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title: "Tese analisa livros mágico-religiosos apreendidos em processos no Rio"
url: https://dailyjournal.news/news/2026-10-26/tese-analisa-criminalizacao-de-livros-esotericos-no-rio-de-janeiro
published: 2026-10-26T20:01:51.242855+00:00
updated: 2026-10-26T20:45:24.961544+00:00
categories: ["brazil", "science"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Tese analisa livros mágico-religiosos apreendidos em processos no Rio

Em tese de doutorado da Fiocruz, Jefferson Nascimento Albino mostra que livros mágico-religiosos foram apreendidos em 13 de 100 documentos judiciais sobre curandeirismo e feitiçaria no Rio de Janeiro, Brasil, entre 1860 e 1930.

## Pontos principais

- A tese de doutorado de Jefferson Nascimento Albino foi aprovada na Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 12 de novembro de 2025.
- O corpus tem 100 documentos judiciais: 52 processos criminais, 18 inquéritos policiais, 15 habeas corpus, 7 instruções criminais, 5 recursos e 3 apelações.
- Livros foram apreendidos em 13 dos 100 documentos; em 3 deles é citado o Livro de São Cipriano.
- Dos 100 documentos, 10 são do período imperial (1860–1888) e 90 do republicano, com 41 casos entre 1921 e 1930.
- Segundo Albino, a Livraria e Editora Quaresma, fundada em 1879, operava com estratégia comercial agressiva.
- O Código Penal de 1890 (arts. 156 a 158) tratava a magia, a feitiçaria, a cartomancia e o curandeirismo como crimes contra a saúde pública.

Jefferson Nascimento Albino defendeu, na Casa de Oswaldo Cruz da Fiocruz, no Rio de Janeiro, Brasil, uma tese de doutorado aprovada em 12 de novembro de 2025. O trabalho acompanha livros mágico-religiosos, como O Grande e Verdadeiro Livro de São Cipriano, que circularam na cidade na virada do século XIX para o XX, e analisa como foram usados em processos por curandeirismo e feitiçaria.

O corpus reúne 100 documentos judiciais, de 1860 a 1930: 52 processos criminais, 18 inquéritos policiais, 15 habeas corpus, 7 instruções criminais, 5 recursos e 3 apelações. Em 13 deles há apreensão de livros, e em 3 o Livro de São Cipriano é citado. Dos 100 documentos, 90 são do período republicano, com 41 casos entre 1921 e 1930.

Segundo Albino, a Livraria e Editora Quaresma, fundada em 1879, operava com estratégia comercial agressiva e vendeu títulos como O Livro da Bruxa (1897) e O Livro do Feiticeiro (1898). O Código Penal de 1890 tratava a magia, a feitiçaria, a cartomancia e o curandeirismo como crimes contra a saúde pública (arts. 156 a 158), embora a Constituição de 1891 (art. 72) garantisse a liberdade de quaisquer cultos religiosos.

Para o autor, a perseguição ao curandeirismo se ligava também à ameaça que essas práticas representavam para a hegemonia da medicina acadêmica. O Estado tentou classificar esses impressos como feitiçaria, superstição ou delito, mas nunca conseguiu apagá-los por completo.

## Fontes

- [Nav. ed. pt Estante livros mágico-religiosos](https://agencia.fiocruz.br/nav-ed-pt-estante-livros-magico-religiosos) — Agência Fiocruz (2026-10-26)
- [Como livros mágico-religiosos foram transformados em objetos de cura, feitiçaria e evidência de delito no Rio de Janeiro](https://agencia.fiocruz.br/como-livros-magico-religiosos-foram-transformados-em-objetos-de-cura-feiticaria-e-evidencia-de) — Agência Fiocruz (2026-10-26)

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