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title: "El Niño 2026-2027"
url: https://dailyjournal.news/topics/el-nino-2026-2027
updated: 2026-08-14T11:43:22.042+00:00
categories: ["science", "brazil"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# El Niño 2026-2027

O El Niño 2026-2027 é um fenômeno climático de aquecimento das águas do Pacífico equatorial, oficialmente declarado pela NOAA em junho de 2026. O evento apresenta alta probabilidade de atingir intensidade muito forte, com pico previsto entre outubro e dezembro de 2026, podendo ser um dos mais intensos desde 1950. Sua relevância reside nos impactos severos esperados no Brasil, como chuvas excessivas no Sul e secas no Norte e Nordeste, afetando a agricultura, o setor elétrico e a inflação de alimentos.

## Estimativas atuais

O El Niño 2026-2027 é o ciclo quente do ENSO (El Niño-Oscilação Sul) — a oscilação acoplada oceano-atmosfera que mais influencia o clima brasileiro fora dos sistemas locais — agora **oficialmente declarado**. Em 11 de junho de 2026 a NOAA elevou o status para **El Niño Advisory**, confirmando que as condições já estão presentes no Pacífico equatorial após meses de transição a partir da La Niña 2025-26. Esta página reúne as estimativas atuais das principais agências, o calendário oficial de boletins, os métodos de previsão e uma explicação da mecânica do fenômeno para quem não é meteorologista.

Em agosto de 2026 os centros operacionais já não discutem *se* o evento ocorre, nem apenas *quão forte* ele será: o cenário central passou a ser o de um **El Niño muito forte**, com pico previsto entre outubro e dezembro de 2026 e persistência até o início de 2027 — e, na leitura mais recente da NOAA, com chance majoritária de o evento ser o **mais intenso já registrado desde 1950**.

**NOAA / Climate Prediction Center (CPC) — discussão de 13/agosto/2026 (El Niño Advisory, leitura mais recente):**
- Status mantido em **El Niño Advisory**, com o comunicado descrevendo um fenômeno em intensificação.
- Índice mensal de **julho/2026 em Niño-3.4: +1,4°C**.
- **Mais de 90% de chance de um evento "muito forte"** durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27 (primavera e verão no Brasil) — acima dos 81% da discussão anterior.
- **69% de chance de um evento histórico** entre **outubro e dezembro de 2026**, isto é, que ultrapasse todos os El Niños registrados desde 1950, com **+2,5°C ou mais no índice RONI** trimestral (a versão "relativa" do ONI, que desconta a tendência de aquecimento de fundo do Pacífico tropical).
- Probabilidades intermediárias reproduzidas pelos centros regionais a partir da mesma discussão: **93%** de anomalia acima de +2,0°C entre setembro e outubro e **95%** entre outubro e dezembro.
- A NOAA **não emite previsão específica de impactos em território brasileiro** — a tradução regional cabe a INMET, CPTEC/INPE e centros estaduais.

**NOAA / Climate Prediction Center (CPC) — discussão de 9/julho/2026 (leitura anterior):**
- Status do alerta: **El Niño Advisory** — condições presentes, mantido desde o upgrade de "Watch" para "Advisory" em 11 de junho de 2026, o primeiro El Niño em cerca de dois anos.
- Anomalia semanal de TSM em Niño-3.4 na data da discussão: **+1,2°C** — acima do limiar de +0,5°C e em trajetória de intensificação rápida (em 11/jun o índice estava em +0,7°C).
- **81% de chance de um El Niño "muito forte" em outubro-dezembro de 2026** — categoria oficial mais alta, que colocaria o evento entre os maiores do registro histórico desde 1950.
- **97% de chance de o evento persistir até o início da primavera do Hemisfério Norte de 2027** (outono no Brasil).
- O acoplamento oceano-atmosfera está estabelecido, sustentando a intensificação até o fim do ano.

**IRI / Columbia (CCSR/IRI ENSO plume) — Quick Look de 20/julho/2026:**

| Trimestre | El Niño |
|---|---|
| Jul-Set 2026 a Jan-Mar 2027 | **100%** |
| Fev-Abr 2027 | **99%** |
| Mar-Mai 2027 | **94%** |

O plume de julho levou as probabilidades a 100% para toda a janela JAS/2026-JFM/2027, e o índice Niño 3.4 observado chegou a **+2,1°C em meados de julho de 2026**. O consenso dos modelos aponta pico em **outubro-dezembro de 2026**, com **23 de 26 modelos prevendo um El Niño muito forte** (Niño 3.4 ≥ +2,0°C) nesse trimestre, e enfraquecimento gradual ao longo da primavera de 2027 (Hemisfério Norte). O IRI já havia destacado que o conteúdo de calor oceânico está **mais que o dobro** do observado no mesmo período de 2023 — referência ao último El Niño forte.

**OMM (Organização Meteorológica Mundial) — atualização de 24/abril/2026:**
- "Alta confiança" no início do El Niño e intensificação subsequente, já a partir de maio-julho/2026.
- Previsão de domínio quase global de temperaturas terrestres acima da média no próximo trimestre.
- Impactos típicos citados: aumento de chuvas em partes do sul da América do Sul (inclui sul do Brasil), sul dos EUA, Chifre da África e Ásia Central; seca em outras regiões.
- Próxima atualização prevista para julho/2026.

**CPTEC/INPE + INMET + Funceme + CENSIPAM — nota técnica conjunta de maio/2026 + confirmação de junho:**
- Após a declaração da NOAA em 11/jun, INMET publicou "El Niño está de volta" e a Defesa Civil de SC emitiu nota meteorológica confirmando o início do fenômeno.
- Em maio/2026 as anomalias no Pacífico equatorial avançaram para acima do limiar de El Niño, com propagação de ondas de Kelvin subsuperficiais carregando águas significativamente mais quentes em direção à costa sul-americana.
- Trimestre **JJA/2026**: 79% de probabilidade de El Niño (cenário oficial de maio; modelos internacionais já superavam 95%). Fenômeno atuando inicialmente com fraca intensidade, mas com intensificação esperada ao longo dos meses seguintes.
- **JAS/2026**: >80%.
- **ASO/2026 em diante**: ≥90%, com persistência prevista até o ano seguinte.
- Intensidade moderada-a-forte considerada provável dado o alto conteúdo de calor subsuperficial.

**INMET — posição atualizada (monitoramento El Niño 2026):**
- O INMET registra um **padrão típico de El Niño**, com águas mais de 2°C acima da média no Pacífico equatorial junto à costa da América do Sul.
- **Acima de 90% de probabilidade** de o fenômeno se manter até pelo menos o **início de 2027**.
- Os modelos indicam **El Niño "muito forte"** como cenário provável, com anomalias de TSM ultrapassando **+2,0°C** durante a primavera e o verão de 2026/27.
- Prognóstico para o trimestre **JAS/2026**: chuvas **acima da média** em áreas do Sul e **abaixo da média** no centro-norte do país; alta probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre, com aumento de ondas de calor e de ocorrência de incêndios florestais.
- O instituto atualiza os boletins mensalmente para acompanhar impactos agrícolas, níveis de rios e reservatórios e risco de enchentes e deslizamentos.

## O que significa "El Niño"

O nome não é técnico e não foi cunhado por meteorologistas. **"El Niño" significa "o menino" em espanhol** — e, na designação completa usada originalmente, **"El Niño de Navidad"**, o Menino de Natal, em referência ao Menino Jesus. Foram pescadores sul-americanos que, ainda **no século XVII**, notaram que em alguns anos as águas da costa do Peru e do Equador ficavam anormalmente quentes por volta de dezembro, atrapalhando a pesca; como o aquecimento costumava atingir o auge perto do Natal, o apelido pegou. A fase oposta e fria do mesmo ciclo recebeu depois o nome espelhado de **"La Niña"** — "a menina" —, também chamada de *El Viejo*, *anti-El Niño* ou simplesmente "evento frio".

O termo científico que engloba as duas fases é **ENSO** (*El Niño-Southern Oscillation*), em português **ENOS** (El Niño-Oscilação Sul), que junta o componente oceânico (o aquecimento ou resfriamento das águas) ao componente atmosférico (a Oscilação Sul, a gangorra de pressão entre o Pacífico ocidental e oriental).

## Mecânica do fenômeno

O El Niño é uma anomalia recorrente no acoplamento entre o **oceano Pacífico equatorial** e a **atmosfera tropical**. Em condições neutras, os **ventos alíseos** (trade winds) sopram persistentemente de leste para oeste no equador, empurrando a água superficial quente em direção à Indonésia e à Austrália. Isso produz três efeitos encadeados:

1. **Acúmulo de água quente no Pacífico ocidental** — o nível do mar fica até meio metro mais alto na Indonésia que no Peru, e a camada de água morna (acima da **termoclina**) chega a ~140 m de profundidade no oeste contra ~30 m no leste.
2. **Ressurgência (upwelling) no Pacífico leste** — perto da costa do Peru, a água que é empurrada para o oeste é reposta por água fria vindo das profundezas, sustentando a famosa pesca peruana e mantendo a região com clima seco.
3. **Circulação de Walker** — no ar, forma-se uma célula de circulação leste-oeste: ar úmido sobe sobre a Indonésia (chove muito), viaja em altitude para o leste e desce seco sobre o Pacífico oriental e a costa oeste sul-americana.

**O que destrava o El Niño:** quando os alíseos enfraquecem (ou ocorrem rajadas de oeste — "westerly wind bursts" — como as observadas no início de 2026), a barragem de água quente acumulada no oeste se rompe e essa água viaja para o leste em pulsos chamados **ondas de Kelvin equatoriais**. Essas ondas se propagam abaixo da superfície a ~2,5 m/s e levam cerca de dois meses para atravessar o Pacífico, aprofundando a termoclina no leste e suprimindo a ressurgência. A superfície aquece, a convecção (chuva) migra para o Pacífico central/leste, a circulação de Walker enfraquece — o que enfraquece ainda mais os alíseos. Esse círculo é o **feedback de Bjerknes**, o motor positivo que transforma uma anomalia inicial em um El Niño maduro.

**Como se mede:** a métrica oficial é o **ONI (Oceanic Niño Index)** — média móvel de 3 meses das anomalias de TSM na região **Niño 3.4** (5°N-5°S, 170°W-120°W). Episódio de El Niño é declarado quando o ONI fica ≥ +0,5°C por cinco trimestres consecutivos sobrepostos; ≥ +1,5°C é considerado forte; ≥ +2,0°C é "super El Niño" (categoria informal). A anomalia observada em Niño 3.4 subiu rápido ao longo de 2026: **+0,7°C em 11/junho**, **+1,2°C na discussão de 9/julho** e **+2,1°C em meados de julho** — ou seja, já no patamar de "super El Niño" em leitura semanal, ainda que a confirmação formal do ONI dependa da média móvel trimestral ao longo dos próximos meses.

**E a La Niña?** É a fase oposta do mesmo ciclo. Pelo critério da NOAA, declara-se **La Niña** quando a TSM média na região Niño 3.4 fica **pelo menos 0,5°C abaixo** da média por cinco trimestres consecutivos sobrepostos, acompanhada de alíseos *mais fortes* e mais nebulosidade sobre a Indonésia — o espelho exato das condições de El Niño, em que os alíseos enfraquecem e a convecção migra para o Pacífico central. As duas são as fases quente e fria de um mesmo padrão natural do Pacífico tropical, o ENSO. O Brasil saiu de uma La Niña em 2025-26 justamente para o El Niño atual.

## Métodos de previsão

As probabilidades publicadas combinam três famílias de modelos:

- **Modelos dinâmicos acoplados** (NCEP CFSv2, ECMWF SEAS5, UKMO GloSea, Météo-France, JMA CPS3, NASA GMAO, CMCC, BoM ACCESS-S) — resolvem numericamente as equações de oceano e atmosfera em conjunto, partindo do estado observado e gerando dezenas de simulações ("ensemble") com pequenas perturbações iniciais.
- **Modelos estatísticos** (CCA, análogos, redes neurais) — exploram padrões históricos de TSM, vento e calor subsuperficial.
- **Persistência e julgamento humano** (CPC) — meteorologistas avaliam consistência entre modelos, conteúdo de calor subsuperficial, atividade convectiva e ventos para definir o status oficial e ajustar probabilidades.

A **IRI ENSO Plume** consolida todos esses modelos, calcula a média multimodelo das anomalias de Niño 3.4 e aplica uma distribuição gaussiana cuja largura vem da habilidade histórica do conjunto para cada estação e cada *lead time*. O resultado é a tabela de probabilidades trimestrais La Niña/Neutro/El Niño.

### A barreira de previsibilidade da primavera

Todas as previsões emitidas no outono do Hemisfério Norte (primavera/início de outono no Brasil) que atravessam **abril-maio** carregam um aviso explícito: a "**spring predictability barrier**". Nessa época do ano os gradientes de TSM no Pacífico equatorial são mais fracos, o acoplamento oceano-atmosfera é menos estável e os modelos perdem skill. Em junho de 2026 essa barreira já foi atravessada — o que explica o salto recente de confiança nas previsões, que agora se baseiam em sinal observado, não apenas em modelo, e culminaram na declaração oficial do evento em 11/jun.

## Calendário oficial de divulgação

| Agência | Produto | Periodicidade | Próxima atualização |
|---|---|---|---|
| **NOAA CPC** | ENSO Diagnostic Discussion | Mensal, **2ª quinta-feira** de cada mês | **10/setembro/2026** (última: 13/ago, Advisory mantido) |
| **NOAA CPC** | Weekly ENSO Update (PDF) | Semanal, segundas-feiras | semanal |
| **IRI Columbia** | ENSO Quick Look + Plume | Mensal, ~20 de cada mês | **~20/agosto/2026** (última: 20/jul) |
| **OMM (WMO)** | El Niño/La Niña Update | A cada 2-3 meses + ad hoc | a cada 2-3 meses |
| **CPTEC/INPE** | Boletim ENOS + nota técnica de previsão climática (MJJ, JJA, etc.) | Mensal | mensal |
| **INMET** | Prognóstico climático trimestral (com FUNCEME + INPE) | Mensal | mensal |

Para coberturas tempestivas, o CPC é o referencial: o status oficial ("Watch" / "Advisory" / "Final Advisory") só muda nessas discussões mensais. Em **11/junho/2026** o status foi elevado de "Watch" (condições favoráveis) para **"Advisory"** (condições já presentes), mantido nas discussões de **9/julho** e **13/agosto/2026** — esta última consolidando o cenário de pico muito forte em outubro-dezembro e introduzindo a hipótese de evento histórico. O próximo gatilho relevante é a discussão de **10/setembro/2026**.

## Impactos típicos esperados no Brasil

Em El Niños moderados a fortes, o padrão observado historicamente é:

- **Sul (RS, SC, PR):** **excesso de chuva** na primavera (set-nov) e início de verão. Risco de encharcamento de solo, atraso de plantio de soja, doenças fúngicas em cereais de inverno (trigo principalmente na floração-enchimento de grãos), enchentes urbanas e quebra de qualidade da colheita.
- **Nordeste (sertão e meio-norte):** **redução de chuvas** na estação chuvosa (fev-mai/2027), agravando seca em áreas semiáridas e reduzindo vazões de reservatórios. Risco para safra de sequeiro e geração hidrelétrica do São Francisco.
- **Norte (especialmente Amazônia central e oriental):** **estiagem mais severa** entre jul-nov/2026, com risco de queda de nível dos rios (Solimões, Madeira, Negro), incêndios florestais e impacto na navegação fluvial. O El Niño de 2023-24 produziu seca histórica na Amazônia — referência recente do que pode se repetir.
- **Centro-Oeste e Sudeste:** sinal mais fraco e variável. Tendência de chuvas erráticas, com risco de atraso de plantio de soja no MT/GO e estresse hídrico em culturas de verão. Reservatórios do SE/CO podem ser pressionados.
- **Temperatura:** El Niño tende a empurrar a média global para cima. Combinado com o aquecimento de fundo, 2027 tem alta probabilidade de figurar entre os anos mais quentes já registrados.

A intensidade dos impactos depende da magnitude do El Niño (Niño 3.4 acima de +1,5°C amplifica o sinal) e da interação com outros modos climáticos — Dipolo do Atlântico Tropical, MJO (Madden-Julian) e ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul).

## O que já está acontecendo (agosto de 2026)

Os impactos deixaram de ser projeção. Em agosto de 2026 o El Niño já se traduz em extremos simultâneos no Brasil:

- **Calor atípico fora de estação.** Ainda no inverno, as previsões apontam alta probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre, com aumento de ondas de calor. No Centro-Oeste — especialmente Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal — a expectativa é de dias muito quentes com baixa umidade do ar.
- **Seca e queimadas no centro-norte.** No Norte e em parte do Nordeste a tendência é de chuva abaixo da média, com risco elevado de incêndios florestais.
- **Ciclone extratropical no Sul.** O INMET sinalizou a formação de um ciclone extratropical entre Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai no primeiro fim de semana de agosto, com rajadas de vento de até **95 km/h** e chuvas intensas.

O contraste é a assinatura clássica de um El Niño forte sobre o Brasil: chuva em excesso no Sul e déficit hídrico no centro-norte, ao mesmo tempo.

## Resposta do governo brasileiro

Em **29 de julho de 2026** o presidente Lula lançou o plano federal de prevenção e mitigação dos impactos do El Niño 2026/2027, com **R$ 1,335 bilhão** e uma força-tarefa envolvendo 24 ministérios.

- **R$ 998 milhões** para abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde pública e monitoramento hidrológico.
- **R$ 337 milhões** viabilizados pela **Medida Provisória nº 1.367/2026**, destinados a ações imediatas de fiscalização ambiental, aquisição de equipamentos e suporte logístico.
- **R$ 521 milhões do Fundo Amazônia** para equipamentos de prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
- Reforço operacional: 16 veículos especiais de combate a incêndio, duas vilas operacionais, 19 helicópteros, 18 aviões para lançamento de água, uma aeronave de transporte de equipes e **4.410 brigadistas federais**.
- No Sul, sistemas de alerta para chuvas intensas, atuação permanente da Defesa Civil e obras em barragens e diques em parceria com estados e municípios.

## Setor elétrico: contenção de reservatórios

Em **5 de agosto de 2026** o **CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico)** aprovou resolução determinando a "redução de defluências para preservação das cabeceiras dos reservatórios, visando à garantia de segurança hídrica futura do sistema" — na prática, as usinas liberam menos água pelas turbinas e geram menos energia agora para preservar estoque. O comitê trabalhou com **70% de probabilidade** de o fenômeno se intensificar no segundo semestre e apontou as bacias do **São Francisco, Tocantins e Paranapanema**, além de medidas de suprimento de combustível para os sistemas isolados do Norte. O CMSE não informou a magnitude da redução, o cronograma nem quais usinas devem cumpri-la.

Desde junho o **ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)** já operava em regime de poupança, com contenção no uso da água dos reservatórios de **Itaipu** e das hidrelétricas da região Sul — que sob El Niño recebem chuva acima da média — para compensar a seca esperada em outras regiões, além dos reservatórios estratégicos de **Santo Antônio, Jirau e Belo Monte** no Norte.

## Impacto global: fome e economia

Em **5 de agosto de 2026** o **Programa Mundial de Alimentos (PMA/WFP)**, da ONU, publicou um relatório projetando que um El Niño muito forte pode empurrar quase **49 milhões de pessoas** para a fome aguda até o fim de 2027 — elevando o total em **274 milhões de pessoas** em 45 países vulneráveis, alta de cerca de **22%** sobre a linha de base de aproximadamente 225 milhões.

- O PMA trabalha com **81% de probabilidade** de o fenômeno se tornar muito forte, com temperaturas no Pacífico nos maiores níveis desde pelo menos 1982.
- Aumentos regionais projetados na insegurança alimentar aguda: **América Central +83%**, **África Austral quase +75%**. América do Sul, África Austral e Caribe devem somar, cada uma, mais de 12 milhões de pessoas adicionais.
- Segundo **Jean-Martin Bauer**, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA, trata-se de "eventos que, no passado, desencadearam fomes em larga escala".

No plano econômico, o fenômeno vem sendo tratado como risco macro: a instabilidade na oferta de commodities agrícolas pressiona a inflação de alimentos em escala mundial, com efeito direto sobre decisões de política monetária e sobre a balança comercial de países exportadores como o Brasil.

## Preços de commodities e inflação de alimentos

O canal econômico mais direto do El Niño sobre o bolso do brasileiro é o preço da comida, e ele já se move nos mercados internacionais antes de qualquer quebra de safra confirmada.

**No Brasil.** Estudo da consultoria **MB Associados** divulgado em **8 de agosto de 2026** projeta efeitos ainda limitados em 2026, mas uma **inflação da alimentação no domicílio entre 7,5% e 9,5% em 2027**, com pico de até **11%** entre agosto e novembro daquele ano. O impacto estimado sobre o **IPCA cheio chega a 0,9 ponto percentual em 2027**. Segundo **Sergio Vale**, economista-chefe da consultoria, arroz e feijão devem liderar as altas — o feijão por causa da queda de produção em 2026, o arroz por ainda carregar o efeito das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, principal estado produtor — e o milho pressiona indiretamente as proteínas animais.

O primeiro efeito mensurável já aparece na estatística oficial de safra. No **LSPA divulgado pelo IBGE em 13 de agosto de 2026**, a produção nacional de **trigo** foi estimada em **6,4 milhões de toneladas**, queda de **4,3% sobre o levantamento do mês anterior** e de **18,6% em relação a 2025**. A retração vem principalmente da **área plantada, 19,3% menor no ano** — resultado de baixa rentabilidade, do histórico recente de perdas climáticas no Sul e da própria expectativa de um El Niño mais severo no segundo semestre, que desestimulou o plantio antes de qualquer perda de lavoura. No **Rio Grande do Sul**, maior produtor (39,0% do total nacional), a projeção caiu para **2,5 milhões de toneladas** (-9,4% ante junho e -28,3% ante 2025). No agregado, porém, o país ainda deve colher **353,0 milhões de toneladas** de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, **2,0% acima** de 2025 — o efeito do fenômeno, por ora, é concentrado em culturas de inverno no Sul, não generalizado.

O repasse é gradual: historicamente os maiores efeitos sobre preços aparecem **nove a dez meses depois do pico** do fenômeno, previsto para outubro ou novembro de 2026. A sequência esperada é hortifrutigranjeiros nos primeiros meses de 2027, grãos no segundo semestre e, por último, as proteínas animais, incluindo a carne bovina. Há ainda um efeito de **frete**: se a seca no Norte e no Nordeste prejudicar a navegação fluvial e o escoamento pelos portos dessas regiões, a carga migra para rodovia rumo ao Sul e Sudeste — no El Niño de 2023-24 esse gargalo elevou custos entre **10% e 22%**.

**Nos mercados globais.** O prêmio de risco já está nos preços:

- **Café arábica** subiu cerca de **30% desde o início de junho de 2026**, a US$ 3,12 por libra, incluindo a maior alta em um único dia em 47 anos.
- **Cacau** saltou de ~US$ 3.950 por tonelada em meados de junho para **US$ 6.455 em 9 de julho** (máxima de oito meses), recuando depois para ~US$ 5.600 — ainda mais de 40% acima da mínima de junho. O Rabobank atribui a correlação anômala entre café e cacau a um "prêmio de risco do El Niño".
- **Farinha e óleo de peixe:** a pesca da anchoveta no Peru foi suspensa em maio de 2026 pelas águas quentes; a farinha mais que dobrou de preço em um ano e o óleo mais que triplicou desde julho de 2025.

O **Banco Central Europeu** calcula que eventos fortes de El Niño elevam em cerca de **9%** os preços globais das commodities alimentares. Em episódios anteriores, a produção mundial de cacau caiu **12%** no evento muito forte de 1982-83, 9% em 1991-92, 6% em 2015-16 e **13% em 2023-24**, quando o preço médio sazonal subiu 122%. **Máximo Torero**, economista-chefe da FAO, aponta trigo duro e arroz como as culturas de maior preocupação, pela combinação de El Niño com menor uso de fertilizantes na Austrália e na Índia.

Nem toda leitura é de perda imediata. Em **7 de agosto de 2026** o **JPMorgan** manteve as recomendações para as empresas do agro brasileiro sob sua cobertura — neutra para SLC Agrícola (SLCE3) e São Martinho (SMTO3), *underweight* para Adecoagro (AGRO) —, avaliando que as chuvas de julho ficaram em linha com o esperado e que não há, por ora, anomalias relevantes que justifiquem revisar a tese. A equipe, liderada por **Lucas Ferreira**, considera prematuro reagir às projeções enquanto o plantio na América Latina está no início, mas registra risco crescente adiante: pelo modelo do **ECMWF**, as chuvas em Mato Grosso entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027 podem ficar cerca de **20% abaixo da média**, e no MATOPIBA entre **20% e 60% abaixo**, enquanto o Rio Grande do Sul tende a chover bem acima da média até o fim do ano. O banco pondera ainda que não há regra histórica ligando automaticamente o El Niño à alta de soja e milho — em anos de El Niño a produtividade da soja caiu em média cerca de 8 sacas por hectare em Mato Grosso e 5 no MATOPIBA, com grande variação entre safras.

## Por que o choque pode ser menor que em 1997-98 e 2015-16

Há um contraponto relevante às projeções de escassez, e ele não é otimismo genérico: o sistema alimentar global chega a este El Niño estruturalmente mais folgado do que nos dois eventos severos de referência. Levantamento da **Reuters** publicado em **11 de agosto de 2026** reúne os fatores que amortecem o choque.

- **Estoques quase recordes.** A Índia, responsável por **40% das exportações globais de arroz**, acumula um estoque equivalente a mais de um ano do total exportado no mundo — a ponto de faltar espaço de armazenagem. Quase **metade do estoque global de trigo** está com a China, colchão que tende a conter a demanda por importação caso a seca prejudique a safra australiana. Os estoques globais de óleo de palma — cerca de **60% das exportações mundiais de óleo comestível** — estão perto de máximas históricas, ainda que o programa de biodiesel da Indonésia deva consumir parte deles nos próximos meses.
- **Novos exportadores que não existiam em 1997-98.** O Brasil virou o maior fornecedor mundial de soja, com exportações **mais de 13 vezes maiores** que em 1997/98; o trigo russo saltou de cerca de **1 milhão de toneladas** naquela safra para **48 milhões** no ano passado. Volume que simplesmente não estava no mercado nos El Niños anteriores.
- **Genética e manejo.** Híbridos de milho tolerantes à seca se disseminaram na África e nas Américas desde 2015; variedades de trigo tolerantes a calor e estresse hídrico avançaram na Índia e na Austrália; arroz de ciclo curto ajuda o Sul e o Sudeste Asiático a conviver com monções irregulares.
- **Informação.** Monitoramento de safra por satélite, previsão sazonal, mapas de umidade do solo em alta resolução, adubação guiada por GPS e plataformas de recomendação agronômica com IA são ferramentas que mal existiam em 1997-98. "Os governos têm informações muito melhores do que no passado e são capazes de se preparar com mais antecedência", disse à Reuters **Máximo Torero**, economista-chefe da FAO. Segundo a FAO, a produção agrícola mundial supera consumo e crescimento populacional desde a década de 1980.

O contraponto tem limite explícito. A seca já prejudicou o plantio em boa parte da Ásia — Índia, Sudeste Asiático e Austrália —, e a escassez de fertilizantes e diesel provocada pela guerra no Irã agrava o quadro. **Chris Hyde**, meteorologista da empresa de dados de satélite SkyFi, avalia que o evento deve se intensificar no quarto trimestre e no início de 2027, e que "o grande impacto da seca ainda está por vir". Nas palavras de **Andrew Whitelaw**, da consultoria australiana Episode 3: existe impacto potencial sobre oferta e preços, "mas nossa melhor preparação significa que as perturbações são muito menos graves do que teriam sido nas décadas anteriores". Ou seja: o argumento é de **amortecimento**, não de imunidade — em 1997-98 e 2015-16 a quebra de safra virou escassez, inflação e restrição de exportação de arroz no Sudeste Asiático, e é essa cadeia que os estoques atuais tornam menos provável.

## Impacto ecológico no Pacífico sul-americano

Fora do Brasil, o efeito mais visível do El Niño 2026 até agora está na costa de **Equador e Peru**. O aquecimento das águas desloca a corrente fria de Humboldt e derruba a produtividade marinha: a **anchoveta** (*Engraulis ringens*), base alimentar das aves marinhas da região, migra para águas mais profundas ou para latitudes extremas, e as aves que dependem de captura em superfície deixam de alcançá-la.

Os registros de aves afetadas começaram em **junho de 2026** e envolvem piquero-de-pés-azuis (*Sula nebouxii*), pelicano-peruano (*Pelecanus thagus*), corvo-marinho-de-guanay, pinguim-de-Humboldt e pinguim-de-Galápagos, além de albatrozes e petréis migratórios. Não há cifra oficial de mortalidade para 2026; como referência, em **2023** foram coletadas **576 aves** em uma única praia equatoriana entre junho e setembro (519 delas pardelas-cinzentas), e em **2017**, **585 aves** em três praias.

Pesquisadores ouvidos pela Mongabay — **Jhonnattan Valdés** (BirdLife Americas), **Ana Ágreda** (Aves y Conservación), **Carlos Zavalaga** (Universidade Científica do Sul, Peru) e **Paolo Piedrahita** (Escola Politécnica do Litoral, Equador) — apontam que o dano maior não é a mortandade visível, e sim o **fracasso reprodutivo**: ninhos abandonados por falta de alimento para os filhotes, o que descrevem como um "ano perdido" para essas populações, com recuperação medida em várias temporadas.

## Por que importa

ENSO é o principal driver de variabilidade climática interanual no Brasil. Um El Niño confirmado para o segundo semestre de 2026 e verão 2026/27 tem implicações diretas para:

- **Safra agrícola 2026/27** (soja, milho, trigo) — base do PIB do agro e da balança comercial.
- **Inflação de alimentos** — quebra de safra e seca em zonas produtoras pressiona preços.
- **Geração de energia** — hidrelétricas do Nordeste e do SE/CO podem ter afluências reduzidas, exigindo despacho térmico mais caro e elevando bandeiras tarifárias.
- **Defesa civil** — enchentes no Sul (como em RS/2024 sob condições diferentes mas com paralelos) e secas no Norte.
- **Saúde pública** — dengue tende a responder a anomalias de temperatura e chuva; queimadas amazônicas afetam qualidade do ar em todo o país.

## Fontes oficiais

- [NOAA CPC — ENSO Diagnostic Discussion](https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_advisory/ensodisc.shtml)
- [NOAA — El Niño forms, expected to strengthen (11/jun/2026)](https://www.noaa.gov/news-release/el-nino-forms-expected-to-strengthen-say-noaa-forecasters)
- [NOAA CPC — ENSO Probabilities (ROnI)](https://cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso/roni/probabilities.php)
- [IRI Columbia — ENSO Quick Look](https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/)
- [WMO — El Niño/La Niña Updates](https://wmo.int/media/news/wmo-likelihood-increases-of-el-nino)
- [CPTEC/INPE — Monitoramento ENOS](https://clima.cptec.inpe.br/enos)
- [INMET — El Niño está de volta](https://portal.inmet.gov.br/noticias/el-ni%C3%B1o-est%C3%A1-de-volta)
- [Nota Técnica Conjunta INPE/INMET/Funceme/CENSIPAM](https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/NotaTecnicaConjuntaElNino2026_INPEINMETFuncemeCENSIPAM.pdf)
- [NOAA Climate.gov — ENSO Blog](https://www.climate.gov/news-features/blogs/enso)
- [NOAA Climate.gov — ENSO (definições de El Niño e La Niña)](https://www.climate.gov/enso)
- [INMET — El Niño 2026: monitoramento, previsões e possíveis impactos no Brasil](https://portal.inmet.gov.br/noticias/el-ni%C3%B1o-2026-saiba-detalhes-sobre-o-monitoramento-previs%C3%B5es-e-os-poss%C3%ADveis-impactos-do-fen%C3%B4meno-no-brasil)
- [INMET — Painel El Niño 2026-2027](https://portal.inmet.gov.br/uploads/notastecnicas/Painel-El-Nin%CC%83o-2edicaofinal.pdf)
- [Agência Brasil — El Niño forte pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda (5/ago/2026)](https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-08/el-nino-forte-pode-levar-mais-49-milhoes-de-pessoas-fome-aguda)
- [Correio Braziliense — Governo prevê R$ 1,3 bilhão para ações de prevenção aos impactos do El Niño](https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/07/7470077-governo-preve-rs-13-bi-para-acoes-de-prevencao-ao-el-nino.html)
- [Correio Braziliense — El Niño provoca clima de extremos no Brasil em agosto](https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2026/08/7474001-previsao-do-tempo-el-nino-provoca-clima-de-extremos-no-brasil-em-agosto-com-calor-atipico-e-ciclone-a-caminho.html)
- [NOAA Climate.gov — Walker Circulation](https://www.climate.gov/news-features/blogs/enso/walker-circulation-ensos-atmospheric-buddy)
- [Poder360 — Governo decide reduzir geração hidrelétrica para enfrentar El Niño (5/ago/2026)](https://www.poder360.com.br/poder-energia/governo-decide-reduzir-geracao-hidreletrica-para-enfrentar-el-nino/)
- [InfoMoney — ONS: El Niño exigirá poupança de água em hidrelétricas do Sul para compensar seca (19/jun/2026)](https://www.infomoney.com.br/brasil/ons-el-nino-exigira-poupanca-de-agua-em-hidreletricas-do-sul-para-compensar-seca/)
- [Mongabay — Aves marinas muertas y nidos abandonados: la emergencia que deja El Niño en Ecuador y Perú (jul/2026)](https://es.mongabay.com/2026/07/aves-marinas-muertas-nidos-abandonados-el-nino-ecuador-peru/)
- [InfoMoney/Reuters — El Niño deve ser forte, mas atual sistema alimentar global está mais resiliente (11/ago/2026)](https://www.infomoney.com.br/economia/el-nino-deve-ser-forte-mas-atual-sistema-alimentar-global-esta-mais-resiliente/)
- [g1 — Como estoques recordes e avanço do agro brasileiro podem reduzir impacto do "super El Niño" no mundo (12/ago/2026)](https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/08/12/como-estoques-recordes-e-avanco-do-agro-brasileiro-podem-reduzir-impacto-do-super-el-nino-no-mundo.ghtml)
- [Senado — Chico Rodrigues alerta para impactos do El Niño em Roraima (11/ago/2026)](https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/08/11/chico-rodrigues-alerta-para-impactos-do-el-nino-em-roraima)
- [Correio Braziliense — El Niño tem mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte (13/ago/2026)](https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2026/08/7479861-el-nino-tem-mais-de-90-de-chance-de-atingir-intensidade-muito-forte.html)
- [EPAGRI/CIRAM — Nota meteorológica SDC/SC: El Niño segue em rápida intensificação (13/ago/2026)](https://ciram.epagri.sc.gov.br/index.php/2026/08/13/nota-meteorologica-sdc-sc-e-epagri-13-08-el-nino-segue-em-rapida-intensificacao-nos-proximos-meses/)
- [NOAA Ocean Service — What are El Niño and La Niña? (origem do nome)](https://oceanservice.noaa.gov/facts/ninonina.html)
- [Canal Rural — Safra 2026 de grãos é estimada em 353 milhões de toneladas pelo IBGE (13/ago/2026)](https://www.canalrural.com.br/agricultura/safra-2026-de-graos-e-estimada-em-353-milhoes-de-toneladas-pelo-ibge)

## Notícias recentes

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- [Senador alerta para impactos do El Niño na economia de Roraima](https://dailyjournal.news/news/2026-08-11/senador-alerta-para-impactos-do-el-nino-na-economia-de-roraima) (2026-08-11)
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