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title: "COP30"
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updated: 2026-11-08T07:09:00.584+00:00
categories: ["brazil", "world", "science"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# COP30

A COP30 foi a conferência do clima da ONU de 2025, realizada em Belém (PA) de 10 a 22 de novembro, a primeira na Amazônia. Presidida pelo diplomata André Corrêa do Lago, terminou com o Pacote de Belém: 29 decisões que pedem triplicar o financiamento para adaptação até 2035 e criam um mecanismo de transição justa, sem um roteiro para abandonar os combustíveis fósseis. O Brasil entregou roteiros voluntários sobre fósseis e desmatamento e passa a presidência à COP31, em Antália.

## O que é a COP30

A COP30 foi a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), realizada em Belém, no Pará, de 10 a 22 de novembro de 2025. É a cúpula anual em que os países negociam a resposta às [mudanças climáticas](/topics/mudancas-climaticas). Foi a primeira COP sediada no Brasil e a primeira na Amazônia.

O encerramento estava marcado para 21 de novembro, mas as negociações atravessaram a madrugada e o texto final só foi aprovado na tarde de 22 de novembro. A conferência coincidiu com os dez anos do Acordo de Paris e terminou com o chamado Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões aprovadas por consenso pelas 195 Partes. A transição para longe dos combustíveis fósseis, tema mais disputado, ficou fora do texto negociado.

Antes da conferência, nos dias 6 e 7 de novembro de 2025, Belém recebeu a Cúpula do Clima, o encontro de chefes de Estado e de governo, em que o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

## Onde foi e por que em Belém

A conferência ocorreu no Parque da Cidade, em Belém, que abrigou a Zona Azul, área restrita a negociadores e participantes credenciados pela ONU, e a Zona Verde, aberta ao público.

O presidente [Lula](/topics/lula) apresentou a candidatura do Brasil na COP27, no Egito, em novembro de 2022, logo depois de eleito, e oficializou a candidatura de Belém em janeiro de 2023. Segundo o Itamaraty, a ONU aprovou a capital paraense em 18 de maio de 2023, e Lula anunciou a escolha em 26 de maio, ao lado do governador do Pará, [Helder Barbalho](/topics/helder-barbalho). O argumento era levar a conferência à Amazônia: "Se todos falavam da Amazônia, por que, então, não fazer a COP num estado da Amazônia, para que eles conheçam o que é?", disse Lula no anúncio.

## Quem presidiu a COP30

O presidente da COP30 foi o diplomata André Corrêa do Lago, negociador de clima do Itamaraty, nomeado por Lula em janeiro de 2025. A diretora-executiva da conferência foi Ana Toni. A ministra do Meio Ambiente, [Marina Silva](/topics/marina-silva), e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participaram das negociações e das reuniões com manifestantes.

A presidência de uma COP dura um ano. O Brasil presidiu a conferência até a abertura da [COP31](/topics/cop31), em Antália, na Turquia, em 9 de novembro de 2026. Nesse período, Corrêa do Lago e Ana Toni conduziram os roteiros anunciados no encerramento de Belém.

## Participação

A COP30 foi a segunda maior COP da história em número de inscritos, com 56.118 delegados registrados, atrás apenas da COP28, em Dubai. O Brasil teve a maior delegação, com 3.805 pessoas. A conferência teve mais de 900 indígenas credenciados, segundo Ana Toni, contra cerca de 300 na COP29, em Baku.

Os Estados Unidos, pela primeira vez, não enviaram delegação oficial. O governo de [Donald Trump](/topics/donald-trump) havia anunciado a saída do Acordo de Paris.

## Resultados: o Pacote de Belém e o Mutirão Global

As 195 Partes aprovaram o Pacote de Belém em 22 de novembro de 2025. As principais decisões:

- **Decisão do Mutirão Global.** Texto político central da COP30, reafirma a ambição coletiva de passar da negociação à implementação do Acordo de Paris. Cria o Acelerador Global de Implementação, iniciativa voluntária das presidências da COP30 e da COP31 para ajudar os países a cumprir suas metas nacionais (NDCs) e planos de adaptação, e a Missão Belém para 1,5 °C, plataforma da troica COP29-COP30-COP31.
- **Financiamento.** O texto pede triplicar o financiamento para adaptação até 2035 e reafirma a meta de mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para ação climática nos países em desenvolvimento, como acordado em Baku.
- **Adaptação.** Os países aprovaram 59 indicadores voluntários para medir o avanço da Meta Global de Adaptação, e concluíram o Roteiro de Adaptação de Baku para 2026 a 2028.
- **Transição justa.** Foi criado um mecanismo de transição justa para apoiar trabalhadores e comunidades na troca de matriz energética.
- **Gênero e informação.** Foi aprovado um Plano de Ação de Gênero e, pela primeira vez, o texto reconhece a necessidade de combater a desinformação climática. Lula havia chamado a conferência de "COP da verdade" na abertura.

Mais de 122 países apresentaram NDCs novas ou atualizadas até o fim da conferência.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a COP30 trouxe avanços, mas que não podia "fingir que a COP30 entregou tudo o que é necessário". Para críticos, o resultado foi fraco por não incluir um plano para abandonar os combustíveis fósseis e por não definir quem paga a triplicação do financiamento de adaptação.

## Os roteiros de fósseis e desmatamento

O ponto mais disputado foi um roteiro para a transição para longe dos combustíveis fósseis. Mais de 80 países apoiaram a proposta brasileira de um roteiro formal, e uma versão preliminar do texto chegou a incluí-lo, mas ele caiu nas horas finais por resistência de países produtores de petróleo. O texto aprovado cita apenas o Consenso dos Emirados Árabes Unidos, a decisão da COP28 que pede a transição para longe dos combustíveis fósseis.

No encerramento, Corrêa do Lago anunciou dois roteiros da própria presidência brasileira, fora da negociação formal: um para a transição longe dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa, e outro para deter e reverter o desmatamento.

Corrêa do Lago e Ana Toni apresentaram os dois roteiros em 3 de novembro de 2026, em Brasília, como contribuições voluntárias e não prescritivas da presidência, que não são objeto de negociação. Uma chamada pública na plataforma da UNFCCC recebeu 267 contribuições, 21 delas de Partes ou grupos de Partes que representam 115 países. O roteiro dos combustíveis fósseis tem no centro o Índice Belém de Prontidão para a Transição, que mede a exposição de cada país aos fósseis e sua capacidade de fazer a transição pela demanda de energia, pela oferta e pela economia como um todo. Corrêa do Lago disse que os documentos servirão de contribuição ao novo Balanço Global, que começa na COP31, e não serão "letra morta".

Em paralelo, o governo brasileiro trabalha no seu próprio Mapa do Caminho nacional. Em 6 de novembro de 2026, com Lula presente, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), com as ações dos próximos 4 anos, e uma resolução com 18 diretrizes para o Mapa do Caminho Nacional para a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis. A resolução cria um grupo de trabalho interministerial coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e dá 270 dias para a elaboração do mapa, segundo o Planalto. O governo informou que a meta é concluí-lo até a COP32, em 2027, na Etiópia. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, disse que "nunca houve compromisso" de levar o mapa pronto à COP31. No mesmo dia, o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima aprovou o mapa nacional para interromper e reverter o desmatamento até 2030.

## O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)

O TFFF, principal iniciativa do Brasil na COP30, foi lançado em 6 de novembro de 2025, na Cúpula do Clima de Belém. Não é um fundo de doações: o dinheiro de países e investidores é aplicado em renda fixa, e a diferença entre o rendimento e o custo do capital remunera os países que mantêm suas florestas tropicais em pé, com pagamento anual por hectare conservado e monitorado por satélite. Pelo menos 20% dos recursos vão para povos indígenas e comunidades locais, e o fundo não pode investir em combustíveis fósseis.

No lançamento, 53 países assinaram a declaração do fundo e foram anunciados mais de US$ 5,5 bilhões: a Noruega prometeu US$ 3 bilhões em dez anos, sob condições; Brasil e Indonésia, US$ 1 bilhão cada; a França, até US$ 577 milhões até 2030. A meta de médio prazo é um fundo de US$ 125 bilhões, US$ 25 bilhões de países patrocinadores e US$ 100 bilhões de investidores institucionais.

O TFFF não fazia parte da negociação oficial da COP; é uma iniciativa paralela, que a presidência brasileira seguiu promovendo ao longo de 2026.

## Polêmicas

**Hospedagem.** Belém tinha cerca de 18 mil leitos de hotel para uma conferência que esperava mais de 45 mil pessoas. Diplomatas relataram diárias de até US$ 700, e o Grupo Africano pediu uma reunião de emergência do bureau da ONU em julho de 2025. O governo contratou dois navios de cruzeiro, o Costa Diadema e o MSC Seaview, com cerca de 3.900 cabines, a até US$ 220 por noite para 98 países em desenvolvimento e pequenas ilhas. Em outubro de 2025, a Reuters relatou que países consideravam reduzir suas delegações ou não comparecer por causa dos preços.

**Obras e licitações.** As obras de preparação incluíram o Parque da Cidade e melhorias de saneamento e drenagem. A construção da Avenida Liberdade, rodovia de quatro faixas em área de floresta, foi criticada por ambientalistas; o governo do Pará e a organização da COP negaram ligação entre a obra e a conferência. Em 21 de janeiro de 2026, o [Tribunal de Contas da União](/topics/tcu) concluiu que a licitação conduzida pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para montar as zonas Azul e Verde teve falhas que aumentaram o risco de sobrepreço, com indícios de preços até 1.000% acima do mercado em itens como mobiliário. O tribunal manteve os contratos e não aplicou sanções; a OEI contestou as conclusões.

**Petróleo na Foz do Amazonas.** Em 20 de outubro de 2025, 20 dias antes da conferência, o Ibama concedeu à [Petrobras](/topics/petrobras) licença para perfurar um poço exploratório no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá. O Observatório do Clima chamou a decisão de "sabotagem" à agenda climática e à liderança do Brasil na COP30; o Ibama afirmou que a licença saiu de um processo rigoroso de licenciamento.

**Protestos.** Na noite de 11 de novembro de 2025, um grupo estimado em 150 ativistas forçou a entrada na Zona Azul; em carta ao governo brasileiro, o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, apontou falhas de segurança e de infraestrutura. Em 14 de novembro, cerca de 90 indígenas Munduruku bloquearam por cerca de uma hora a entrada principal da Zona Azul. Pediam reunião com Lula, a revogação do Decreto 12.600/2025, que prioriza hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, e proteção contra grandes obras em seus territórios. Foram recebidos por Corrêa do Lago e pelas ministras Marina Silva e Sônia Guajajara; Ana Toni chamou os atos de legítimos.

**Incêndio.** Em 20 de novembro de 2025, um incêndio atingiu o Pavilhão dos Países, na Zona Azul. O fogo foi controlado em cerca de seis minutos, e 21 pessoas foram atendidas, 19 por inalação de fumaça e duas por crise de ansiedade, sem queimados. A Zona Azul foi evacuada e reaberta por volta das 20h40, com as plenárias da noite suspensas.

## O que a COP30 deixou para a COP31

A [COP31](/topics/cop31) ocorre de 9 a 20 de novembro de 2026 em Antália, na Turquia, com a Turquia na presidência da conferência e a Austrália na presidência das negociações; o arranjo foi fechado durante a COP30. Da agenda de Belém, Antália herda:

- a definição de como funciona o mecanismo de transição justa;
- o refinamento dos 59 indicadores de adaptação;
- o programa de trabalho sobre financiamento e a meta de triplicar o financiamento para adaptação;
- a Missão Belém para 1,5 °C e o Acelerador Global de Implementação;
- os roteiros voluntários da presidência brasileira sobre combustíveis fósseis e desmatamento.

Lula confirmou presença na cúpula de líderes da COP31, em 11 e 12 de novembro de 2026, quando a presidência brasileira passa à Turquia.

## Linha do tempo

- **Novembro de 2022**: na COP27, no Egito, Lula, recém-eleito, propõe sediar a COP30 na Amazônia.
- **18 de maio de 2023**: a ONU aprova Belém como sede; Lula anuncia a escolha em 26 de maio.
- **Janeiro de 2025**: André Corrêa do Lago é nomeado presidente da COP30.
- **20 de outubro de 2025**: o Ibama licencia a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas.
- **6 e 7 de novembro de 2025**: Cúpula do Clima em Belém; lançamento do TFFF.
- **10 de novembro de 2025**: abertura da COP30.
- **14 de novembro de 2025**: indígenas Munduruku bloqueiam a entrada da Zona Azul.
- **20 de novembro de 2025**: incêndio no Pavilhão dos Países.
- **22 de novembro de 2025**: aprovação do Pacote de Belém e anúncio dos roteiros da presidência.
- **21 de janeiro de 2026**: o TCU aponta falhas nas licitações das zonas Azul e Verde.
- **3 de novembro de 2026**: a presidência da COP30 apresenta os roteiros de fósseis e desmatamento.
- **6 de novembro de 2026**: o CNPE aprova o Plano Nacional de Transição Energética e 18 diretrizes para o Mapa do Caminho nacional.
- **9 de novembro de 2026**: abertura da COP31, em Antália, e fim da presidência brasileira.

## Perguntas frequentes

### O que é a COP30?

A COP30 foi a conferência do clima da ONU de 2025, realizada em Belém (PA) de 10 a 22 de novembro, em que 195 Partes aprovaram o Pacote de Belém, com 29 decisões sobre financiamento, adaptação e transição justa.

### Onde foi a COP30?

Em Belém, no Pará, no Parque da Cidade, que abrigou a Zona Azul das negociações e a Zona Verde aberta ao público.

### Quando foi a COP30?

De 10 a 22 de novembro de 2025. O encerramento estava previsto para 21 de novembro, mas as negociações avançaram até a tarde do dia 22. A Cúpula do Clima, com chefes de Estado, foi em 6 e 7 de novembro.

### Qual era o objetivo da COP30?

Acelerar a implementação do Acordo de Paris, dez anos depois de assinado: financiamento para os países em desenvolvimento, adaptação, transição justa e novas metas nacionais de redução de emissões.

### Quais foram os resultados da COP30?

O Pacote de Belém pede triplicar o financiamento para adaptação até 2035, cria um mecanismo de transição justa e aprova 59 indicadores de adaptação. Um roteiro para abandonar os combustíveis fósseis ficou fora do texto.

### Quem é Ana Toni?

Foi a diretora-executiva da COP30 e conduziu com André Corrêa do Lago os roteiros da presidência brasileira até a COP31.

### O que é o Mapa do Caminho da COP30?

São dois roteiros voluntários da presidência brasileira, um para a transição longe dos combustíveis fósseis e outro para deter o desmatamento, anunciados no encerramento de Belém e apresentados em 3 de novembro de 2026. O Brasil também prepara um mapa nacional, cujas 18 diretrizes o CNPE aprovou em 6 de novembro de 2026.

### Como participar da COP?

A Zona Azul é restrita a delegações oficiais, observadores e imprensa credenciados na UNFCCC; na COP30, a Zona Verde foi aberta ao público. A próxima é a COP31, em Antália.

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