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title: "Guerra Civil Síria"
url: https://dailyjournal.news/topics/guerra-civil-siria
updated: 2026-08-12T15:44:42.865+00:00
categories: ["world", "politics"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Guerra Civil Síria

A Guerra Civil Síria foi um conflito armado de quase 14 anos que opôs o regime de Bashar al-Assad a diversos grupos rebeldes, resultando em centenas de milhares de mortes e milhões de deslocados. Iniciado em 2011 após protestos da Primavera Árabe, o conflito terminou em dezembro de 2024 com a queda de Damasco e a fuga de Assad para a Rússia. Atualmente, o país enfrenta instabilidade com tensões regionais e a consolidação de um novo governo sob a liderança de Ahmed al-Sharaa.

## O que foi a Guerra Civil Síria

A Guerra Civil Síria foi o conflito armado que opôs o regime de Bashar al-Assad a uma constelação de grupos opositores, milícias étnicas e organizações jihadistas entre 2011 e 2024. Começou como uma onda de protestos de rua contra a ditadura da família Assad, no contexto da Primavera Árabe, e se transformou em uma guerra de quase 14 anos com intervenção direta de potências estrangeiras — Rússia, Irã, Turquia e Estados Unidos, entre outras.

O conflito terminou em 8 de dezembro de 2024, quando uma ofensiva relâmpago liderada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) tomou Damasco e derrubou o regime, encerrando 53 anos de poder da família Assad, iniciado com Hafez al-Assad em 1971. Bashar al-Assad fugiu para a Rússia, onde recebeu asilo político.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha passou a classificar formalmente a situação como guerra civil em 2012.

## Quando começou e quando terminou

* **Início:** os primeiros protestos ocorreram em janeiro de 2011, e a data mais usada para o início da fase armada é **15 de março de 2011**, após a repressão às manifestações na cidade de Daraa, no sul do país.
* **Fim:** **8 de dezembro de 2024**, com a queda de Damasco e a fuga de Assad.

A guerra durou, portanto, cerca de 13 anos e nove meses. É comum encontrar a referência a "14 anos de conflito" em decisões judiciais e na cobertura da imprensa.

## Causas e origem do conflito

O estopim foi a repressão violenta aos protestos de 2011, inspirados nos levantes da Primavera Árabe que derrubaram governos na Tunísia, no Egito e na Líbia. As causas de fundo apontadas incluem:

* **Ditadura hereditária:** a família Assad governava a Síria desde 1971, sob estado de emergência decretado em 1962 — suspenso apenas em abril de 2011, já sob pressão das ruas.
* **Corrupção e desemprego**, agravados pela concentração de renda em torno do círculo do regime.
* **Divisões sectárias**, com uma elite alauíta no comando de um país de maioria sunita.
* **Crise agrícola**, provocada por secas severas que empurraram populações rurais para as periferias urbanas na década anterior ao conflito.

A repressão em Daraa é o marco simbólico da escalada: a prisão e tortura de adolescentes que picharam palavras de ordem contra o regime desencadeou os primeiros confrontos violentos.

## Quantas pessoas morreram

Não existe um número consensual. As estimativas mais citadas:

* O **Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH)** contabiliza entre **580 mil e 656 mil mortos** ao longo de todo o conflito, dos quais entre 219 mil e 307 mil civis.
* Agências internacionais de notícias costumam trabalhar com a cifra arredondada de **cerca de 500 mil mortos**.
* Pelo lado do governo, o OSDH registra 176.329 combatentes mortos; entre os rebeldes, aproximadamente 166 mil.

O deslocamento populacional foi ainda maior que o número de mortos: **6,7 milhões de deslocados internos** e **6,6 milhões de refugiados** no exterior, sobretudo na Turquia, no Líbano, na Jordânia e na Europa.

## Países e grupos envolvidos

**Ao lado do regime de Assad:**
* Forças Armadas da Síria
* Irã, com presença militar direta
* Rússia, cuja intervenção aérea a partir de 2015 foi decisiva para a sobrevivência do regime naquele período
* Hezbollah, milícia libanesa aliada de Teerã

**Na oposição:**
* Exército Livre Sírio (ELS), a primeira coalizão armada de desertores e civis
* Hayat Tahrir al-Sham (HTS), grupo islamista que liderou a ofensiva final de 2024
* Forças Democráticas Sírias (FDS), coalizão de maioria curda que controla boa parte do nordeste
* Jaysh al-Islam e outras facções regionais

**Apoiadores externos da oposição:** Turquia, Arábia Saudita, Catar, Estados Unidos (sobretudo entre 2011 e 2017), França e, pontualmente, Israel.

**À parte dos dois lados:** o **Estado Islâmico (EI)**, que proclamou um califado em junho de 2014 sobre territórios da Síria e do Iraque e combateu tanto o regime quanto os demais grupos rebeldes. Uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos passou a bombardear posições do EI a partir de 2014.

## Armas químicas

O uso de armas químicas é um dos capítulos mais graves do conflito. O episódio mais letal ocorreu em **21 de agosto de 2013**, quando um ataque com o agente neurotóxico **sarin** atingiu a região de Ghouta, nos subúrbios de Damasco. As estimativas de mortos variaram enormemente conforme a fonte: pelo menos 281 segundo a França, 350 segundo o Reino Unido, 355 segundo Médicos Sem Fronteiras e 1.429 segundo os Estados Unidos.

Governos ocidentais e árabes responsabilizaram as forças de Assad; a Rússia sustentou a tese de uma operação de bandeira falsa da oposição. Em **setembro de 2013**, sob ameaça de intervenção militar americana, a Síria anunciou sua adesão à Convenção sobre Armas Químicas e o compromisso de destruir seu arsenal, sob supervisão da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

## Linha do tempo

* **Janeiro–março de 2011:** primeiros protestos; repressão em Daraa marca o início da fase armada em 15 de março.
* **Abril de 2011:** o governo suspende o estado de emergência vigente havia 48 anos.
* **2012:** a Cruz Vermelha classifica o conflito como guerra civil.
* **21 de agosto de 2013:** ataque com sarin em Ghouta.
* **Setembro de 2013:** Síria adere à Convenção sobre Armas Químicas.
* **Junho de 2014:** Estado Islâmico proclama o califado.
* **2015:** intervenção militar russa em apoio a Assad.
* **Novembro de 2024:** ofensiva rebelde liderada pelo HTS, ao lado do Exército Nacional Sírio e da Sala de Operações do Sul, avança pelo noroeste do país.
* **8 de dezembro de 2024:** queda de Damasco; Assad foge para a Rússia; fim do regime.
* **29 de janeiro de 2025:** Ahmed al-Sharaa assume como presidente interino.
* **6 a 12 de março de 2025:** confrontos e massacres na região costeira de maioria alauíta.
* **12 a 21 de julho de 2025:** confrontos em Sweida entre milícias drusas, tribos beduínas e forças do governo.
* **11 de agosto de 2026:** tribunal de Damasco condena Bashar al-Assad à morte à revelia.

## A queda de Assad

A ofensiva que encerrou a guerra começou em novembro de 2024 e durou menos de duas semanas. Três forças a conduziram: o Hayat Tahrir al-Sham, o Exército Nacional Sírio (SNA) e a Sala de Operações do Sul. Os rebeldes tomaram Aleppo, Hama e Homs em sequência rápida, com resistência mínima de um exército desmoralizado e sem o suporte que Rússia e Irã haviam fornecido em fases anteriores.

Em 8 de dezembro de 2024, com o avanço sobre Damasco, Assad deixou o país de avião rumo à Rússia, onde já estava sua família e onde obteve asilo. **Ahmed al-Sharaa**, líder do HTS, tornou-se o dirigente de fato do país à frente de um governo interino e assumiu formalmente como presidente interino em 29 de janeiro de 2025, para um período de transição de cinco anos previsto na Declaração Constitucional.

## A guerra civil já acabou? A situação atual

O conflito entre o regime e a oposição acabou em dezembro de 2024, mas a Síria não voltou à estabilidade. Três frentes seguem abertas em 2026:

**A costa alauíta.** Entre 6 e 12 de março de 2025, insurgentes leais a Assad atacaram forças do novo governo em Latakia e Tartus. Na contraofensiva, ocorreram matanças de civis alauítas: o OSDH registrou cerca de 1.700 civis mortos no período, além de 315 agentes de segurança e 200 insurgentes. Um comitê de apuração formado meses depois não responsabilizou os autores.

**Sweida e os drusos.** Em 12 de julho de 2025, um incidente em um posto de controle deflagrou confrontos entre milícias ligadas ao xeque Hikmat al-Hijri, líder espiritual druso, e combatentes beduínos. O governo entrou na disputa em 14 de julho; Israel bombardeou alvos em Damasco, incluindo a sede do Ministério da Defesa, alegando proteger a minoria drusa. Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 16 de julho levou à retirada das forças do governo, devolvendo o controle da província às estruturas drusas. A Human Rights Watch documentou saques, incêndios de casas e execuções sumárias, e um registro hospitalar com 306 mortos, entre eles ao menos 23 crianças; a ONU contabilizou mais de 93 mil deslocados. Desde então, Sweida opera com autonomia informal, e a possibilidade de uma nova incursão de Damasco segue como temor local.

**O nordeste curdo.** As Forças Democráticas Sírias mantêm administração própria em boa parte do nordeste. Um acordo de integração às novas instituições estatais, assinado em março de 2025, ficou paralisado e deu lugar a novos confrontos.

No plano institucional, o Conselho de Segurança da ONU retirou sanções sobre al-Sharaa e integrantes do governo, e a União Europeia passou a suspender gradualmente as suas, condicionando o processo a garantias para minorias e direitos humanos. Um parlamento foi formado por meio de eleições indiretas realizadas entre outubro de 2025 e maio de 2026, com um terço das cadeiras preenchido por indicação presidencial em julho de 2026.

## O julgamento de Bashar al-Assad

Em **11 de agosto de 2026**, a Quarta Corte Criminal de Damasco condenou Bashar al-Assad à morte, à revelia, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Segundo o tribunal, testemunhas confirmaram que ele era a autoridade última por trás dos crimes e que usou os instrumentos do Estado sírio para executá-los. As acusações incluem ordenar o assassinato de civis, entre eles crianças, além de tortura e detenção ilegal.

Receberam a mesma pena seu irmão mais novo, **Maher al-Assad**, também julgado à revelia, e o primo materno **Atef Najib**, este presente ao julgamento e acusado de comandar a repressão em Daraa em 2011. Bashar e Maher estão na Rússia desde dezembro de 2024, e a Rússia não indicou disposição de extraditá-los — o que torna as sentenças, na prática, simbólicas.

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