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title: "Apple"
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updated: 2026-09-17T10:11:26.715+00:00
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Apple

A Apple é uma gigante tecnológica norte-americana que projeta dispositivos como iPhone, Mac e Apple Watch, além de oferecer serviços digitais e sistemas operacionais. A empresa vive um momento de transição de liderança, com John Ternus assumindo como CEO em setembro de 2026, e aposta na inteligência artificial integrada ao seu ecossistema. Recentemente, a companhia expandiu seu portfólio com o lançamento do iPhone dobrável e enfrenta desafios regulatórios e de mercado relacionados à sua App Store.

## O que é a Apple

A Apple Inc. é uma empresa de tecnologia norte-americana com sede em Cupertino, na Califórnia. Projeta e vende computadores (Mac), smartphones (iPhone), tablets (iPad), relógios inteligentes (Apple Watch) e acessórios, além dos sistemas operacionais que rodam neles (iOS, macOS, watchOS) e de um conjunto de serviços por assinatura — App Store, Apple Music, Apple TV, iCloud e Apple Pay, entre outros.

Em 28 de julho de 2026, a ação da Apple subiu 1,8% na abertura, a US$ 342,89, e a empresa ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado — movimento intradiário, já que o papel devolveu a alta e fechou o dia praticamente estável. Foi a segunda empresa da história a alcançar esse patamar, depois da Nvidia. No acumulado de 2026 até aquela data, a ação subia cerca de 25%. Em 8 de setembro de 2026, o valor de mercado estava em US$ 4,61 trilhões, com alta acumulada de 16,2% no ano.

## História e origem

A Apple foi fundada em 1º de abril de 1976, na Califórnia, por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne. O primeiro produto foi o Apple I, um protótipo do qual cerca de 200 unidades foram vendidas. O Apple II, de 1977, foi o primeiro grande sucesso comercial da empresa.

Em 1983 veio o Apple Lisa, primeiro computador da empresa com interface gráfica, e em 1984 o Macintosh 128K. Jobs deixou a Apple em 1985 e fundou a NeXT Computer. Retornou em 1997, quando a Apple comprou a NeXT, e conduziu a reestruturação que produziu a sequência de lançamentos seguinte: o iPod, em 2001, que reorganizou o mercado de música portátil; o iPhone, em 2007; e o iPad, em 2010.

Tim Cook assumiu o comando da empresa em 2011, ano da morte de Jobs. Em 2 de agosto de 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a valer US$ 1 trilhão.

## Quem comanda a Apple

Em 20 de abril de 2026, a Apple anunciou a transição de comando: Tim Cook passou a presidente executivo do conselho de administração (executive chairman) e John Ternus assumiu como CEO em 1º de setembro de 2026. Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos, tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013 e passou a integrar o time executivo em 2021, como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware.

No comunicado, Cook descreveu o sucessor como alguém que "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra". Ternus afirmou ter tido "a sorte de trabalhar sob Steve Jobs e de ter Tim Cook como mentor" ao longo da carreira. Arthur Levinson, presidente do conselho, disse que "a liderança sem precedentes de Tim transformou a Apple na melhor empresa do mundo". O diretor financeiro é Kevan Parekh.

Ao formalizar a troca, a Apple informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) os pacotes de remuneração dos dois. Para o ano fiscal de 2027, Ternus tem alvo de cerca de US$ 58 milhões: salário de US$ 3 milhões e ações restritas (RSUs) com valor-alvo de US$ 55 milhões, das quais 25% liberadas pelo tempo de casa, em parcelas semestrais ao longo de quatro anos, e 75% condicionadas ao desempenho da ação da Apple em relação às demais empresas do S&P 500. Recebeu ainda uma concessão proporcional de US$ 2,5 milhões referente ao ano fiscal de 2026. Cook tem alvo de cerca de US$ 47 milhões como executive chairman: salário de US$ 2 milhões e ações com valor-alvo de US$ 45 milhões, metade atrelada ao tempo e metade ao desempenho.

A troca de comando veio acompanhada de uma reorganização do time executivo. Em 31 de agosto de 2026, véspera da posse de Ternus, Phil Schiller deixou o comando da App Store e dos eventos de produto, funções que acumulava havia anos — foi vice-presidente sênior de marketing mundial até 2020, quando se tornou Apple Fellow, cargo que mantém, agora dedicado a iniciativas não especificadas. A App Store passou para a área de Serviços, sob Eddy Cue, com Carson Oliver na operação do dia a dia, reportando diretamente a Cue. Os eventos ficaram com Nola Weinstein, adjunta de Schiller na função desde 2023, que passa a se reportar a Kristin Huguet Quayle, vice-presidente de comunicação da empresa. A apresentação de 9 de setembro é a primeira sob a coordenação de Weinstein.

## iPhone e as linhas de produto

O iPhone, lançado em 2007, é o principal produto da empresa em receita.

Além do iPhone, a Apple mantém as linhas Mac (computadores), iPad (tablets), Apple Watch (relógios) e acessórios como AirPods, além do software que roda em todas elas.

Em 13 de setembro de 2026, o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, informou que a empresa desenvolve um controle de jogo para iPhone que deve ser vendido sob a marca Beats, com o projeto supervisionado por executivos da própria Beats. Referências a dois modelos, identificados como T6502 e T1057, apareceram no código de uma versão beta do macOS, com menções a direcional, alavancas analógicas, motores de vibração e, possivelmente, acelerômetro e giroscópio para controles de movimento. A Apple não anunciou o produto nem data de lançamento.

## O evento de 9 de setembro de 2026

Em 9 de setembro de 2026, às 10h no horário do Pacífico (14h em Brasília), a Apple realizou no Steve Jobs Theater, em Cupertino, o evento "Surprise and shine", primeiro sob o comando de John Ternus. Foram apresentados o iPhone Duo — o primeiro dobrável da empresa —, os iPhone 18 Pro e Pro Max, o Apple Watch Series 12 e o Ultra 4, os AirPods 5, uma versão redesenhada do aplicativo Saúde e a data de lançamento do iOS 27.

No palco, Ternus posicionou o iPhone como centro da estratégia de inteligência artificial da empresa: "não há produto no mundo mais bem projetado para ser o seu hub pessoal inteligente do que o iPhone". A formulação retoma a estratégia de "hub digital" que Steve Jobs apresentou em 2001, quando defendeu a permanência do computador pessoal e anunciou o iPod como aparelho complementar.

A empresa aproveitou o evento para lançar o AppleCare One Family, plano que estende a cobertura de garantia a todos os aparelhos elegíveis de um grupo de Compartilhamento Familiar de até seis pessoas, por US$ 49,99 mensais, disponível inicialmente nos Estados Unidos.

## iPhone Duo

O iPhone Duo tem tela interna Super Retina XDR de 7,6 polegadas — 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max — e tela externa de 5,4 polegadas, ambas com ProMotion, modo Always On e brilho de pico de 3.000 nits. Roda o chip A20 Pro, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos e dois Neural Engines de 16 núcleos. O conjunto de câmeras traseiras reúne uma Fusion de 48 megapixels com zoom óptico de 2x e uma ultra-angular. A bateria é dupla e a empresa informa até 31 horas de reprodução de vídeo na tela interna e 44 horas na externa.

O corpo é de titânio grau 5, com proteção Ceramic Shield 2 e certificação IP68. O Touch ID voltou, posicionado no botão lateral, no lugar do Face ID, e o aparelho é o primeiro iPhone compatível com o Apple Pencil, com uma versão do iOS reorganizada para multitarefa em telas de tamanhos e orientações diferentes. A dobradiça é de alumínio grau 5 e reúne mais de cem componentes desenvolvidos especificamente para ela; a Apple informou ter usado inteligência artificial e impressão 3D no projeto e na fabricação da peça.

Nos Estados Unidos, o preço parte de US$ 1.999 na configuração de 256 GB e chega a US$ 3.199 na de 2 terabytes, nas cores branco estelar e céu noturno. No Brasil, os valores vão de R$ 21.999 (256 GB) a R$ 30.999 (2 TB), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e entrega a partir de 23 de outubro. Uma capa oficial do aparelho custa R$ 1.299. A linha de acessórios próprios do aparelho tem duas peças: a iPhone Duo Case, capa de duas partes que envolve os dois lados do aparelho, nas cores areia e azul-marinho, por US$ 79; e a iPhone Duo Folio, com apoio embutido que se ajusta a vários ângulos, nas cores azul-marinho e taupe, por US$ 129. As duas têm ímãs integrados compatíveis com MagSafe, com Qi2 de até 25 W e com carregadores certificados pelo padrão Qi, e ficam disponíveis para encomenda a partir de 16 de outubro de 2026.

O desenvolvimento se arrastou por anos. Segundo a Bloomberg, equipes da Apple já estudavam o formato antes de a Samsung popularizar a categoria com o Galaxy Fold, em 2019, e o projeto foi acelerado a partir de 2020, por interesse direto de Tim Cook. A saída encontrada para o vinco — a marca que aparece no centro da tela pelo uso repetido da dobra — combinou a nova dobradiça a um vidro protetor desenvolvido com a Corning. A tentativa de eliminar esse vinco é apontada como uma das causas do gargalo de produção: segundo o Nikkei Asia, a Apple acrescentou em agosto de 2026 mais uma rodada de testes à linha de montagem, que passou a operar em ritmo lento. A escassez global de memória encareceu a produção, e a empresa manteve a entrada no preço-alvo de US$ 1.999 que havia estabelecido, repassando o custo extra às configurações de maior armazenamento.

O gargalo já apareceu nas projeções. Em 15 de setembro de 2026, o analista Jeff Pu reduziu a estimativa de remessas do aparelho em 2026 de 7 milhões para 6 milhões de unidades, atribuindo o corte às restrições no fornecimento da dobradiça. Na mesma conta, o iPhone 18 Pro e o Pro Max somariam cerca de 72 milhões de unidades no ano, doze vezes o volume do dobrável. A limitação pode deixar o Duo em falta nas lojas logo depois da chegada às vendas, em 23 de outubro de 2026.

## iPhone 18 Pro e Pro Max

Os iPhone 18 Pro e Pro Max mantêm o desenho da geração anterior, com Dynamic Island menor, e estreiam o chip A20 Pro, fabricado em processo de 2 nanômetros, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos até 40% mais rápida e Neural Engine de 32 núcleos. O sistema de resfriamento passou a usar câmara de vapor. As cores são preto profundo, prata, glaciar e bordô.

A câmera principal é uma Fusion de 48 megapixels com abertura variável, controlada por seis lâminas cortadas a laser, com quatro configurações de lente e cerca de 50% mais luz em ambientes escuros. As quatro posições do diafragma vão de f/1.8 a f/4. O recurso já havia aparecido em celulares: a Samsung usou um diafragma mecânico, de duas posições (f/1.5 e f/2.4), no Galaxy S9, de 2018, e no Galaxy S10, e o abandonou na geração seguinte, o Galaxy S20, sem explicação oficial. O aplicativo ganhou controles manuais de velocidade do obturador e balanço de branco, além de histograma e waveform, e o aparelho grava vídeo em 4K com Dolby Vision HDR. O Pro Max chega a 45 horas de reprodução de vídeo.

O primeiro resultado público de desempenho saiu em 10 de setembro de 2026: no Geekbench, o iPhone 18 Pro marcou 4.719 pontos em núcleo único e 12.677 em multinúcleo, contra 3.753 e 11.259 do Galaxy S26 Ultra, da Samsung, que roda o Snapdragon 8 Gen 5 Elite — uma vantagem de cerca de 26% e 13%, respectivamente.

Os modelos também trazem o Apple Reference Image, recurso que funciona como um negativo digital: usa dados do sensor da câmera, processados no Private Cloud Compute, para atestar que uma fotografia não foi alterada por inteligência artificial depois do registro. O aparelho suporta ainda o padrão SynthID de marcação de conteúdo sintético.

Em 15 de setembro de 2026, a Apple publicou no blog de pesquisa de segurança da empresa a arquitetura técnica do recurso. A cadeia de confiança começa na fábrica: ao ser ativado pela primeira vez, o sensor de imagem gera um par de chaves criptográficas ECDSA P-256 e nunca entrega a metade privada, enquanto a linha de montagem registra apenas a chave pública, acompanhada de um certificado. O Secure Enclave, o processador isolado do aparelho, passa por um processo equivalente, com certificação da Basic Attestation Authority da própria Apple. No momento do registro, o sensor assina os dados do quadro digitalizado junto com os metadados embutidos, e o Secure Enclave assina os metadados vindos do sistema — zoom, exposição e parâmetros da lente —, com marcação de tempo no padrão RFC 3161 entregue pelo serviço de notificações da empresa. O revelado da imagem acontece no Private Cloud Compute, que roda software auditável publicamente a partir de um registro de transparência somente-adição, calcula uma pontuação de confiança sobre a foto ter ou não as características físicas esperadas de um sensor e assina o arquivo final com uma assinatura híbrida resistente a computação quântica. Quem recebe a imagem verifica a assinatura e confere se o identificador da foto não consta de uma lista de revogação.

A empresa também levou o novo sistema de câmeras a uma exposição. Em 16 de setembro de 2026, a Apple anunciou a mostra "What Holds Us", com curadoria de Kathy Ryan, ex-diretora de fotografia da revista The New York Times Magazine, reunindo imagens feitas exclusivamente com o iPhone 18 Pro por três fotógrafos: Jimmy Chin, com montanhas e escalada nas Bugaboo, na Colúmbia Britânica; Jack Davison, com retratos de estúdio em Londres em que os retratados manipulam argila e giz; e Alex Prager, com cenas de multidão registradas num estúdio de Los Angeles. A exposição ficou em cartaz em Nova York de 18 a 20 de setembro de 2026 e, nos meses seguintes, segue para Londres e Xangai. No material de divulgação, Ryan afirmou que "o que torna o iPhone uma ferramenta criativa tão convincente é a imediatez — ele coloca a capacidade de ver, experimentar e criar diretamente nas mãos de todos".

Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro parte de US$ 1.199 e o Pro Max de US$ 1.299 — US$ 100 a mais que os equivalentes da linha 17 Pro. No Brasil, os preços vão de R$ 11.999 (18 Pro, 256 GB) a R$ 21.999 (18 Pro Max, 2 TB). A pré-venda começa em 12 de setembro de 2026 e as vendas em 18 de setembro.

Os modelos iPhone 18 e iPhone 18 Air não foram apresentados no evento e são esperados para o fim de março ou o início de abril de 2027 — a primeira vez que a empresa divide o lançamento de uma geração em duas ondas.

Em 14 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, detalhou o que deve compor essa segunda onda. Para o primeiro semestre de 2027, além do iPhone 18, com o chip A20, a empresa prepara o iPhone 18e e o iPhone Air 2, este com o A20 Pro, um iPad Air com tela OLED, um MacBook Neo com chip A19 Pro e um MacBook Air com chip M6.

O evento confirmou também o iPhone Handoff, recurso do iOS 27 que permite usar o mesmo número de telefone em dois iPhones. O sistema mantém o eSIM principal em um aparelho e um eSIM companheiro no outro, com as configurações de rede administradas pelo primeiro. O uso depende de suporte da operadora e de os dois aparelhos estarem na mesma linha; a T-Mobile, nos Estados Unidos, e a Deutsche Telekom, na Alemanha, estão entre as primeiras a aparecer como compatíveis.

## AirPods 5

Os AirPods 5 foram anunciados em 9 de setembro de 2026 com arquitetura acústica redesenhada e cancelamento ativo de ruído que remove até 50% mais som externo que os AirPods 4. Ganharam controle de volume na haste, integração com a nova Siri e tradução ao vivo. A autonomia é de cinco horas por carga com o cancelamento ligado e 22 horas somando o estojo.

São duas versões: US$ 129 na configuração padrão e US$ 149 com estojo de carregamento sem fio — R$ 1.499 e R$ 1.699 no Brasil. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro de 2026.

## Preços e a escassez de chips de memória

Em 9 de setembro de 2026, no mesmo dia em que anunciou a nova geração, a Apple elevou em US$ 100 o preço de todos os modelos anteriores que continuava vendendo, revertendo a prática de anos anteriores, quando reduzia os valores das gerações antigas logo após um lançamento. Nos Estados Unidos, o iPhone 16 passou a US$ 799, o iPhone 17e a US$ 699, o iPhone 17 a US$ 899 e o iPhone Air a US$ 1.099.

No Brasil, o reajuste chegou a R$ 2.000. A maior alta foi na versão de 1 TB do iPhone Air, que saiu de R$ 13.499 para R$ 15.499; as demais configurações do mesmo modelo subiram R$ 500, e os iPhone 16, 17 e 17e ficaram entre R$ 200 e R$ 300 mais caros. A Apple também retirou da própria loja on-line o iPhone 17 Pro, o iPhone 17 Pro Max e o iPhone 16 Plus, que seguem à venda em varejistas.

A causa apontada é o encarecimento dos chips de memória, pressionados pela demanda de data centers de inteligência artificial, que levou os fabricantes a redirecionar investimento para componentes mais avançados. Ainda como CEO, em junho de 2026, Tim Cook havia dito ao Wall Street Journal que "infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis", que a situação ficara "insustentável" depois de fornecedores repassarem aumentos "exorbitantes" e que se tratava de "uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos". Segundo ele, a preocupação central estava nos chips de RAM.

## O mercado de dobráveis

A Apple chega por último a uma categoria que existe desde 2019 e continua pequena. Em 2025, os dobráveis responderam por menos de 2% do mercado global de celulares em unidades, cerca de 20 milhões de aparelhos, segundo a Counterpoint Research. A mesma consultoria projeta que a Apple produza mais de 12 milhões de unidades em 2027, o equivalente a 5% dos iPhones. Para 2026, a IDC projeta crescimento de 12% nas vendas de dobráveis, com 22,9 milhões de aparelhos — a categoria é apontada como o raro ponto de expansão de um mercado de celulares estagnado. Nabila Popal, diretora da IDC, atribui parte do apelo à exclusividade: "sempre que algo é exclusivo, limitado e luxuoso, a psicologia do consumidor reage positivamente". Na faixa de preço em que o iPhone Duo entra, a US$ 1.999, os concorrentes diretos são o dobrável da Samsung e o Pixel 11 Pro Fold, do Google, ambos a US$ 1.900.

A líder do segmento é a Samsung, com 40% do mercado global de dobráveis em 2025, também pelos números da Counterpoint. A sul-coreana lançou em julho de 2026 o Galaxy Z Fold 8 e o Galaxy Z Flip 8 e informou à revista Fortune crescimento de 30% no volume anual de vendas da linha. Segundo Dave Das, executivo da empresa, o Z Fold 8 e o Z Fold Ultra 8 respondem por 40% cada das vendas de dobráveis da marca, e o Z Flip 8 pelos 20% restantes. Os preços vão de US$ 1.200 a US$ 2.100.

A estreia acontece com o segmento já ocupado também pelos fabricantes chineses. Em 7 de setembro de 2026, dois dias antes do evento da Apple, a Huawei apresentou o Mate XT2, com vendas a partir de 12 de setembro e preços entre 19.999 e 24.999 iuanes. A chinesa respondeu por 68% das remessas de dobráveis na China no segundo trimestre de 2026.

A resposta da Samsung ao anúncio veio pela conta Samsung Mobile US no X. Antes do evento, a sul-coreana ironizou que já estava "dobrando em três" enquanto a Apple fazia o público esperar, referência à linha Galaxy Z. Depois da apresentação, disse que o iPhone Duo "parece muito familiar", marcou a conta do Duolingo para brincar com o nome escolhido e pediu que a Apple avisasse quando terminasse de "requentar nossas sobras". Encerrou com "houve alcance? Não. Foi emocionante? Não. Aconteceu? Sim", acompanhado da hashtag #ItsTimeToSwitch.

O lançamento também mexeu com o cronograma da concorrente. Em 14 de setembro de 2026, o site 9to5Google informou, com base no vazador conhecido como Lanzuk, que a Samsung avalia antecipar dois aparelhos antes previstos para 2027: o Galaxy Z TriFold 2, sucessor do modelo de duas dobradiças, que deve ficar mais fino, leve e resistente, e um celular de tela deslizável. A expectativa é manter o preço perto dos US$ 2.899 cobrados pelo primeiro TriFold, que estreou no fim de 2025, chegou aos Estados Unidos em janeiro de 2026 e foi descontinuado cerca de três meses depois. A Samsung não confirmou mudança de datas.

## A estreia na China

Na China, o iPhone Duo tem preço sugerido de 15.999 iuanes (cerca de US$ 2.230), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e vendas a partir do dia 23. É o mercado em que a aposta encontra a concorrência mais dura: o Xiaomi 18 Fold sai por 10.999 iuanes e o Mate XT2, da Huawei, por 19.999 iuanes, ambos lançados nos dias que antecederam e sucederam o evento da Apple.

A recepção inicial foi morna. Nas redes locais, parte das reclamações mirou o preço em relação à renda — um usuário do WeChat comparou o salário mensal de US$ 3 mil a US$ 4 mil do consumidor americano, que paga US$ 1.999 pelo aparelho, com os 3 mil a 4 mil iuanes ganhos no país para um produto de mais de 10 mil iuanes. Outro ponto citado foi a ausência de entrada para cartão SIM físico: o aparelho só funciona com eSIM, cuja ativação depende de ida a uma loja de operadora.

Pelos dados da Counterpoint Research, a Huawei liderou o mercado chinês de celulares no primeiro e no segundo trimestres de 2026, com a Apple em segundo lugar, seguida por Vivo e Oppo.

## Apple Intelligence e a nova Siri

Em 12 de janeiro de 2026, Apple e Google anunciaram um acordo plurianual pelo qual a tecnologia do Gemini passa a servir de base para os Apple Foundation Models, o conjunto de modelos que sustenta a Apple Intelligence. Pelo comunicado conjunto, "após avaliação cuidadosa, a Apple determinou que a tecnologia de IA do Google oferece a base mais capaz para os Apple Foundation Models". Reportagens à época estimaram o pagamento em cerca de US$ 1 bilhão por ano. A Apple informou que a Apple Intelligence continua rodando nos próprios aparelhos e no Private Cloud Compute, sua infraestrutura de servidores. O acordo não é exclusivo, e a empresa não detalhou o que muda na integração anterior com o ChatGPT, da OpenAI.

O resultado apareceu no iOS 27, cujo beta foi liberado em 14 de julho de 2026. A Siri foi reconstruída e passou a sustentar conversas de ida e volta e responder a perguntas abertas, no formato de um chatbot, com um aplicativo dedicado que guarda o histórico sincronizado pelo iCloud. Os recursos de inteligência artificial exigem iPhone 15 Pro ou mais recente; o sistema em si roda a partir do iPhone 11. A versão final do iOS 27 chega em setembro de 2026, junto com os novos iPhones.

A distribuição da nova assistente esbarra em obstáculos regulatórios. Pela apuração do NeoFeed publicada em 8 de setembro de 2026, a Siri reformulada não estreia na Europa e, na China, a aprovação pode levar até 2028.

No evento de 9 de setembro de 2026, a Apple marcou para 14 de setembro o lançamento do iOS 27, do iPadOS 27, do watchOS 27 e do macOS 27 Golden Gate, todos com a nova Siri integrada. A assistente chega primeiro em inglês; o suporte ao português foi anunciado para outubro de 2026.

A empresa também detalhou limites de uso. Os recursos que dependem de processamento em nuvem — a própria Siri e a geração de imagens, entre outros — têm cotas diárias que variam conforme a complexidade do pedido, enquanto as funções mais simples rodam no próprio aparelho. Assinantes do iCloud+ recebem cotas maiores.

A distribuição começou em 14 de setembro de 2026, com iOS 27, iPadOS 27, macOS 27 Golden Gate, watchOS 27 e visionOS 27 liberados no mesmo dia. O iOS 27 roda a partir do iPhone 11 e do iPhone SE de segunda geração, mas os recursos de Apple Intelligence exigem iPhone 15 Pro ou modelo posterior. A nova Siri saiu em inglês e em versão beta; o suporte a português, francês, japonês, coreano e espanhol ficou previsto para outubro de 2026. Além da assistente, o sistema trouxe a Inteligência Visual, que identifica objetos apontados pela câmera, e ferramentas de edição de fotos com reenquadramento espacial e remoção de objetos.

Dois recursos anunciados para o iOS 27 ficaram de fora da versão inicial. O primeiro, no aplicativo Senhas, identificaria credenciais fracas ou vazadas e as trocaria automaticamente, usando a Apple Intelligence e o Safari. O segundo, no Mensagens, sugeriria ações a partir do contexto da conversa, como criar um compromisso no calendário ou localizar uma foto mencionada. Os dois chegaram a aparecer nas versões de teste e foram retirados antes do lançamento público. A Apple informou que serão integrados "em uma atualização futura de software", sem cronograma, e não explicou o motivo; o adiamento alcança também iPad e Mac.

Quem não migrou de imediato recebeu uma atualização paralela. Junto com o iOS 27, a Apple liberou o iOS 26.7, pacote de segurança que corrige cerca de 80 vulnerabilidades — entre elas a CVE-2026-43689, que permitia a um aplicativo malicioso obter privilégios de root, e a CVE-2026-43715, falha de uso após liberação de memória no WebKit, o motor do Safari. Dezesseis das correções estão no próprio sistema e cinco no ImageIO. A atualização vale do iPhone 11 em diante e de vários modelos de iPad.

## A volta ao mercado de servidores

Em 16 de setembro de 2026, o site The Information informou, com base em pessoas a par do assunto, que a Apple desenvolve um servidor de inteligência artificial para o mercado corporativo, equipado com dois ou quatro chips M8 Ultra — os processadores de maior desempenho da linha, ainda não lançados. O alvo é o mercado de inferência, a etapa em que modelos já treinados são postos para rodar, e que hoje concentra o crescimento da demanda das empresas. Segundo a reportagem, o projeto começou há cerca de um ano, por iniciativa de John Ternus, então chefe de hardware e hoje presidente executivo.

Para conectar os chips entre si, a Apple avalia usar o NVLink Fusion, tecnologia de rede da Nvidia que permite a chips de terceiros se acoplarem aos sistemas de data center da fabricante. A aproximação contrasta com quase duas décadas de relação estremecida entre as duas empresas, rompida depois de falhas em MacBooks atribuídas a chips gráficos da Nvidia. O produto não é esperado antes de 2029 e pode ser cancelado ou lançado sem a tecnologia da Nvidia. Seria o primeiro hardware de servidor da Apple desde o Xserve, descontinuado em 2011. Procuradas pela Reuters, Apple e Nvidia não se manifestaram de imediato, e a agência informou não ter conseguido confirmar o relato de forma independente.

## macOS 27 Golden Gate

O macOS 27 Golden Gate foi liberado em 14 de setembro de 2026. A mudança principal é a Siri, que virou aplicativo independente no Mac, com histórico de conversas e comandos por voz ou texto, e que pode ser acionada sobre qualquer ponto da tela para responder sobre o conteúdo visível, resumir e buscar.

A Inteligência Visual chegou ao computador com dois atalhos: Command + Shift + Espaço acrescenta a janela ativa como contexto da pergunta, e Command + Shift + 6 abre uma ferramenta de seleção de trecho da tela, com ações como Select, Add to Contact e Look up Location. O Spotlight passou a aceitar perguntas diretas à assistente e a buscar em aplicativos, arquivos, ações e histórico. O Safari ganhou monitoramento de páginas por inteligência artificial, que acompanha mudanças de preço e de políticas, e agrupamento automático de abas por tema.

O sistema só roda em Macs com chip da própria Apple — da série M ou o A18 Pro: MacBook Neo (2026), MacBook Air e MacBook Pro de 2020 em diante, iMac de 2021 em diante, Mac mini de 2020 em diante, Mac Studio de 2022 em diante e Mac Pro de 2023. É também a última versão do sistema a oferecer suporte ao Rosetta, a camada de tradução que permite rodar em Macs com processador Apple programas feitos para os modelos com chip Intel.

## Apple Watch

O Apple Watch foi anunciado em 9 de setembro de 2014 e chegou às lojas dos Estados Unidos em 24 de abril de 2015; no Brasil, em 16 de novembro de 2015. Roda o sistema watchOS e depende de um iPhone para funcionar plenamente.

A linha vendida hoje no Brasil tem três modelos — Apple Watch Series 11, Apple Watch SE 3 e Apple Watch Ultra 3 —, além da variante Apple Watch Nike.

Em 9 de setembro de 2026, a Apple anunciou o Apple Watch Series 12 e o Apple Watch Ultra 4, ambos com o novo chip S11 e o desenho externo mantido. Os preços partem de US$ 399 e US$ 799 nos Estados Unidos; no Brasil, de R$ 5.499 para o Series 12 em alumínio (R$ 9.299 em titânio e R$ 11.899 em cerâmica) e de R$ 10.499 para o Ultra 4. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro.

A autonomia do Ultra 4 é a maior já registrada em um relógio da empresa: até 50 horas de uso diário, ou 84 horas no modo de pouca energia, com um modo de treino estendido capaz de registrar até 45 horas ininterruptas de atividade. O Series 12 fica em 24 horas, com 15 minutos de carga rendendo até 12 horas adicionais.

Os sensores de saúde foram refeitos, com maior área de eletrodo para o eletrocardiograma e fotodiodos redesenhados para a leitura óptica. A frequência cardíaca passou a ser medida a cada cinco segundos ao longo do dia — 60 vezes mais que nos modelos anteriores — e a variabilidade cardíaca, 24 vezes mais no Series 12.

A novidade de software é um conjunto batizado de Audio Intelligence, de ativação opcional. O Live Rewind recupera em texto os últimos 15 segundos de uma conversa, acionado por dois toques na Digital Crown. O Siri Recap usa escuta ambiente para gerar títulos e pontos principais dos diálogos do dia em um aplicativo dedicado da Siri. O Sound Recognition identifica sirenes, alarmes, campainhas e choro de bebê, voltado a pessoas com perda auditiva. A Apple afirma que os recursos não criam nem armazenam gravações e que o áudio bruto é descartado logo após o processamento, sem acesso externo — ressalva que não encerrou o debate público sobre aparelhos em escuta permanente.

No mesmo evento, a empresa apresentou uma versão redesenhada do aplicativo Saúde, com uma aba de Insights que usa a Apple Intelligence para interpretar os dados coletados e duas métricas novas, a pontuação de prontidão e a idade da saúde, além de uma aba de longevidade que acompanha sono, movimento e saúde cardíaca. O lançamento ficou para o fim de 2026, inicialmente em inglês nos Estados Unidos.

Boa parte do apelo do produto está nos recursos de saúde, que a própria Apple delimita com ressalvas:

- **ECG (eletrocardiograma)**: disponível no Series 4 e posteriores, exceto nos modelos SE, e indicado para maiores de 22 anos. Gera um eletrocardiograma de derivação única.
- **Oxigênio no sangue**: o app é apresentado como ferramenta de bem-estar, não de uso médico.
- **Notificações de hipertensão**: não recomendadas para menores de 22 anos, pessoas já diagnosticadas ou gestantes.
- **Apneia do sono**: disponível no Series 9 e posteriores, Ultra 2 e posteriores e no SE 3, para maiores de 18 anos sem diagnóstico prévio.
- **Sensor de temperatura**: presente no Series 8 e posteriores, no SE 3 e em todos os modelos Ultra; também não se destina a uso médico.
- **Notificações de ritmo cardíaco irregular**: exigem versões atualizadas de watchOS e iOS e não são indicadas para menores de 22 anos ou para quem já tem fibrilação atrial.

## Apple TV

Apple TV é ao mesmo tempo o nome do aparelho de streaming da empresa (Apple TV 4K), do aplicativo que agrega conteúdo e do serviço de assinatura. No Brasil, a assinatura custa R$ 29,90 por mês após o período de teste gratuito.

O serviço inclui as produções originais da Apple e a transmissão de jogos da MLS e do beisebol das sextas-feiras, sem custo adicional. O aplicativo também reúne serviços de terceiros — Paramount+, Prime Video, Disney+ e Globoplay, entre outros — e oferece filmes para compra e aluguel. Está disponível em Apple TV 4K, iPhone, iPad, Mac, aparelhos Android, PC, smart TVs e consoles.

Em 15 de setembro de 2026, a Apple passou a incluir o Apple TV e o Apple Arcade, sem custo adicional, em todos os planos do iCloud+ — do mais básico, de 50 GB, em diante — em mais de cem países e regiões, com liberação gradual até o fim de setembro. O serviço de streaming chegou a 59 novos países, somando 170 mercados, entre eles Índia, Arábia Saudita, Cingapura, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Em parte desses mercados o pacote traz também o Music Select, conjunto de estações de rádio sem anúncios, com opção de migrar depois para o Apple Music completo por um valor menor. O Brasil ficou de fora da lista: os três serviços seguem disponíveis no país, mas por assinaturas separadas ou pelo Apple One.

## Apple Music

O Apple Music é o serviço de streaming de música da empresa, com catálogo de mais de 100 milhões de faixas e sem anúncios. No Brasil, os planos custam R$ 23,90 por mês (individual), R$ 40,90 (família) e R$ 12,90 (estudante), todos com o primeiro mês gratuito.

Todas as assinaturas incluem áudio espacial com Dolby Atmos e áudio lossless — este último em até 192 kHz na qualidade Hi-Res —, sem cobrança extra.

## CarPlay

O CarPlay é o sistema que espelha o iPhone na central multimídia do carro. Em 15 de setembro de 2026, a General Motors informou que voltará a oferecê-lo, ao lado do Android Auto, em sua central multimídia mais recente, três anos depois de tê-lo retirado dos carros elétricos da marca — decisão de 2023 que desagradou parte dos consumidores. A volta começa pela Chevrolet Silverado e pela GMC Sierra 2027, com uma solução de tela dividida que faz o CarPlay conviver com o software próprio da montadora. A montadora não informou se os sistemas voltarão também aos modelos elétricos.

## App Store e as lojas físicas

A App Store é a loja de aplicativos do iPhone e do iPad e uma das principais fontes da receita de serviços da Apple, já que a empresa cobra comissão sobre as vendas feitas dentro dos aplicativos. Esse modelo é o centro das disputas regulatórias que a empresa enfrenta em vários países, inclusive no Brasil.

As lojas físicas, chamadas Apple Store, são poucas no país: há duas, a do VillageMall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e a do shopping Morumbi, em São Paulo. A operação brasileira mantém escritório na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., no Itaim Bibi, em São Paulo. Fora dessas unidades, a venda é feita pela loja on-line e por revendedores autorizados.

Em 6 de setembro de 2026, a Bloomberg informou, com base em fontes, que a saída de Schiller do comando da loja foi motivada por divergência sobre os planos da Apple para a plataforma. Ternus e Eddy Cue pretendem ampliar as margens da App Store e a receita recorrente que ela gera; Schiller avaliava que tentar extrair mais lucro do negócio aumentaria o atrito com governos e desenvolvedores. Publicamente, Schiller citou o desejo de dedicar mais tempo à família e à filantropia.

Na mesma edição de 13 de setembro de 2026 de sua newsletter, Gurman descreveu um redesenho das lojas físicas em preparação, com três mudanças. A primeira é a volta das Genius Bars dedicadas, em madeira, com duas alturas de balcão para acessibilidade e gavetas de armazenamento ao fundo — o formato havia sido substituído pelo Genius Grove havia mais de uma década. A segunda é a retirada dos grandes painéis de vídeo no fundo das lojas. A terceira é a criação de duas baias de cerca de três metros, uma para a retirada de pedidos feitos on-line e outra para as sessões Today at Apple. Não há data anunciada; segundo a apuração, a empresa pretende acelerar o ritmo de reformas nos próximos anos.

## Resultados financeiros

No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 27 de junho de 2026 e divulgado em 30 de julho, a Apple registrou receita de US$ 109,4 bilhões, alta de 16% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, lucro por ação de US$ 2,02 (alta de 29%) e margem bruta de 50,1%. Foram recordes para um trimestre de junho em receita total e em lucro por ação, com recordes também em iPhone, Mac e Serviços.

"Nossa base instalada de dispositivos ativos também atingiu novo recorde histórico em todas as principais categorias", disse Tim Cook no comunicado. O diretor financeiro Kevan Parekh afirmou que a empresa ficou "muito satisfeita" com o desempenho recorde do trimestre.

No primeiro trimestre do mesmo ano fiscal, encerrado em 27 de dezembro de 2025, a receita havia sido de US$ 143,8 bilhões, também com alta de 16%, e o lucro por ação diluído de US$ 2,84, alta de 19%. Segundo Cook, o iPhone teve naquele trimestre "o melhor desempenho de sua história, impulsionado por demanda sem precedentes, com recordes históricos em todas as regiões".

## A ação antitruste de X e SpaceXAI

Em agosto de 2025, as empresas de Elon Musk processaram Apple e OpenAI por violação da lei antitruste, sob o argumento de que o ChatGPT era o único chatbot de inteligência artificial generativa integrado ao sistema operacional do iPhone. A ação sustentava que o acordo dava à OpenAI acesso exclusivo a bilhões de usuários por meio da Siri e das ferramentas de escrita do sistema, enquanto concorrentes como o Grok eram prejudicados na App Store. As duas rés contestaram todas as alegações, e em novembro de 2025 o juiz federal Mark Pittman rejeitou os pedidos de extinção que ambas apresentaram, deixando o processo seguir.

Em 14 de setembro de 2026, X Corp e SpaceXAI pediram à corte federal de Fort Worth, no Texas, a extinção das reivindicações contra a Apple, com prejuízo — ou seja, sem possibilidade de reapresentá-las. A peça não expõe os motivos nem informa se houve acordo. As duas empresas disseram que mantêm as reivindicações contra a OpenAI, que segue como ré no caso.

O juiz Mark Pittman acolheu o pedido no mesmo dia e manteve em pé as reivindicações contra a OpenAI. Dois dias depois, a ausência de explicação virou objeto de ordem judicial: a OpenAI pediu à corte que obrigasse a X a revelar como o litígio com a Apple foi resolvido e, em 16 de setembro de 2026, Pittman determinou que as empresas de Musk apresentem para análise dele qualquer acordo firmado com a Apple relacionado à desistência.

## Disputas de patentes

Em 3 de setembro de 2026, a trinamiX, subsidiária da química alemã BASF, processou a Apple no Tribunal Distrital federal em Midland, no Texas, por violação de sete patentes ligadas à autenticação facial. A ação sustenta que a Apple incorporou a aparelhos como iPhone 15, iPhone 16, iPhone 17 e iPad Pro tecnologia de detecção de material e de pele — usada para impedir que fotografias, máscaras tridimensionais ou réplicas de silicone enganem o reconhecimento facial — sem autorização. Pela peça, a Apple não usava essa tecnologia quando lançou o Face ID no iPhone X, em 2017, mas passou a empregá-la nos modelos mais recentes.

A trinamiX foi criada em 2014 e diz ter mais de 800 patentes concedidas ou em análise no mundo. A empresa pede indenização em valor não especificado e uma ordem judicial que impeça a Apple de seguir usando as tecnologias. Procurada pela imprensa, a Apple não se manifestou de imediato.

## Ferramentas de segurança infantil

Em 14 de setembro de 2026, com a chegada do iOS 27, do iPadOS 27, do macOS 27, do watchOS 27 e do visionOS 27, a Apple liberou um conjunto de controles parentais desenvolvido com orientação da Academia Americana de Pediatria e de especialistas em segurança on-line.

O Communication Safety, que já avisava sobre imagens de nudez, passou a bloquear também conteúdo violento e sangrento em imagens e vídeos compartilhados, inclusive durante chamadas de FaceTime ao vivo. O Safari ganhou o Ask to Browse, que exige aprovação dos pais antes de a criança acessar um site novo. A configuração de contas infantis passou a sugerir um conjunto inicial de aplicativos, o Tempo de Uso foi redesenhado com visão geral do consumo e ajustes de acesso em um toque, e as Time Allowances trazem recomendações por faixa etária para categorias como redes sociais, entretenimento e jogos. Para usar os recursos de Tempo de Uso, todos os aparelhos do grupo de Compartilhamento Familiar precisam estar atualizados.

## Regulação de segurança infantil no Reino Unido

Em 8 de setembro de 2026, a secretária de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, Lisa Nandy, informou ao Parlamento que o governo vai propor uma lei para obrigar Apple e Google a impedir que menores de 18 anos tirem, vejam ou compartilhem imagens de nudez em seus aparelhos. A proteção teria de vir embutida no dispositivo e ligada por padrão, liberada apenas mediante verificação de idade do usuário adulto, e a exigência valeria também para os aplicativos usados por crianças.

O anúncio veio depois do fim de um prazo. Em junho de 2026, o governo havia dado às duas empresas três meses para adotar as restrições voluntariamente, sob aviso de que legislaria caso não o fizessem. Nandy reconheceu que ambas introduziram medidas "significativas", mas afirmou que as propostas apresentadas "não correspondem à escala desta crise". Disse ainda que o projeto será apresentado "assim que possível" e que o governo pode rever a decisão se as empresas adotarem os controles por conta própria.

A Apple respondeu citando o Communication Safety, recurso lançado em 2021 que avisa a criança quando ela recebe ou tenta enviar uma imagem de nudez, e que passou a funcionar também em aplicativos de terceiros. O Google afirmou estar satisfeito com os avanços das conversas e seguir comprometido a trabalhar com legisladores e especialistas em segurança.

A exigência esbarra numa objeção técnica conhecida: cumpri-la demandaria client-side scanning, a varredura do conteúdo dentro do próprio aparelho, antes da criptografia ou do envio. Lukasz Olejnik, pesquisador de segurança cibernética do King's College London, classificou a técnica como "a alternativa menos problemática" disponível, mas ponderou que ela cria a infraestrutura para analisar mensagens. Segundo a Internet Watch Foundation, um quarto das imagens de abuso sexual infantil identificadas no período de doze meses era autogerado, mais de 140 mil conteúdos.

## A Apple no Brasil

Além das duas lojas físicas e do escritório em São Paulo, a presença da Apple no Brasil tem sido marcada nos últimos anos pelo enfrentamento regulatório em torno da App Store.

Em 23 de dezembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou um acordo com a Apple que altera o funcionamento do iPhone no país. Pelo termo, a empresa passa a permitir que desenvolvedores incluam links direcionando usuários a formas de pagamento fora do aplicativo, ofereçam métodos de pagamento alternativos às compras dentro da App Store e distribuam aplicativos por canais alternativos — o chamado sideloading, já disponível na União Europeia.

O processo administrativo começou em 2022, a partir de representações da Ebazar.com.br e do Mercado Livre, que acusavam a Apple de abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos no iOS. A investigação apontou práticas restritivas na venda de conteúdo digital dentro do ecossistema, especialmente a proibição de venda de serviços digitais de terceiros e a obrigatoriedade do sistema de pagamentos da própria Apple.

O acordo deu à Apple prazo de 105 dias para implementar as mudanças, tem duração de três anos a partir do momento em que as novas regras se tornam obrigatórias para os desenvolvedores e prevê multa de até R$ 150 milhões em caso de descumprimento, além da retomada da investigação.

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