, ex-oficial do Exército de Libertação Popular. Em 2025 empregava cerca de 213 mil pessoas e registrou receita de 880,9 bilhões de yuans (cerca de US$ 126 bilhões).

O negócio se divide entre equipamentos de rede para operadoras — que responderam por aproximadamente metade da receita em 2023 —, aparelhos de consumo (celulares, relógios, fones, tablets), serviços de nuvem e semicondutores. A empresa é uma das maiores investidoras em pesquisa e desenvolvimento do mundo e foi a maior depositante de pedidos de patente pelo Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT) por oito anos consecutivos, com 6.600 pedidos em 2024.

## Quem é o dono da Huawei

A Huawei não tem ações negociadas em bolsa. Ren Zhengfei detém cerca de 1% do capital da holding; o restante é formalmente mantido por um comitê sindical que diz representar os funcionários acionistas. Cerca de metade do quadro participa de um programa de "ações restritas virtuais", papéis que não podem ser negociados e cujo retorno depende do desempenho da empresa.

Essa estrutura é objeto de disputa acadêmica e política: pesquisadores divergem sobre se ela configura propriedade real dos empregados ou se cria um canal de influência estatal. A ausência de acionistas externos e de balanços auditados nos padrões de bolsa é o argumento central usado por governos que restringem a empresa em redes sensíveis.

## Celulares e dobráveis

A Huawei lidera o segmento de celulares dobráveis na China, com 68% das remessas do país no segundo trimestre de 2026, segundo a Smart Analytics Global. No mercado chinês de smartphones como um todo, ficou com 22,6% no mesmo trimestre, à frente da Apple (18,1%) e da Xiaomi (12,4%).

Em 7 de setembro de 2026, a empresa apresentou o Mate XT2, sucessor do primeiro celular do mundo com duas dobras. O aparelho tem tela de 6,5 polegadas fechado e 10,2 polegadas em resolução 3K quando aberto, roda o chip Kirin 9050 Pro e, segundo medições da própria Huawei, entrega desempenho 42% superior ao da geração anterior. É também o primeiro dobrável com uma camada de privacidade integrada à tela, que impede que pessoas ao lado vejam o conteúdo. As vendas começaram em 12 de setembro, a partir de 19.999 yuans (cerca de US$ 2.980); a versão de 1 TB com o recurso de privacidade parte de 24.999 yuans (cerca de US$ 3.725). O executivo Richard Yu atribuiu os preços à alta acentuada no custo de memória e ao conjunto de tecnologias novas embarcadas.

## Relógios, pulseiras e fones

Os dispositivos de pulso são hoje uma das linhas mais fortes da empresa. Segundo a IDC, a Huawei liderou o mercado chinês de dispositivos de pulso em 2025 com 34% das remessas — posição que ocupa desde 2021 — e alternou entre a liderança e o pelotão de frente do mercado global de wearables ao longo de 2025 e 2026, com participações relatadas em torno de 20%.

O portfólio se organiza em famílias: os relógios Watch GT e Watch Fit, as pulseiras Band, os fones FreeBuds e os tablets MatePad. Diferentemente dos celulares, esses produtos continuaram a ser vendidos fora da China durante todo o período de sanções, porque dependem menos de semicondutores de ponta e de serviços do Google.

## HarmonyOS

O HarmonyOS é o sistema operacional próprio da Huawei, criado depois que as sanções norte-americanas cortaram o acesso da empresa aos serviços do Google no Android. Em junho de 2024, a companhia informou que o sistema estava instalado em mais de 900 milhões de dispositivos.

O sistema roda em celulares, tablets, relógios, televisores e produtos de casa conectada, e é a base pela qual a Huawei sustenta um ecossistema de aplicativos independente da Play Store fora do alcance das restrições dos Estados Unidos.

## Chips: HiSilicon, Kirin e Ascend

A HiSilicon é a subsidiária de projeto de semicondutores integralmente controlada pela Huawei. É dela a linha Kirin, usada nos celulares da marca — incluindo o Kirin 9050 Pro do Mate XT2 —, e a linha Ascend de aceleradores para inteligência artificial, lançada em 2018.

O Ascend 910C, cuja produção em massa foi programada para o primeiro trimestre de 2025, tornou-se o principal chip chinês oferecido como alternativa aos aceleradores norte-americanos em projetos de IA. Em setembro de 2026, a Malásia passou a avaliar o uso desses chips em um programa de IA soberana de 2 bilhões de ringgits, que seria operado pela Telekom Malaysia, empresa ligada ao Estado e já parceira da Huawei em infraestrutura de nuvem. Washington advertiu que o emprego do 910C pode violar seus controles de exportação; o governo malaio não fechou decisão. Um plano semelhante, anunciado em maio de 2025 para instalar cerca de 3 mil chips Ascend no país, chegou a ser recuado publicamente na época.

## Máquinas de litografia e a corrida por equipamentos

O gargalo do setor chinês de chips não é o projeto, mas o equipamento de fabricação. Em 2026, a China iniciou a produção em série de máquinas domésticas de litografia ultravioleta profunda por imersão (DUV), etapa até então dependente da holandesa ASML.

A fabricação está a cargo da Shanghai Aishengna Electronic Technology Group, estatal que incorporou equipes da Yuliangsheng — ligada à SiCarrier, fabricante de equipamentos apoiada pela Huawei — e da Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE). As primeiras unidades devem ser entregues ainda em 2026 à SMIC, à Hua Hong Semiconductor e à fabricante de memórias CXMT.

A escala é pequena diante do incumbente: a previsão é de cerca de cinco máquinas em 2026 e cerca de 20 em 2027, enquanto a ASML reconheceu receita sobre 279 sistemas DUV em 2025, dos quais 47% eram de imersão. A ASML e a TSMC também seguem à frente em litografia EUV, rendimento de fabricação e nos processos mais avançados.

## Sanções dos Estados Unidos

Em maio de 2019, o governo dos Estados Unidos incluiu a Huawei na Entity List, lista que restringe o fornecimento de tecnologia norte-americana à empresa. Em 2020, a medida foi ampliada pela Foreign Direct Product Rule, que estendeu a restrição a chips fabricados no exterior com equipamentos ou softwares de origem americana — o golpe que efetivamente cortou o acesso da empresa às fundições de ponta.

Em novembro de 2022, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) proibiu a venda e a importação de novos equipamentos da Huawei nos Estados Unidos. O conjunto de medidas derrubou a participação da empresa no mercado global de celulares e a empurrou para o desenvolvimento de sistema operacional, chips e cadeia de equipamentos próprios.

## Caso Meng Wanzhou

Meng Wanzhou, diretora financeira e vice-presidente do conselho da Huawei e filha de Ren Zhengfei, foi presa no Canadá em dezembro de 2018 a pedido dos Estados Unidos, que a acusavam de fraude bancária ligada a negócios da empresa no Irã.

Ela passou quase três anos em prisão domiciliar em Vancouver enquanto corria o processo de extradição e foi liberada em setembro de 2021, após um acordo com a promotoria norte-americana. O episódio marcou o ponto mais tenso da disputa entre Washington e Pequim em torno da empresa.

## Huawei no Brasil e o 5G

A Huawei atua no Brasil desde 1999. Anunciou uma fábrica em Campinas (SP) em março de 2001, montagem local de smartphones a partir de agosto de 2013 e um centro de distribuição em Sorocaba (SP) em maio de 2012, com investimento de R$ 123 milhões.

No 5G, o governo federal optou por não barrar a empresa. A portaria publicada em janeiro de 2021 permitiu a participação da Huawei no leilão das faixas de 5G, mas previu a construção de uma rede privativa e de alta segurança para as comunicações da administração pública federal, com exigências próprias de governança e transparência para quem fornecesse equipamento a ela.

Em março de 2021, o então ministro das Comunicações, Fabio Faria, afirmou que a Huawei não preenchia os requisitos para participar dessa rede privativa e que precisaria alterar sua estrutura acionária para se qualificar. Segundo ele, a rede atenderia também o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, com o objetivo de proteger informações sensíveis.

## Notícias recentes

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