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title: "Eleição das presidências da Câmara e do Senado (2027)"
url: https://dailyjournal.news/topics/eleicao-das-presidencias-da-camara-e-do-senado-2027
updated: 2026-10-28T15:17:05.069+00:00
categories: ["brazil", "politics"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Eleição das presidências da Câmara e do Senado (2027)

Em fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura, os 513 deputados e os 81 senadores elegem em voto secreto os presidentes da Câmara e do Senado para 2027-2028. Hugo Motta e Davi Alcolumbre podem tentar a recondução porque o STF só a proíbe dentro da mesma legislatura. Motta tem 15 partidos, do centrão ao PT, e o PL desistiu de candidato. No Senado, Alcolumbre tem União Brasil, PP e Lula e planeja propor indulto a Bolsonaro; Marinho e Tereza Cristina tentam derrotá-lo.

## O que é a eleição das presidências da Câmara e do Senado

A eleição das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de 2027 é a votação interna em que os 513 deputados e os 81 senadores escolhem quem vai comandar cada Casa no biênio 2027-2028. Ela acontece em fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura, quando tomam posse os parlamentares eleitos em outubro de 2026. Na mesma sessão, cada Casa elege a Mesa Diretora, com vice-presidentes e secretários.

Os atuais presidentes, [Hugo Motta](/topics/hugo-motta) (Republicanos-PB), na Câmara, e [Davi Alcolumbre](/topics/davi-alcolumbre) (União Brasil-AP), no Senado, disputam a recondução. Depois da reeleição de [Lula](/topics/lula) em 25 de outubro de 2026, os dois receberam o apoio do PT e de partidos de centro. O [PL](/topics/pl-partido-liberal), que fez as maiores bancadas nas duas Casas, desistiu de candidatura própria na Câmara e tenta derrotar Alcolumbre no Senado.

## Quando é a eleição

O artigo 57, parágrafo 4º, da Constituição manda cada Casa se reunir em sessões preparatórias "a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura", para dar posse aos eleitos e eleger as Mesas, com mandato de dois anos. A eleição do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027. A Câmara vota no início da nova legislatura, que começa na mesma data.

Os eleitos ficam no cargo até fevereiro de 2029, quando há nova eleição, no meio da legislatura.

## Como funciona a eleição

**Na Câmara**, o voto é secreto e feito na urna eletrônica. Candidaturas avulsas são aceitas para presidente. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa da maioria absoluta dos votos, 257 se todos os 513 deputados votarem. Se ninguém chegar lá, os dois mais votados vão a um segundo turno, decidido por maioria simples. Em caso de empate, vence o mais idoso entre os de mais legislaturas. O presidente é eleito primeiro e conduz em seguida a eleição dos demais cargos da Mesa, que são distribuídos de forma proporcional entre partidos e blocos.

**No Senado**, o voto também é secreto, mas em cédula de papel. É preciso a presença da maioria absoluta dos senadores (41) e 41 votos para eleger o presidente; se ninguém os obtiver, há novo turno.

Os blocos parlamentares formados para a eleição pesam depois dela: na Câmara, a escolha das comissões segue o tamanho dos blocos, e o maior escolhe primeiro. No Senado, a divisão se faz sobretudo por acordo entre líderes.

## Reeleição: por que Motta e Alcolumbre podem concorrer de novo

O mesmo artigo 57, parágrafo 4º, proíbe "a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente". O Supremo Tribunal Federal ([STF](/topics/stf)) interpreta a regra como uma proibição dentro da mesma legislatura. Na ADI 6524, julgada em dezembro de 2020, a maioria dos ministros barrou a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre no meio da legislatura de 2019-2023 e reafirmou que a vedação não vale quando começa uma nova legislatura, "situação em que se constitui Congresso novo".

Motta e Alcolumbre foram eleitos em 1º de fevereiro de 2025, no terceiro ano da legislatura de 2023-2027. A eleição de fevereiro de 2027 abre a legislatura seguinte, e por isso os dois podem disputar a recondução. Foi o mesmo caminho de [Arthur Lira](/topics/arthur-lira) e [Rodrigo Pacheco](/topics/rodrigo-pacheco), eleitos em 2021 e reconduzidos em 1º de fevereiro de 2023.

Alcolumbre já presidiu o Senado de 2019 a 2021 e voltou ao cargo em 2025, com 73 votos. Motta foi eleito em 2025 com 444 votos, apoiado por um bloco de 17 partidos que ia do PT ao PL.

## Candidatos à presidência da Câmara

**Hugo Motta (Republicanos-PB)**, presidente desde 2025, é o favorito. Em 14 de outubro de 2026, um bloco do centrão com 252 deputados declarou apoio à reeleição dele; o PSD, cujo líder, Antonio Brito (BA), chegou a ser cotado como adversário, aderiu. Em 21 de outubro, PSB e PDT entraram, e o apoio passou da metade da Câmara. Em 27 de outubro de 2026, a bancada do PT oficializou o apoio, com o PCdoB, e Motta chegou a 15 partidos: União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PSB, PV, PT e PCdoB. No anúncio, a federação PT-PCdoB-PV, que terá 88 deputados (70 do PT, 11 do PCdoB e 7 do PV), disse que vai formar um bloco com União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB-Cidadania, que pode reunir até 328 dos 513 deputados se todas as adesões se confirmarem; PL, Novo e Missão ficam de fora, e o PSOL não tinha confirmado (InfoMoney). O tamanho do bloco define a divisão dos cargos da Mesa e das comissões. A adesão de um partido não garante o voto de cada deputado, porque a votação é secreta.

**PL.** O partido de [Flávio Bolsonaro](/topics/flavio-bolsonaro) trabalhava contra Motta e pensava em candidato próprio caso Flávio vencesse a eleição presidencial. Em 26 de outubro de 2026, um dia depois da derrota de Flávio, o líder do PL, [Sóstenes Cavalcante](/topics/sostenes-cavalcante) (RJ), desistiu. "Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula", disse à Folha de S.Paulo. O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também era cotado. A bancada vai decidir se apoia Motta ou lança outro nome. Isolado do bloco majoritário, o PL corre o risco de ficar sem cargos na Mesa e sem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

## Candidatos à presidência do Senado

**Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)** busca o terceiro mandato no cargo. Em 26 de outubro de 2026, ele e Motta se reuniram com Lula no Palácio da Alvorada, e o presidente sinalizou apoio à recondução dos dois. Em 27 de outubro, a federação União Brasil-PP, em nota de Antonio Rueda e Ciro Nogueira, declarou apoio a Alcolumbre, o primeiro de um partido. A decisão rachou as bancadas das duas siglas. A bancada do PT no Senado deve deliberar na semana seguinte. Aliados de Alcolumbre contam até 48 votos, com um piso de 43; a oposição diz que ele teria 38.

**Rogério Marinho (PL-RN)**, líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, é o nome do PL. Ele perdeu a eleição de 2023 para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32. Diz contar com 48 votos e afirmou que o apoio da federação União-PP a Alcolumbre "não vai refletir a posição da bancada".

**Tereza Cristina (PP-MS)**, ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e líder do PP no Senado, contrariou a cúpula do partido e indicou em 27 de outubro de 2026 que será candidata. Em nota, disse que a eleição será decidida em fevereiro "pelo voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores". Ela era vista como alternativa do PL caso Marinho virasse ministro de um governo Flávio. Marinho e Tereza discutem uma candidatura única da oposição; parte dela considera Tereza mais capaz de atrair votos do centro.

O principal ponto da disputa é o impeachment de ministros do STF. Pelo regimento, só o presidente do Senado pode abrir esses processos, e Alcolumbre já descartou abri-los, o que move os bolsonaristas contra ele.

**O indulto ou a anistia a Bolsonaro.** Segundo a Folha de S.Paulo de 28 de outubro de 2026, que ouviu dois aliados de Alcolumbre, ele pretende propor um indulto ou uma anistia a [Jair Bolsonaro](/topics/jair-bolsonaro) em troca do apoio da direita à reeleição e para conter a pressão pelo impeachment de ministros do STF. O plano é primeiro pedir a Lula um indulto humanitário, ato que depende só do presidente; se Lula recusar, trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso. Aliados dizem que ele vai esperar a eleição "decantar" e as consequências da saída de Flávio Bolsonaro do país antes de agir, e que o primeiro passo seria o STF reconhecer a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, suspensa por [Alexandre de Moraes](/topics/alexandre-moraes) desde maio. O assunto não foi tratado na conversa de Alcolumbre com Lula em 26 de outubro.

## As bancadas eleitas em 2026

Nas [eleições de 2026](/topics/eleicoes-brasileiras-2026), o PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um partido na Câmara desde a Constituinte, e terá 29 senadores, segundo o g1 (levantamentos anteriores do g1 e de O Globo contavam 28). O PT terá 70 deputados e 9 senadores; somado a PCdoB (11) e PV (7), a federação Brasil da Esperança chega a 88 deputados.

Outras bancadas na Câmara, segundo o g1: União Brasil (46 deputados), Republicanos (41), Podemos (27), PSB (15), PSOL (14), Novo (10), PDT (6) e Rede (1). No Senado, o PSD cai de 14 para 5 senadores; PSB terá 4, PDT 3, Novo 3 e Rede 1.

Nenhum partido sozinho alcança a maioria: o PL precisa de aliados para chegar a 257 deputados ou 41 senadores, e o mesmo vale para o bloco governista.

## Por que a eleição importa

Os presidentes da Câmara e do Senado decidem o que vai a votação e quando. O presidente do Senado preside também o Congresso Nacional e é quem abre ou engaveta pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Pela Constituição, o presidente da Câmara é o primeiro na linha de sucessão da Presidência da República depois do vice-presidente; o do Senado vem em seguida.

Para Lula, que começa o quarto mandato com um Congresso em que o PL e os partidos que apoiaram Flávio no segundo turno são maioria, ter aliados no comando das Casas é a base da governabilidade. Em 2026, a aproximação com Motta e Alcolumbre permitiu aprovar o fim da "taxa das blusinhas", o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e a redução da jornada para 40 horas semanais com duas folgas (veja [escala 6x1](/topics/escala-6x1)).

## O que acontece agora

- **Câmara:** o PL reúne a bancada na semana seguinte à eleição presidencial, segundo Sóstenes Cavalcante, para decidir se apoia Motta ou lança outro candidato. Motta procura também os deputados eleitos, um a um.
- **Senado:** a bancada do PT decide o apoio a Alcolumbre; Marinho e Tereza Cristina tentam fechar uma candidatura única da oposição. Alcolumbre pretende levar a Lula o pedido de indulto a Bolsonaro.
- **1º de fevereiro de 2027:** posse dos eleitos e eleição dos presidentes e das Mesas.

## Linha do tempo

- **Dezembro de 2020:** o STF, na ADI 6524, proíbe a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado dentro da mesma legislatura e a admite em legislatura nova.
- **1º de fevereiro de 2023:** Arthur Lira e Rodrigo Pacheco são reconduzidos na abertura da nova legislatura; Pacheco vence Rogério Marinho por 49 a 32.
- **1º de fevereiro de 2025:** Hugo Motta é eleito presidente da Câmara com 444 votos, e Davi Alcolumbre, do Senado, com 73.
- **4 de outubro de 2026:** primeiro turno das eleições gerais; o PL elege 121 deputados e a maior bancada do Senado.
- **14 de outubro de 2026:** bloco do centrão com 252 deputados declara apoio à reeleição de Motta.
- **21 de outubro de 2026:** PSB e PDT aderem, e o apoio a Motta passa da metade da Câmara.
- **25 de outubro de 2026:** Lula vence Flávio Bolsonaro no segundo turno.
- **26 de outubro de 2026:** Sóstenes Cavalcante desiste de disputar a Câmara; Lula recebe Motta e Alcolumbre no Alvorada.
- **27 de outubro de 2026:** a federação PT-PCdoB-PV oficializa apoio a Motta e anuncia bloco de até 328 deputados; União Brasil e PP declaram apoio a Alcolumbre; Tereza Cristina indica que será candidata no Senado.
- **28 de outubro de 2026:** a Folha revela que Alcolumbre planeja propor indulto ou anistia a Jair Bolsonaro em troca de votos da direita.
- **1º de fevereiro de 2027:** eleição das Mesas da Câmara e do Senado.

## Perguntas frequentes

### Quando é a eleição para presidente da Câmara e do Senado?

Em fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura: a Constituição marca as sessões a partir de 1º de fevereiro, e a eleição no Senado está prevista para esse dia. Os eleitos comandam as Casas até fevereiro de 2029.

### Quem são os candidatos à presidência da Câmara em 2027?

O favorito é o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoiado por 15 partidos, do centrão à esquerda. O PL, maior bancada, retirou o nome de Sóstenes Cavalcante e ainda não definiu se terá candidato.

### Quem são os candidatos à presidência do Senado em 2027?

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta a recondução com apoio da federação União Brasil-PP e de Lula. Na oposição, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) se apresentam e discutem uma candidatura única.

### Até quando Alcolumbre fica na presidência do Senado?

O mandato atual de Davi Alcolumbre vai até a eleição de fevereiro de 2027. Se for reeleito, ele fica até fevereiro de 2029.

### Quanto tempo dura o mandato de presidente do Senado e da Câmara?

Dois anos. Há duas eleições por legislatura: uma no primeiro ano, outra no terceiro.

### Motta e Alcolumbre podem ser reeleitos?

Sim. A Constituição proíbe a recondução na eleição imediatamente seguinte, mas o STF entende que a proibição vale só dentro da mesma legislatura. Como a eleição de 2027 abre uma legislatura nova, os dois podem concorrer.

### Quantos votos são necessários para ser eleito?

Na Câmara, 257 votos (maioria absoluta) no primeiro turno; no segundo turno, basta a maioria simples. No Senado, 41 votos dos 81 senadores.

### O voto é secreto?

Sim, nas duas Casas. Na Câmara, o voto é na urna eletrônica; no Senado, em cédula de papel. Por isso o apoio formal de um partido não garante o voto de todos os seus parlamentares.

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