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title: "Crise Yanomami"
url: https://dailyjournal.news/topics/crise-yanomami
updated: 2026-10-29T23:22:07.977+00:00
categories: ["brazil", "politics", "science"]
type: topic
language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Crise Yanomami

A crise Yanomami é a crise humanitária e sanitária na Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas, ligada ao garimpo ilegal, que levou ao território malária, desnutrição e mercúrio. O Ministério da Saúde declarou emergência em 20 de janeiro de 2023. Segundo o governo, as mortes por malária caíram 80,8% até 2025 e a área de garimpo, 98,9% até fevereiro de 2026. A emergência segue em vigor, e uma subcomissão do Senado avalia as políticas no território.

## O que é a crise Yanomami

A crise Yanomami é a crise humanitária e sanitária na Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas, marcada por mortes por malária, desnutrição e infecções respiratórias, provocada sobretudo pela invasão do garimpo ilegal. Em 20 de janeiro de 2023, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no território.

- **Onde:** a Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil em extensão, com 9,66 milhões de hectares, na fronteira com a Venezuela.
- **Quem:** povos Yanomami e Ye'kwana. Em janeiro de 2023, o Ministério da Saúde contava mais de 30,4 mil habitantes, mais de 5 mil deles crianças.
- **Causa principal:** o garimpo ilegal de ouro e cassiterita, que leva doenças, contamina rios com mercúrio e espanta caça e peixe.
- **Situação em 2026:** o governo federal informa queda de mortes e do garimpo desde 2023. A emergência de saúde segue em vigor, e o Senado acompanha as políticas no território por uma subcomissão permanente.

## Onde fica a Terra Indígena Yanomami

O território ocupa o oeste de Roraima e o norte do Amazonas e faz fronteira com a Venezuela. Tem 9.664.975 hectares e se sobrepõe em parte ao Parque Nacional do Pico da Neblina e à Floresta Nacional do Amazonas.

A Terra Indígena foi criada em **25 de maio de 1992**, por decreto do presidente Fernando Collor, que homologou a demarcação fixada em 1991 pelo ministro da Justiça Jarbas Passarinho. Seguiu-se uma campanha internacional de apoio aos Yanomami, e os garimpeiros foram retirados da área.

A Casa de Saúde Indígena (Casai) que atende a população fica em Boa Vista.

## Quem são os Yanomami

Os Yanomami falam línguas da família ianomâmi (yanomam, yanomami, sanumá e ninam); os Ye'kwana, que dividem o território, falam uma língua caribe. Vivem em comunidades espalhadas pela floresta, muitas em malocas coletivas, e dependem da caça e da pesca.

Os primeiros contatos com não indígenas foram esparsos entre os anos 1910 e 1940. Missões religiosas, a abertura de estradas e projetos de mineração nos anos 1970 trouxeram epidemias de gripe, sarampo e coqueluche.

As principais organizações do povo são a **Hutukara Associação Yanomami (HAY)**, presidida pelo xamã e líder **Davi Kopenawa Yanomami**, e a **Urihi Associação Yanomami**, presidida por Waihiri Hekurari Yanomami. Kopenawa nasceu em 1956 no Alto Rio Toototobi, no Amazonas.

## O garimpo ilegal

O garimpo é o centro da crise. Os garimpeiros abrem pistas de pouso clandestinas e levam combustível, máquinas e mantimentos por avião. O mercúrio usado para separar o ouro contamina rios e peixes; o barulho das máquinas espanta a caça; e a presença de milhares de pessoas espalha malária e outras doenças.

Segundo o MapBiomas, a área de garimpo dentro da Terra Indígena passou de 414 hectares em 2020 para 1.556 hectares em 2021. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou ao Senado, em 27 de outubro de 2026, que 63,66 quilômetros quadrados de floresta e cursos d'água foram degradados pelo garimpo entre 2016 e 2024, atingindo 256 das 406 comunidades estudadas (63,1%).

## A emergência de saúde de 2023

Em 20 de janeiro de 2023, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, assinou a **Portaria GM/MS nº 28**, que declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional "em decorrência de desassistência à população Yanomami". A portaria criou o **Centro de Operações de Emergências (COE Yanomami)**, coordenado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), para organizar a resposta, contratar profissionais e comprar insumos.

No dia seguinte, o presidente [Lula](/topics/lula) e ministros foram a Roraima anunciar um pacote de ajuda. Em 30 de janeiro de 2023, uma portaria conjunta da Funai e da Sesai suspendeu novas autorizações de entrada no território enquanto durasse a emergência.

## Mortes e desnutrição: os números oficiais

Os dados abaixo vêm dos informes do COE Yanomami, do [Ministério da Saúde](/topics/ministerio-da-saude):

- **Mortes em geral:** 428 em 2023 e 337 em 2024, queda de 21% (Informe nº 7, maio de 2025). As mortes por causas evitáveis caíram de 179 para 132.
- **Malária:** queda de 80,8% nas mortes entre janeiro de 2023 e o fim de 2025 (Informe nº 9, 8 de abril de 2026). Os testes passaram de 144.986 para 257.930 por ano.
- **Desnutrição:** as mortes caíram 53,2% entre 2023 e 2025. A parcela de crianças menores de 5 anos com peso adequado subiu de 45,4% para 53,8%, e a de crianças com muito baixo peso caiu de 24,2% para 15,2% (Informe nº 9).
- **Infecções respiratórias:** as mortes caíram 16,7% desde o início da resposta, e a letalidade, 76% (Informe nº 9).
- **Profissionais de saúde:** de 690 no início de 2023 para mais de 2.130 em 2026.
- **Vacinação:** crianças menores de 1 ano com esquema completo passaram de 27% em 2023 para 60,6% em 2025.

Até abril de 2024, o ministério reabriu os sete polos-base de saúde fechados por falta de segurança diante do garimpo (Kayanaú, Homoxi, Hakoma, Ajaraní, Haxiú, Xitei e Palimiú). Os números são do governo federal. Em audiência no Senado em 27 de outubro de 2026, lideranças indígenas ainda cobraram segurança alimentar, água potável e proteção às crianças.

## A retirada dos garimpeiros

A desintrusão, nome oficial da retirada dos invasores, começou em 2023. Fiscais do Ibama e militares das Forças Armadas inutilizaram aviões, pistas de pouso e equipamentos do garimpo, e houve prisões. Em janeiro de 2024, com a volta de invasores, o governo decidiu manter um contingente militar permanente na região. A Operação Catrimani II, das Forças Armadas, atua contra o garimpo no território desde 1º de abril de 2024.

Uma **Casa de Governo**, em Boa Vista, coordena as ações desde 2024. Em 26 de fevereiro de 2026, no balanço de dois anos, o diretor da Casa de Governo, Nilton Tubino, informou a lideranças Yanomami, Ye'kwana, Sanöma e Ninam uma redução de **98,9% da área ocupada pelo garimpo ilegal** até fevereiro de 2026. As lideranças relataram tentativas de invasores de voltar a áreas desocupadas, e o governo discutiu integrar os alertas enviados pelas associações indígenas ao monitoramento.

## Recuperação ambiental

A Funai e a Universidade de Brasília (UnB) elaboraram com lideranças e pajés o **Plano de Recuperação Ambiental Yanomami Ye'kwana**. Ele prevê recuperar 356,7 hectares degradados pelo garimpo em cinco anos, com R$ 37,3 milhões, e até 1.057,8 hectares em dez anos, segundo a presidente da Funai, Lúcia Alberta Baré.

## O Senado e a Subcomissão Yanomami

A **Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami (CDHYANOM)**, ligada à Comissão de Direitos Humanos do Senado, foi composta em 28 de abril de 2026. Em 6 de maio de 2026, elegeu presidente a senadora [Damares Alves](/topics/damares-alves) (Republicanos-DF). Os titulares são Damares Alves, Roberta Acioly (Republicanos-RR), Marcio Bittar (PL-AC), Flávio Arns (PSB-PR) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

Em 27 de outubro de 2026, a subcomissão fez audiência pública sobre a efetividade das políticas no território, com Funai, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e lideranças indígenas. Waihiri Hekurari Yanomami pediu proteção às comunidades, sobretudo às crianças, e o apoio do Congresso.

Em 29 e 30 de outubro de 2026, a subcomissão fez diligência a Manaus e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com visitas a unidades de saúde, reuniões com as Forças Armadas e a Funai e uma audiência com lideranças na Câmara de Vereadores de São Gabriel. A entrada na Terra Indígena não foi autorizada. Damares Alves disse que o colegiado precisa definir se a emergência de saúde decretada em 2023 deve ser prorrogada.

## Linha do tempo

- **25 mai. 1992:** decreto homologa a Terra Indígena Yanomami, com 9,66 milhões de hectares.
- **2020-2021:** área de garimpo no território passa de 414 para 1.556 hectares, segundo o MapBiomas.
- **20 jan. 2023:** Portaria GM/MS nº 28 declara emergência em saúde pública e cria o COE Yanomami.
- **21 jan. 2023:** Lula visita Roraima e anuncia ajuda federal.
- **Jan. 2024:** governo decide manter presença militar permanente no território.
- **1º abr. 2024:** começa a Operação Catrimani II.
- **Abr. 2024:** reabertos os sete polos-base de saúde fechados pelo garimpo.
- **5 mai. 2025:** Ministério da Saúde informa queda de 21% nas mortes em 2024.
- **26 fev. 2026:** Casa de Governo informa redução de 98,9% da área de garimpo.
- **8 abr. 2026:** Informe nº 9 aponta queda de 80,8% nas mortes por malária.
- **6 mai. 2026:** Damares Alves é eleita presidente da Subcomissão Yanomami do Senado.
- **27 out. 2026:** audiência no Senado avalia políticas no território.
- **29-30 out. 2026:** subcomissão faz diligência em Manaus e São Gabriel da Cachoeira (AM).

## Perguntas frequentes

### O que é a crise Yanomami?

É a crise humanitária e sanitária na Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas, com mortes por malária e desnutrição ligadas ao garimpo ilegal. O governo declarou emergência de saúde em 20 de janeiro de 2023.

### Onde fica a Terra Indígena Yanomami?

No oeste de Roraima e no norte do Amazonas, na fronteira com a Venezuela. Tem 9,66 milhões de hectares e foi homologada em 25 de maio de 1992.

### Quando começou a crise Yanomami?

A crise se agravou a partir de 2019 com a invasão do garimpo, cuja área quase quadruplicou de 2020 para 2021. A emergência de saúde foi declarada em 20 de janeiro de 2023.

### A crise Yanomami acabou?

Não oficialmente. A emergência de saúde segue em vigor em outubro de 2026. O governo informa queda nas mortes por malária (80,8%) e por desnutrição (53,2%) entre 2023 e 2025 e redução de 98,9% da área de garimpo até fevereiro de 2026.

### Quem é Davi Kopenawa?

É xamã e líder Yanomami, nascido em 1956, presidente da Hutukara Associação Yanomami.

## Notícias recentes

- [Subcomissão do Senado discute crise humanitária Yanomami no Amazonas](https://dailyjournal.news/news/2026-11-03/audiencia-no-senado-discute-crise-humanitaria-e-garimpo-em-terra-yanomami) (2026-11-03)
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