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title: "Replicação de Milgram mantém obediência próxima à de 1961, até 150 volts"
url: https://dailyjournal.news/news/2026-10-22/estudos-sobre-obediencia-revelam-mecanismos-da-psicologia-social
published: 2026-10-22T11:32:03.578974+00:00
updated: 2026-10-22T12:03:27.078+00:00
categories: ["science"]
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language: pt-BR
publisher: "Daily Journal"
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# Replicação de Milgram mantém obediência próxima à de 1961, até 150 volts

Em 1961, na Universidade Yale (EUA), 26 de 40 participantes de Milgram aplicaram o choque máximo sob ordens; a replicação de Jerry Burger, publicada em 2009, obteve taxas pouco menores, mas limitou o teste a 150 volts.

## Pontos principais

- Milgram registrou que, em 1961, 26 dos 40 participantes aplicaram o choque máximo do gerador, de 450 volts, sob ordens do experimentador.
- Outros 14 interromperam o experimento em algum ponto, depois que a vítima protestou e parou de responder.
- Segundo Milgram, os choques eram simulados e a vítima era cúmplice; nenhum participante suspeitou do gerador, cuja escala ia de 'Choque leve' a 'Perigo: choque severo'.
- Milgram relatou que alunos de psicologia de Yale previram, em média, que só 1,2% chegariam ao choque máximo.
- Em 2009, Jerry Burger limitou o teste a 150 volts: 70% passaram desse ponto e tiveram de ser interrompidos, contra 82,5% no original; a diferença não é estatisticamente significativa.
- Milgram atribuiu o conflito dos participantes à oposição entre duas disposições profundamente arraigadas: não ferir outras pessoas e obedecer a autoridades legítimas.

Milgram conduziu o experimento na Universidade Yale, em New Haven, nos Estados Unidos, com homens recrutados por anúncio de jornal que acreditavam participar de um estudo sobre memória. Cada um deveria aumentar a intensidade do choque a cada erro de um aprendiz, sob o pretexto de medir o efeito da punição na aprendizagem.

Em janeiro de 2009, no American Psychologist, Jerry Burger, da Universidade de Santa Clara, nos Estados Unidos, relatou sua replicação. Ele fixou o teto em 150 volts, ponto em que, segundo Burger, quase todos os participantes do estudo original hesitavam. Burger afirma que os mesmos fatores situacionais que afetavam a obediência em 1961 continuam operando hoje, e que nenhum estudo com procedimento semelhante fora publicado em mais de três décadas.

Psicólogos que comentaram o artigo na mesma edição questionaram a comparação. Arthur G. Miller, da Universidade Miami, em Oxford (Ohio), escreveu que as diferenças entre os estudos impedem comparações conceitualmente precisas; Alan Elms, da Universidade da Califórnia em Davis, afirmou que os níveis absolutos de obediência não podem ser comparados entre o teto de 150 volts e os 450 volts do original. Milgram escreveu que vários dos argumentos que levantou não precisavam ficar só na especulação, pois podiam ser testados em novos experimentos.

## Fontes

- [As lições chocantes de um experimento infame sobre obediência](https://epocanegocios.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2026/10/cdataas-licoes-chocantes-de-um-experimento-infame-sobre-obediencia.ghtml) (2026-10-22)
- [As lições chocantes de um experimento infame sobre obediência](https://www.bbc.com/portuguese/articles/cke8r0jzvlgeo?at_medium=RSS&at_campaign=rss) — BBC (2026-10-22)

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