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title: "Eleições em Israel 2026"
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updated: 2026-10-25T23:02:28.268+00:00
categories: ["world", "politics"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Eleições em Israel 2026

Israel elege em 27 de outubro de 2026 os 120 deputados do Knesset, e do resultado sai o próximo governo. É a primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Benjamin Netanyahu, do Likud, enfrenta a oposição liderada pelo ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, do Yashar. As últimas pesquisas, de 23 de outubro, deram vantagem à oposição, sem que nenhum bloco chegasse às 61 cadeiras necessárias para governar. O resultado oficial sai em 4 de novembro.

## Quando é a eleição em Israel

Israel vota na terça-feira, 27 de outubro de 2026, para escolher os 120 deputados do 26º Knesset, o Parlamento do país. Do resultado sai o próximo governo e o próximo primeiro-ministro. A disputa principal é entre o atual premiê, [Benjamin Netanyahu](/topics/benjamin-netanyahu), do Likud, no poder desde dezembro de 2022, e o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, que lidera o partido novo Yashar e a oposição.

Os locais de votação ficam abertos das 7h às 22h de Israel, das 2h às 17h no horário de Brasília. O dia da eleição é feriado. As pesquisas de boca de urna das TVs israelenses saem quando as urnas fecham, e o resultado oficial deve ser confirmado pela Comissão Eleitoral Central em 4 de novembro de 2026.

É a primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e da guerra que se seguiu em [Gaza](/topics/conflito-israel-palestina), no Líbano e [contra o Irã](/topics/guerra-do-ira). O 25º Knesset foi dissolvido em 17 de julho de 2026, ao fim do mandato de quatro anos. Foi o primeiro Parlamento israelense a cumprir o mandato inteiro desde 1988, depois de cinco eleições antecipadas entre 2019 e 2022.

## Como funciona a eleição em Israel

Israel é uma democracia parlamentar. O eleitor não vota em candidato a primeiro-ministro: vota numa lista de partido, em cédula de papel. O país inteiro é um só distrito, e as 120 cadeiras são divididas na proporção dos votos entre as listas que passam da cláusula de barreira de 3,25%. Dois partidos podem assinar um acordo de sobras, que os faz disputar as cadeiras restantes como se fossem uma lista só.

Não há voto pelo correio nem em consulado para quem mora fora, salvo diplomatas e funcionários do Estado. O eleitor que vive no exterior precisa estar em Israel no dia. Por isso, a iniciativa Fly&Vote organizou voos para cerca de 65 mil israelenses que moram fora. O Likud tentou barrar a iniciativa na Justiça e perdeu.

Nenhum partido teve sozinho maioria no Knesset desde a fundação do Estado, em 1948. Governa quem reúne uma coalizão de pelo menos 61 deputados.

## Quem são os candidatos e os partidos

A eleição se organiza em dois blocos.

**O bloco de Netanyahu**, que forma o governo atual, reúne o Likud, a Otzma Yehudit (Poder Judeu), de Itamar Ben-Gvir, o Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich, e os partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá. No Likud, as primárias de 17 de agosto de 2026 puseram Netanyahu, Eli Cohen e Amir Ohana no topo da lista.

**A oposição** se reúne em torno de Gadi Eisenkot e do Yashar. Fazem parte dela a lista Together, de Naftali Bennett e Yair Lapid, ambos ex-primeiros-ministros; o Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman; e os Democratas, de Yair Golan, herdeiros do Partido Trabalhista e do Meretz. Os cinco líderes assinaram no fim de setembro de 2026 um compromisso de não se atacar e de se unir para formar governo.

**Os partidos árabes** Ra'am, de Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, liderada por Yousef Jabareen, foram excluídos da eleição pela Comissão Eleitoral Central em 23 de setembro de 2026 e reincluídos pela Suprema Corte em 2 de outubro. Somam de 14 a 16 cadeiras nas pesquisas e podem decidir se a oposição chega a 61. A maior parte da oposição descartou governar com eles.

Fora dos blocos correm os Reservistas, de Yoaz Hendel, e o Amcha Yisrael, de extrema direita, do general da reserva Ofer Winter.

## Pesquisas: quem está na frente

A lei israelense proíbe divulgar pesquisa nos últimos dias antes da votação. As últimas, publicadas em 23 de outubro de 2026, puseram a oposição à frente do bloco de Netanyahu, sem maioria para nenhum dos dois:

| Pesquisa | Oposição | Bloco de Netanyahu | Árabes | Maior partido |
|---|---|---|---|---|
| Canal 12 | 56 | 50 | 14 | Yashar 23, Likud 21 |
| Canal 13 | 54 | 50 | 16 | Yashar 22, Likud 19 |
| Kan 11 | 52 | 50 | 14 | Yashar 22, Likud 20 |
| Maariv/Lazar | 54 | 48 | não divulgado | Yashar 21, Likud 19 |

No Kan, a lista dos Reservistas ficava com 4 cadeiras, fora dos blocos. O Amcha Yisrael não passava da cláusula de barreira nas três pesquisas de TV. Na pergunta sobre quem é mais adequado para primeiro-ministro, Eisenkot vencia Netanyahu por 44% a 38% no Kan e no Canal 12, e por 49% a 41% no Maariv.

As pesquisas variam conforme o instituto. Na semana até 11 de outubro, segundo o Jewish Insider, o bloco de Netanyahu teve média de 55 cadeiras contra 51 da oposição, puxada pelo Canal 14 (63 a 45) e pela i24 News/Direct Polls (60 a 48). Sem essas duas, a oposição ficava à frente, por 53 a 52.

## O que está em jogo

**A guerra e a segurança.** A campanha girou em torno de três anos de guerra. Netanyahu pôs a ameaça do Irã no centro e se apresenta como quem conduziu o país na guerra. Eisenkot, que integrou o gabinete de guerra até junho de 2024 e perdeu um filho em Gaza, cobra a comissão de inquérito sobre o 7 de outubro, que o governo não criou.

**Gaza.** Os dois principais candidatos prometem acabar com o domínio do Hamas e apoiam o plano de paz de Trump, sem plano detalhado para o território. A crise humanitária, com cerca de um milhão de deslocados, ficou quase fora da campanha.

**O alistamento dos ultraortodoxos.** A isenção do serviço militar para estudantes de yeshivás, anulada pela Suprema Corte em 2024, é a prioridade do Shas e do Judaísmo Unido da Torá, de quem Netanyahu depende para chegar a 61. Os rivais dele defendem acabar com a isenção.

**O julgamento de Netanyahu.** O premiê responde desde 2020 a um [processo por corrupção](/topics/benjamin-netanyahu), por suborno, fraude e quebra de confiança, e nega as acusações.

**Os Estados Unidos.** [Donald Trump](/topics/donald-trump) declarou em 18 de outubro de 2026 apoio "completo e total" à reeleição de Netanyahu. O vice, JD Vance, disse no dia seguinte que não apoiaria ninguém.

## Polêmicas da campanha

**Inteligência artificial.** A Comissão Eleitoral Central passou a exigir, em julho de 2026, que todo material de campanha feito ou alterado por IA traga aviso. Em 26 de julho, o presidente da comissão, o juiz Noam Sohlberg, mandou o Sionismo Religioso tirar do ar um vídeo gerado por IA que mostrava alguém parecido com Eisenkot reunido com Mansour Abbas e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

**Contagem em tempo real.** A Suprema Corte proibiu em 17 de setembro de 2026 que partidos coletem e transmitam dados de identidade e comparecimento dos eleitores nos locais de votação. Em 22 de outubro, por 2 votos a 1, proibiu também a transmissão de totais numéricos. Em 18 de outubro, um ex-responsável pela tecnologia da campanha do Likud disse em depoimento juramentado que o aplicativo do partido podia captar o áudio das seções eleitorais pelo microfone do celular.

**Fiscais nas cidades árabes.** O Likud e o Sionismo Religioso anunciaram em 15 de outubro que mandariam cerca de 2 mil ativistas a seções eleitorais em comunidades árabes. Deputados árabes dizem que o objetivo é intimidar eleitores; a coalizão diz que é evitar fraude.

**Hebron.** Em 23 de outubro de 2026, dois atiradores palestinos mataram dois soldados israelenses num posto de controle perto de Hebron, na Cisjordânia. Netanyahu ordenou o cerco à cidade, e o Exército demoliu casas e desalojou moradores: 1.200 segundo o governo palestino, 1.500 segundo a prefeitura e 2.000 segundo o ministro da Defesa, Israel Katz. O Exército anunciou que todas as passagens terrestres da Cisjordânia ficam fechadas no dia da votação.

## O que acontece depois da votação

Depois da confirmação do resultado, em 4 de novembro, o presidente de Israel, Isaac Herzog, ouve os partidos eleitos e encarrega um deputado de formar o governo. O escolhido é quem tem mais chance de reunir 61 cadeiras, não necessariamente o líder do partido mais votado. Ele tem 28 dias, prorrogáveis por até 14, para fechar a coalizão. Se ninguém conseguir, o país vai a nova eleição. Até a posse de um novo governo, Netanyahu segue como primeiro-ministro interino.

## Linha do tempo

- **1º de novembro de 2022:** o bloco de Netanyahu ganha 64 das 120 cadeiras na quinta eleição em três anos e meio.
- **29 de dezembro de 2022:** toma posse o 37º governo, de Likud, Otzma Yehudit, Sionismo Religioso, Shas e Judaísmo Unido da Torá.
- **7 de outubro de 2023:** ataque do Hamas ao sul de Israel; começa a guerra em Gaza. Benny Gantz e Gadi Eisenkot entram num governo de emergência.
- **9 de junho de 2024:** o partido Unidade Nacional, de Gantz e Eisenkot, deixa o governo.
- **17 de julho de 2026:** dissolução do 25º Knesset, ao fim do mandato de quatro anos.
- **17 de agosto de 2026:** primárias do Likud confirmam Netanyahu à frente da lista.
- **23 de setembro de 2026:** a Comissão Eleitoral Central exclui Ra'am e Lista Conjunta da eleição.
- **2 de outubro de 2026:** a Suprema Corte reinclui os dois partidos árabes.
- **15 e 16 de outubro de 2026:** votação nas representações diplomáticas no exterior.
- **18 de outubro de 2026:** Trump declara apoio à reeleição de Netanyahu.
- **23 de outubro de 2026:** saem as últimas pesquisas permitidas, com a oposição à frente e sem maioria; ataque perto de Hebron mata dois soldados.
- **27 de outubro de 2026:** dia da votação.
- **4 de novembro de 2026:** confirmação oficial do resultado.

## Perguntas frequentes

### Quando são as eleições em Israel?

Na terça-feira, 27 de outubro de 2026, das 7h às 22h de Israel (2h às 17h em Brasília). O resultado oficial sai em 4 de novembro.

### Quem são os candidatos a primeiro-ministro?

Os principais são Benjamin Netanyahu, do Likud, premiê desde 2022, e Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército, do Yashar. Também lideram listas Naftali Bennett e Yair Lapid (Together), Avigdor Lieberman, Yair Golan, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich.

### Quem está na frente nas pesquisas?

As últimas pesquisas, de 23 de outubro, deram à oposição de 52 a 56 cadeiras e ao bloco de Netanyahu de 48 a 50. Nenhum lado chegava às 61 necessárias para governar sozinho.

### O povo vota no primeiro-ministro?

Não. O eleitor vota numa lista de partido. Depois, o presidente encarrega quem tem mais chance de formar maioria no Knesset.

### Quantos votos são precisos para governar?

São precisas 61 das 120 cadeiras do Knesset, quase sempre por coalizão de vários partidos.

### Quando será a próxima eleição em Israel?

Se um governo for formado, a próxima eleição está prevista para 2030, ao fim do mandato de quatro anos. Se nenhuma coalizão chegar a 61, Israel volta às urnas antes.

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