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title: "Eliezer Batista"
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updated: 2026-10-02T23:01:27.836061+00:00
categories: ["brazil", "politics", "business"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Eliezer Batista

Eliezer Batista (1924–2018) foi o engenheiro mineiro que presidiu duas vezes a Vale do Rio Doce (1961–1964 e 1979–1986), idealizou o Porto de Tubarão e o modelo mina-ferrovia-porto que levou o minério brasileiro ao Japão e comandou a implantação de Carajás. Foi ministro de Minas e Energia de João Goulart e secretário de Assuntos Estratégicos de Collor. Pai de Eike Batista, morreu no Rio em 18 de junho de 2018, aos 94 anos.

## Quem foi Eliezer Batista

Eliezer Batista da Silva (Nova Era, MG, 4 de maio de 1924 – Rio de Janeiro, 18 de junho de 2018) foi um engenheiro e executivo brasileiro que presidiu duas vezes a Companhia Vale do Rio Doce, hoje Vale S.A. Foi ministro de Minas e Energia no governo João Goulart, secretário de Assuntos Estratégicos no governo Fernando Collor e é pai do empresário Eike Batista. É lembrado como o idealizador do Porto de Tubarão, em Vitória (ES), e do modelo mina-ferrovia-porto que levou o minério de ferro brasileiro ao Japão.

Filho de José Batista da Silva e Maria da Natividade Pereira, nasceu em Nova Era, no interior de Minas Gerais. Formou-se em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade do Paraná, em Curitiba, em 1948. No ano seguinte entrou na Vale do Rio Doce como engenheiro do Departamento de Construções da Estrada de Ferro Vitória-Minas, do qual se tornou chefe em 1951; depois foi superintendente da ferrovia.

Era poliglota autodidata: aprendeu sozinho russo, inglês, alemão, francês, italiano e espanhol. Foi professor da Escola Politécnica do Espírito Santo e recebeu o título de doutor honoris causa da Academia Russa de Ciências.

## Presidente da Vale do Rio Doce

Eliezer foi o primeiro presidente da Vale saído dos quadros da própria empresa. Foi nomeado por Jânio Quadros em 1961 e ficou no cargo até a deposição de João Goulart, em 1964. Voltou à presidência em 1979, a convite do presidente João Figueiredo, e permaneceu até 1986, já no governo José Sarney.

### Porto de Tubarão e a "distância econômica"

No primeiro mandato, Eliezer apostou na demanda das siderúrgicas japonesas, que se reconstruíam após a Segunda Guerra Mundial. Para vender minério de ferro, produto de baixo valor, ao outro lado do planeta, desenvolveu o conceito de "distância econômica": navios de grande porte, um porto de águas profundas e uma ferrovia integrada à mina tornariam o frete competitivo com o das minas australianas, vizinhas do Japão. Em 1962, a Vale assinou contratos de 15 anos com 11 siderúrgicas japonesas, somando 5 milhões de toneladas por ano, mais que o dobro da produção da empresa na época, de cerca de 2 milhões de toneladas. O Porto de Tubarão, em Vitória, foi a peça central desse sistema.

### Projeto Grande Carajás

No segundo mandato, comandou a implantação do Projeto Ferro Carajás, no Pará, dentro do Programa Grande Carajás, que abrangia uma área de cerca de 900 mil km² entre o sudoeste do Pará, o norte do atual Tocantins e o oeste do Maranhão. Carajás se tornou a principal província de minério de ferro da Vale.

## Ministro de Minas e Energia

Eliezer assumiu o Ministério das Minas e Energia em 18 de setembro de 1962, no gabinete parlamentarista de Hermes Lima, durante o governo João Goulart, sucedendo João Mangabeira. Acumulou o cargo com a presidência da Vale. Na sua gestão começaram as negociações para a compra, pelo governo brasileiro, das subsidiárias da American & Foreign Power Company (Amforp), operação concluída pela Eletrobras em 1964. As fontes divergem sobre a saída: a lista oficial de ministros registra o fim do mandato em 20 de outubro de 1962, enquanto o acervo Memória da Eletricidade aponta que ele foi substituído por Antônio Ferreira de Oliveira Brito em 1963.

No mesmo período presidiu o Conselho Nacional de Minas e Energia e a Comissão de Exportação de Materiais Estratégicos.

## Ditadura militar, Caemi e Aracruz

Com o golpe de 1964, Eliezer foi afastado da Vale e acusado por grupos militares de ser "comunista". Segundo o próprio relato, o presidente Castelo Branco o aconselhou a ir para a Caemi, mineradora privada: "Era Caemi, ou cadeia. Não foi difícil escolher".

Entre 1964 e 1968 foi diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), do grupo Caemi. Depois foi vice-presidente da Itabira International Company, em Nova York, e, de 1968 a 1974, diretor da Itabira Eisenerz GmbH, em Düsseldorf, na então Alemanha Ocidental. Presidiu também a Rio Doce Internacional, subsidiária da Vale em Bruxelas, à qual voltou depois do segundo mandato na Vale e onde ficou até 1997. Também participou da criação da Aracruz Florestal, no Espírito Santo, origem da Aracruz Celulose.

## Secretaria de Assuntos Estratégicos e últimos cargos

Em 1990 recusou um convite para o ministério de Fernando Collor. Em abril de 1992 assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), onde coordenou um estudo sobre o setor elétrico que defendia a integração dos sistemas elétricos sul-americanos; um dos frutos foi a retomada do projeto do gasoduto Brasil-Bolívia. Deixou a SAE em outubro de 1992, no início do processo de impeachment de Collor.

Em 1997 foi um dos fundadores do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). No governo Fernando Henrique Cardoso integrou o Conselho Coordenador das Ações Federais no Rio de Janeiro. Em 1997 também publicou o estudo "Infra-estrutura para o desenvolvimento sustentado e integração da América do Sul".

## Eliezer Batista e a teoria do caos

Em entrevista ao site ((o))eco, em novembro de 2007, Eliezer usou a teoria do caos para descrever o planejamento de que o país precisava: "O raciocínio do homem moderno não é mais o raciocínio do homem de 30 anos atrás. Não é mais Descartes. É geometria fractal, Teoria do Caos", disse, defendendo "botar ordem na desordem". Na mesma entrevista afirmou que "a abertura da Amazônia sem conhecimento científico do território é um desastre" e defendeu o zoneamento ecológico-econômico antes de qualquer intervenção na região.

## Família e filhos

Eliezer casou-se com a alemã Jutta Fuhrken, natural de Hamburgo, com quem teve sete filhos, entre eles Eike Batista. Em 2009 casou-se com Inguelore Scheunemann, dentista, professora e ex-reitora da Universidade Federal de Pelotas, com quem ficou até morrer.

### Relação com Eike Batista

Eliezer foi acusado de ter repassado a Eike um mapa de jazidas descartadas pela Vale, o que nunca foi provado; Eike sempre negou e afirmou que o pai jamais o deixou se aproximar da empresa. Eike, porém, se beneficiou da rede de contatos do pai. Por sugestão de Eliezer, ele se associou em 1982 ao filho do ex-ministro Antônio Dias Leite para fundar a Companhia de Mineração e Participações (CMP), e Eliezer o ajudou a marcar reuniões com governadores para apresentar projetos. Eike chegou a ser, em 2012, o sétimo homem mais rico do mundo.

## Complexo S11D Eliezer Batista

Em 17 de dezembro de 2016, a Vale inaugurou em Canaã dos Carajás (PA) o Complexo S11D Eliezer Batista, batizado em homenagem ao ex-presidente. O projeto custou US$ 14,3 bilhões e foi planejado para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Eliezer não compareceu à cerimônia por problemas de saúde.

## Prêmios e homenagens

Pelo conceito de "distância econômica" e pela construção do Porto de Tubarão, recebeu do governo japonês a Ordem do Sol Nascente. Em 1985 recebeu o prêmio Eminente Engenheiro do Ano. A Firjan concedeu-lhe a Medalha do Mérito Industrial do Rio de Janeiro em 2002.

## Documentário "Eliezer Batista – O Engenheiro do Brasil"

Em novembro de 2009 estreou o documentário "Eliezer Batista – O Engenheiro do Brasil", dirigido por Victor Lopes. O filme se baseia no livro "Conversas com Eliezer" (2005), de Luiz Cesar Faro, Claudio Fernandez e Carlos Pousa, construído a partir de 80 horas de depoimentos do próprio engenheiro. Pousa produziu o filme ao lado da TV Zero.

## Quando Eliezer Batista morreu

Eliezer Batista morreu em 18 de junho de 2018, aos 94 anos, no Hospital Samaritano, na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo o hospital, a causa foi insuficiência respiratória aguda.

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