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title: "Anthony Garotinho"
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updated: 2026-10-04T04:57:54.151374+00:00
categories: ["brazil", "politics"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Anthony Garotinho

Anthony Garotinho (Republicanos) foi governador do Rio de Janeiro de 1999 a 2002, prefeito de Campos dos Goytacazes e terceiro colocado na eleição presidencial de 2002. É candidato ao governo do Rio na eleição de 4 de outubro de 2026, com o número 10, mas o TRE-RJ indeferiu o registro por condenação por improbidade; ele recorre ao TSE e seus votos figuram como anulados sub judice. É marido de Rosinha e pai de Clarissa e Wladimir Garotinho.

## Quem é Anthony Garotinho

Anthony William Matheus de Oliveira (Campos dos Goytacazes, 18 de abril de 1960), conhecido como Anthony Garotinho ou apenas Garotinho, é um radialista e político brasileiro filiado ao Republicanos. No registro de candidatura de 2026 consta o nome Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira. Foi governador do Rio de Janeiro de 1999 a 2002, prefeito de Campos dos Goytacazes em dois mandatos, deputado estadual e deputado federal, e ficou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2002, com cerca de 15 milhões de votos.

É candidato ao governo do Rio de Janeiro na eleição de 4 de outubro de 2026, pelo Republicanos, com o número 10. O registro da candidatura foi indeferido pelo TRE-RJ e está em recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Garotinho não ocupa cargo público hoje.

O apelido vem do rádio. Aos 15 anos, narrando preliminares de futebol na Rádio Cultura de Campos, imitava o locutor José Carlos Araújo, o "Garotinho" da Rádio Globo, e era anunciado no ar como "o garotinho Anthony Matheus".

## Garotinho é candidato em 2026?

Sim, mas com a candidatura sob disputa judicial. O Republicanos oficializou o nome de Garotinho em convenção no dia 25 de julho de 2026, na Tijuca. É a quarta vez que ele disputa o governo do estado.

- **Número na urna:** 10
- **Vice:** André Monteiro (Democrata), ex-subtenente do Bope, escolhido em 16 de agosto de 2026
- **Coligação:** "Coragem para Mudar", formada por Republicanos e Democrata
- **Situação do registro:** indeferido pelo TRE-RJ, com recurso pendente no TSE

A chapa trocou de vice três vezes. O primeiro anunciado foi o coronel da reserva Venâncio Moura (DC), que saiu três dias depois, quando o DC passou a apoiar Eduardo Paes. A segunda foi a major da PM Elaine Gonçalves (Democrata), que desistiu em 15 de agosto alegando motivos pessoais. André Monteiro deixou a candidatura ao Senado para assumir a vaga.

### Por que o registro foi indeferido

Em 11 de setembro de 2026, o TRE-RJ indeferiu por unanimidade o registro, e em 29 de setembro rejeitou os embargos da defesa. O tribunal considerou que Garotinho está com os direitos políticos suspensos por oito anos em razão de uma condenação definitiva por improbidade administrativa: a ação apurou o desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Estado de Saúde, entre 2005 e 2006, no governo de sua mulher, Rosinha Garotinho, quando ele era secretário de Governo. O TRE-RJ também aplicou a inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa.

A divergência é sobre quando a suspensão começou. Para o Ministério Público Eleitoral e o TRE-RJ, a condenação transitou em julgado em 11 de julho de 2025, e a suspensão vai até julho de 2033. A defesa sustenta que o marco é 1º de agosto de 2018, o que encerraria a pena em 1º de agosto de 2026, e pede a aplicação da Lei Complementar 219/2025, pela qual a inelegibilidade teria terminado em 8 de maio de 2026. O MPE aponta ainda falta de filiação partidária válida em 4 de abril de 2026.

### Os votos de Garotinho no primeiro turno

Em 28 de agosto, uma liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, havia devolvido a Garotinho o acesso aos fundos de campanha, ao horário eleitoral e aos debates. Em 2 de outubro de 2026, o mesmo ministro revogou a liminar e determinou que os votos dados a Garotinho figurem como "anulados sub judice" e não sejam considerados válidos enquanto vigorar o indeferimento. O nome e a foto continuam na urna. Em 3 de outubro, o ministro Sebastião Reis negou um mandado de segurança da defesa. O julgamento definitivo do recurso pelo plenário do TSE ainda não ocorreu. Se o TSE reverter o indeferimento, os votos poderão ser validados.

Garotinho declarou que, num eventual segundo turno sem sua presença, apoiaria Douglas Ruas (PL) contra Eduardo Paes (PSD).

### Propostas

Na convenção, Garotinho disse que sua primeira missão, se eleito, seria "libertar o Rio de Janeiro" do tráfico, das milícias e da Alerj, e defendeu um "Bope 2.0", que manteria policiais nas comunidades pelo tempo necessário para retirar as facções. Durante a campanha também propôs o fim da aprovação automática nas escolas estaduais.

### Pesquisas

A Quaest de 3 de outubro de 2026 (3.204 entrevistas, margem de 2 pontos) registrou Garotinho com 6% dos votos válidos, atrás de Eduardo Paes (49%) e Douglas Ruas (40%). O Datafolha do mesmo dia registrou 7%. A apuração oficial começa após o fechamento das urnas, às 17h (horário de Brasília) de 4 de outubro.

## Garotinho é de qual partido? Direita ou esquerda?

Garotinho é filiado ao Republicanos desde 2024. Antes passou por PCB, PT (1980–1983), PDT (1983–2000), PSB (2001–2003), PMDB (2003–2009), PR (2009–2018), PRP (2018–2019), Patriota (2019), PROS (2019–2022) e União Brasil (2022–2024).

A trajetória atravessa o espectro ideológico. Começou na esquerda e se elegeu governador em 1998 como herdeiro político de Leonel Brizola, com uma coalizão de PDT, PT, PSB e PCdoB. Rompeu com Brizola e foi expulso do PDT em 2000. Em 2002 apoiou Lula no segundo turno, e em 2014 fez campanha ao lado de Dilma Rousseff. Em 2022 a família Garotinho apoiou Jair Bolsonaro para presidente e Cláudio Castro para governador. Garotinho é evangélico, e sua base inclui o eleitorado evangélico e conservador.

## Governador do Rio de Janeiro (1999–2002)

Garotinho disputou o governo pela primeira vez em 1994 e perdeu para Marcello Alencar no segundo turno. Em 1998, com apoio de Brizola, venceu Cesar Maia no segundo turno, com 57,98% dos votos válidos, tendo Benedita da Silva (PT) como vice.

Seu governo criou programas sociais como o Restaurante Popular, com refeições a R$ 1, e o Cheque Cidadão, de transferência de renda, extinto por Sérgio Cabral em 2007. Também implantou o programa Delegacia Legal. Os críticos classificaram parte dessas políticas como assistencialistas. Em abril de 2002 deixou o cargo para disputar a Presidência pelo PSB, e Benedita da Silva assumiu o governo.

## Trajetória política

- **Deputado estadual (1987–1988):** eleito em 1986
- **Prefeito de Campos dos Goytacazes:** 1989–1992 e 1997–1998
- **Secretário estadual de Agricultura e Interior (1992–1993):** no governo Brizola
- **Governador do Rio de Janeiro (1999–2002)**
- **Candidato a presidente (2002):** terceiro lugar, com 17,87% dos votos
- **Secretário estadual de Segurança Pública (2003–2004) e de Governo (2006):** no governo de Rosinha Garotinho
- **Deputado federal (2011–2015):** eleito em 2010 com 694.862 votos, a maior votação para o cargo no estado, depois de desistir de disputar o governo por ter sido declarado inelegível pelo TRE-RJ
- **Candidato a governador em 2014:** terceiro lugar, com 1.576.511 votos
- **Candidato a governador em 2018:** registro indeferido pelo TRE-RJ e pelo TSE com base na mesma condenação por improbidade na Saúde; recebeu 84.187 votos, anulados
- **Candidato a vereador do Rio em 2024:** não eleito, com 8.753 votos

Em dezembro de 2025, depôs na CPI do Crime Organizado do Senado e acusou Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar de chefiar uma organização criminosa com braços no Executivo e na Alerj.

## Condenações, prisões e processos

**Improbidade na Saúde.** Em 2018, o Tribunal de Justiça do Rio condenou Garotinho por improbidade administrativa no caso do desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde (2005–2006), com suspensão dos direitos políticos por oito anos e ressarcimento aos cofres públicos. Segundo a Folha de S.Paulo, os recursos teriam ido a ONGs que financiaram sua pré-candidatura presidencial de 2006. É a condenação que barrou as candidaturas de 2018 e de 2026.

**Formação de quadrilha.** Em agosto de 2010, a Justiça Federal o condenou por formação de quadrilha, junto com o ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins, a dois anos e meio de prisão, convertidos em serviços à comunidade e suspensão de direitos políticos.

**Uso indevido de meios de comunicação (2008).** Em 2010, o TRE-RJ declarou Garotinho e Rosinha inelegíveis por abuso de poder econômico e uso indevido da rádio O Diário na eleição municipal de 2008 em Campos.

**Calúnia.** Em 2018 foi condenado por calúnia contra o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, com pena substituída por multa e serviços comunitários.

**Operação Chequinho.** Em novembro de 2016, foi preso pela Polícia Federal na operação que apurou o uso do Cheque Cidadão de Campos para compra de votos na eleição municipal de 2016. Voltou a ser preso em setembro de 2017 e foi condenado por corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo. Em março de 2026, o ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação por considerar ilícitas as provas, extraídas sem perícia de computadores da prefeitura; a Segunda Turma do STF manteve a anulação em 9 de junho de 2026.

**Operação Caixa d'Água.** Em novembro de 2017, Garotinho e Rosinha foram presos na operação que apurou suposto caixa dois da JBS em campanhas do casal. Em dezembro de 2017, o então presidente do TSE, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus. A defesa afirmou que a doação da JBS ao PR foi declarada.

## A família Garotinho: quem é quem

- **Rosinha Garotinho:** mulher de Anthony, casados desde 1981. Foi governadora do Rio de 2003 a 2006, eleita no primeiro turno em 2002, e prefeita de Campos dos Goytacazes, eleita em 2008. Em 2026 coordena a campanha do marido no Norte e Noroeste fluminense.
- **Clarissa Garotinho:** filha. Foi vereadora do Rio, deputada estadual (eleita em 2010) e deputada federal. Está sem mandato desde 2022 e trabalha com comunicação no setor privado.
- **Wladimir Garotinho:** filho. Deputado federal eleito em 2018, foi prefeito de Campos dos Goytacazes, eleito em 2020 e reeleito em 2024, e renunciou em abril de 2026. Filiou-se ao PL, coordena no interior do estado a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e é candidato a deputado federal em 2026. Mesmo no PL, declarou apoio ao pai e não ao candidato do partido, Douglas Ruas. Pai e filho tiveram atritos públicos pelo controle político de Campos.

## Notícias recentes

- [TSE determina que votos de Anthony Garotinho sejam anulados sub judice](https://dailyjournal.news/news/2026-10-04/tse-determina-que-votos-de-anthony-garotinho-sejam-anulados-sub-judice) (2026-10-04)

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