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title: "Horacio Cartes"
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updated: 2026-11-06T23:34:32.716+00:00
categories: ["world", "politics", "business"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Horacio Cartes

Horacio Cartes é um empresário paraguaio do tabaco e do setor bancário, presidente do Paraguai de 2013 a 2018 e presidente do Partido Colorado desde 2023. Os EUA o sancionaram por corrupção em 2022 e 2023, e a OFAC o retirou da lista em 6 de outubro de 2025. Na crise do Ueno Bank, o partido, em comunicado assinado por ele, apoiou a destituição de Santiago Peña, que ele ajudou a eleger. O Senado destituiu Peña em 6 de novembro de 2026.

## Quem é Horacio Cartes

Horacio Cartes é um empresário e político paraguaio, presidente do Paraguai de 2013 a 2018 e presidente do Partido Colorado desde 10 de janeiro de 2023. Nascido em Assunção em 5 de julho de 1956, formou um conglomerado de tabaco, bebidas, carne e banco, e é a figura central do cartismo, a corrente que comanda o partido do governo por meio do movimento Honor Colorado. Em novembro de 2026, rompeu com o presidente [Santiago Peña](/topics/santiago-pena), que havia ajudado a eleger, e apoiou o juicio político que o destituiu em 6 de novembro, na crise do [Ueno Bank](/topics/ueno-bank).

Os Estados Unidos o sancionaram por corrupção em 2022 e 2023 e retiraram as sanções financeiras em 6 de outubro de 2025. Cartes nega as acusações.

## Cartes e a crise do Ueno Bank

A crise abriu o rompimento público com Peña. Em 4 de novembro de 2026, Cartes publicou uma carta ao presidente: pediu que agisse "com urgência" e encerrou com "que não haja impunidade para ninguém". No mesmo dia, um segundo comunicado disse que "hoje não fazem falta discursos nem promessas vazias". Fontes do partido disseram à La Política Online que a carta abria a porta ao apoio das bancadas coloradas à destituição.

Em 5 de novembro, a Associação Nacional Republicana (ANR), nome oficial do Partido Colorado, divulgou comunicado assinado por Cartes: "A ANR não apoiará o roubo de fundos públicos, privados e de pensões. Respaldamos a moção de destituição contra o presidente Santiago Peña com o objetivo de restaurar a institucionalidade da República". No mesmo dia, a Câmara aprovou a acusação com 78 votos e rejeitou a acusação contra o vice, [Pedro Alliana](/topics/pedro-alliana). Peña anunciou a renúncia, e o Congresso não a aceitou. Em 6 de novembro, o Senado destituiu Peña por 44 votos, com os 25 senadores colorados (BBC, Clarín), e Alliana tomou posse como presidente. O vice eleito na mesma noite é [Antonio Barrios](/topics/antonio-barrios), que foi médico de Cartes e ministro da Saúde no governo dele. A Última Hora o descreve como homem de confiança de Cartes. Peña foi detido em casa por ordem dos promotores. Alliana esteve com Cartes na sede do partido em 5 de novembro para tratar da sucessão, segundo a ABC Color.

**A ligação com o banco.** Não há acusação formal contra Cartes no caso. O elo apontado pela imprensa paraguaia é indireto. Pessoas do grupo dele, como Juan Carlos López Moreira e Francisco Barriocanal, apareceram entre os acionistas de classe K do grupo do banco, ao lado de Peña, segundo o El Prisma e a La Política Online. O Banco Basa, ligado à família Cartes, foi concorrente do Ueno nos depósitos públicos e perdeu 24,4% das aplicações do Instituto de Previsão Social entre agosto de 2023 e agosto de 2026, segundo o El Parámetro.

## As sanções dos Estados Unidos e a situação hoje

As sanções vieram em duas etapas e caíram em 2025.

- **22 de julho de 2022:** o Departamento de Estado, sob Antony Blinken, designou Cartes como "significativamente corrupto", com base na Seção 7031(c), o que revogou a visa dele e impediu a entrada dos filhos adultos nos EUA. Segundo o comunicado, ele obstruiu uma grande investigação internacional sobre crime transnacional.
- **26 de janeiro de 2023:** o Tesouro, por meio da OFAC, incluiu-o na lista de sancionados, com base na lei Magnitsky Global. Também sancionou Tabacos USA, Bebidas USA, Dominicana Acquisition e Frigorífico Chajha. O Tesouro afirmou que ele pagou até US$ 10 mil a filiados do partido por apoio à candidatura e subornos mensais de US$ 5 mil a US$ 50 mil a legisladores, e que prometeu US$ 1 milhão para comprar votos pela reeleição em 2017.
- **24 de março de 2023:** por causa das sanções, Cartes anunciou que deixava o Grupo Cartes.
- **Depois:** a Tabacalera del Este (Tabesa) também entrou na lista.
- **6 de outubro de 2025:** a OFAC retirou Cartes e as empresas da lista. Ele disse que "hoje meu nome foi limpo" e agradeceu ao governo de Donald Trump. A embaixada americana em Assunção disse que as sanções já não eram necessárias "para incentivar mudanças de comportamento". A OFAC não o declarou inocente nem refutou as acusações de 2023.
- **Julho de 2026:** ele voltou aos Estados Unidos, no que o El Nacional descreve como a primeira viagem conhecida desde a revogação da visa, recebido pelo embaixador Gustavo Leite.

Hoje não há sanção financeira da OFAC sobre ele. Sobre a designação de 2022, o quadro público é menos claro: no dia seguinte à retirada, a embaixada falou em dispensa da restrição de visa, e não foi divulgada uma decisão detalhada do Departamento de Estado que encerre a designação.

## O empresário: Grupo Cartes, tabaco e banco

Cartes é filho de Ramón Telmo Cartes, representante da Cessna no Paraguai, e estudou mecânica de aviação nos Estados Unidos. O negócio financeiro começou com a Cambios Amambay, de 1989, que em 1992 virou o Banco Amambay, hoje Banco Basa. Um relatório da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro do Paraguai (Seprelad) cita como sócio fundador o doleiro brasileiro Dario Messer.

Em 1994, Cartes entrou na Tabacalera del Este (Tabesa), a maior fabricante de cigarros do país. Depois vieram bebidas (Bebidas del Paraguay, dona de marcas como Pulp), pecuária e frigorífico (Chajha) e outras áreas, num grupo de cerca de duas dezenas de empresas. Declarou patrimônio de US$ 490 milhões em 2021. Presidiu o Club Libertad a partir de 2001 e dirigiu as seleções da Associação Paraguaia de Futebol nas eliminatórias da Copa de 2010.

## Presidente do Paraguai (2013-2018)

Cartes filiou-se ao Partido Colorado só em setembro de 2009. Em janeiro de 2011, uma convenção mudou o estatuto que exigia dez anos de filiação para disputar a Presidência, e isso o habilitou. Em 21 de abril de 2013, venceu com 45,83% dos votos, contra 37,09% de Efraín Alegre, e devolveu o poder aos colorados. Tomou posse em 15 de agosto de 2013 e prometeu uma guerra contra a pobreza.

O governo aprovou leis de responsabilidade fiscal e de parcerias público-privadas. Em 2015, Peña tornou-se ministro da Fazenda dele, até 2017. A maior crise veio em março de 2017, com a emenda que permitiria a reeleição: manifestantes queimaram parte do Congresso, e o jovem liberal Rodrigo Quintana morreu. Cartes desistiu de concorrer de novo. Em maio de 2018, levou a embaixada paraguaia em Israel para Jerusalém, decisão que o sucessor reverteu em setembro.

Em 28 de maio de 2018, apresentou renúncia para assumir uma cadeira no Senado, mas a retirou em 26 de junho, sem consenso para aceitá-la. Concluiu o mandato em 15 de agosto de 2018 e foi sucedido por Mario Abdo Benítez, seu adversário interno.

## Partido Colorado e Honor Colorado

Cartes foi cofundador do movimento Honor Colorado, em novembro de 2010. Pedro Alliana presidiu o partido com o apoio dele de 2016 a janeiro de 2023, quando Cartes assumiu o cargo. Em 2023, o grupo elegeu a chapa Peña e Alliana.

Em outubro de 2026, a disputa pela candidatura presidencial de 2028 dividiu o movimento. Cartes comunicou a Alliana, em 13 de outubro, que ele não seria mais o candidato e passou a apoiar o ministro Juan Carlos Baruja, que desistiu em 18 de outubro. Os 15 governadores colorados ficaram com Alliana.

## Investigações e polêmicas

- **Câmbio:** nos anos 1980, foi processado por fraude cambial contra o Banco Central e chegou a ser preso; a Corte Suprema encerrou o caso em 2008.
- **Avião em 2000:** a polícia antidrogas apreendeu um avião com droga em uma fazenda dele. Cartes negou envolvimento e disse que o avião fez um pouso de emergência.
- **DEA:** um telegrama diplomático de 2010, divulgado pelo WikiLeaks, citou uma investigação da agência americana sobre lavagem de dinheiro em torno dele.
- **Caso Messer:** em novembro de 2019, a Justiça brasileira ordenou a prisão preventiva dele numa investigação ligada à Lava Jato e a Dario Messer, citado como "irmão de alma" dele pelo então ministro do Interior. O Superior Tribunal de Justiça confirmou depois um habeas corpus a favor dele.
- **Lavagem e cigarros:** em 2022, o ministro do Interior Arnaldo Giuzzio o denunciou à Seprelad, e um relatório do órgão descreveu suspeita de contrabando de cigarros da Tabesa. Não há condenação nesse caso.
- **Declarações:** na campanha de 2013, comparou gays a macacos. Em 2018, respondeu "balas de borracha" sobre protestos e depois pediu desculpas.

## Saúde e vida pessoal

Em 26 de fevereiro de 2026, foi internado de urgência em Assunção, depois de convulsões, e saiu quatro dias depois com um marca-passo. Foi casado com María Montaña, de quem se divorciou em 2005, e tem três filhos: Juan Pablo, Sofía e María Sol.

## Linha do tempo

- **5 de julho de 1956:** nasce em Assunção.
- **1989:** nasce a Cambios Amambay, depois Banco Amambay.
- **2009:** filia-se ao Partido Colorado.
- **21 de abril de 2013:** é eleito presidente.
- **Março de 2017:** a tentativa de reeleição termina com o Congresso em chamas e um morto.
- **15 de agosto de 2018:** deixa a Presidência.
- **22 de julho de 2022:** os EUA o designam "significativamente corrupto".
- **10 de janeiro de 2023:** assume a presidência do Partido Colorado.
- **26 de janeiro de 2023:** a OFAC o sanciona.
- **6 de outubro de 2025:** a OFAC o retira da lista.
- **13 de outubro de 2026:** retira o apoio à candidatura de Alliana em 2028.
- **5 de novembro de 2026:** o partido, em comunicado assinado por ele, apoia a destituição de Peña.
- **6 de novembro de 2026:** o Senado destitui Peña por 44 votos, com os 25 senadores colorados (Clarín), e Pedro Alliana assume, com Antonio Barrios de vice.

## Notícias recentes

- [Senado do Paraguai julga Santiago Peña nesta sexta; renúncia anunciada não foi votada e ele segue presidente](https://dailyjournal.news/news/2026-11-05/oposicao-pede-impeachment-de-santiago-pena-apos-crise-no-banco-ueno) (2026-11-05)

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