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title: "Copom reduz Selic para 14,75%; governo e setores criticam corte insuficiente"
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published: 2026-03-18T22:01:45.115883+00:00
updated: 2026-03-19T15:03:45.192+00:00
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publisher: "Daily Journal"
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# Copom reduz Selic para 14,75%; governo e setores criticam corte insuficiente

O Copom cortou a taxa Selic para 14,75% ao ano, o primeiro corte desde maio de 2024, mas defendeu cautela, impactando negativamente o Ibovespa.

## Pontos principais

- A taxa Selic foi reduzida de 15% para 14,75% ao ano pelo Copom, em decisão unânime, encerrando um ciclo de cinco manutenções.
- Este é o primeiro corte da taxa básica de juros desde maio de 2024, após quase dois anos sem reduções.
- Mesmo com a redução da Selic, o Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo, atingindo 9,51%.
- O Copom defendeu cautela e serenidade na política monetária devido a incertezas geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio, e não indicou o ritmo de futuros cortes.
- A inflação oficial (IPCA) acelerou para 0,7% em fevereiro, mas o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
- Indústria, comércio e sindicatos criticaram o corte de 0,25 p.p. como insuficiente para reverter a desaceleração econômica e estimular investimentos.
- Líderes do governo na Câmara classificaram a redução como pequena, insuficiente e tímida.
- O Ibovespa abriu em queda, influenciado pelas tensões no Oriente Médio e pela cautela do Copom em sinalizar futuros cortes da Selic.
- Bancos centrais da Europa e o Federal Reserve (Fed) mantiveram suas taxas de juros, com o Fed sinalizando possível elevação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Esta foi a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024, após quase dois anos sem cortes, e estava em linha com as expectativas da maior parte do mercado financeiro. A decisão foi unânime entre os membros votantes do Comitê e encerra um ciclo de cinco manutenções consecutivas da taxa Selic. Analistas da XP haviam alertado que a frustração das expectativas de corte de juros, influenciada pela escalada do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo, poderia gerar uma reação negativa nos mercados brasileiros, chegando a considerar a manutenção da Selic em 15% nesta reunião, diferentemente da maioria do mercado.

Mesmo com a redução da Selic, o Brasil permanece com o segundo maior juro real do mundo, atingindo 9,51%, conforme levantamento da MoneYou e Lev Intelligence. Esta é a oitava vez consecutiva que o país ocupa essa posição no ranking global, que considera as 40 maiores economias. A Turquia assumiu a liderança do ranking de juros reais, com 10,38%, enquanto a Rússia ficou em terceiro lugar com 9,41% e a Argentina em quarto. O cálculo do juro real leva em conta a inflação projetada para os próximos 12 meses e a taxa de juros DI a mercado. Caso o Copom tivesse optado por um corte maior na Selic, o Brasil poderia ter caído para a quarta posição no ranking.

O Copom optou por não sinalizar novos cortes, defendendo serenidade e cautela na condução da política monetária. A justificativa para essa postura é a incerteza gerada pelos conflitos no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, e seus potenciais impactos na inflação e nos preços de commodities, como o petróleo. O Comitê destacou que os riscos inflacionários se intensificaram devido ao conflito, levando a um corte menor do que o esperado por alguns economistas e atrelando o ritmo de futuros cortes à duração do conflito geopolítico. A inflação oficial (IPCA) acelerou para 0,7% em fevereiro, mas o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. A meta de inflação, sob o novo sistema contínuo, é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, com limite superior de 4,5%. O Federal Reserve (Fed) também manteve os juros, mas sinalizou possível elevação em resposta às incertezas da guerra, enquanto o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central Europeu (BCE) mantiveram suas taxas de juros.

Apesar da redução, a indústria, o comércio e os sindicatos brasileiros consideraram o corte de 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano insuficiente para reverter a desaceleração econômica e estimular investimentos. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) criticaram a "punição ao investimento" e a "inércia da renda fixa" devido aos juros considerados "absurdos". Líderes do governo na Câmara, como José Guimarães (PT-CE) e Pedro Uczai (PT-SC), também se manifestaram criticamente, classificando a redução como um avanço pequeno, insuficiente e tímido para os desafios econômicos do país. A aversão a risco global, impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, com o Irã intensificando ataques à infraestrutura de energia e elevando o preço do petróleo Brent para quase US$ 119 o barril, e a cautela do Copom em sinalizar o ritmo futuro de corte da Selic, contribuíram para a queda do Ibovespa, embora moderada, com a Petrobras acelerando alta.

## Fontes

- [Selic caiu: o que muda nos investimentos em renda fixa, ações, FIIs e fundos?](https://www.infomoney.com.br/onde-investir/selic-caiu-o-que-muda-nos-investimentos-em-renda-fixa-acoes-fiis-e-fundos/) — InfoMoney (2026-03-18)
- [CNI: Corte da Selic é correto mas insuficiente para reverter prejuízos à economia](https://www.infomoney.com.br/economia/cni-corte-da-selic-e-correto-mas-insuficiente-para-reverter-prejuizos-a-economia/) — InfoMoney (2026-03-19)
- [BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,75%, e defende cautela nos passos futuros do juro](https://www.infomoney.com.br/mercados/banco-central-corta-selic-em-025-ponto-para-1475-primeira-reducao-desde-2024/) — InfoMoney (2026-03-18)
- [BC reduz juros básicos para 14,75% ao ano](https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/bc-reduz-juros-basicos-para-1475-ao-ano) — Agência Brasil (2026-03-18)
- [Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano](https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/18/copom-reduz-a-taxa-basica-de-juros.ghtml) — G1 (2026-03-18)
- [Indústria, comércio e sindicatos pedem queda mais forte da Selic](https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/industria-comercio-e-sindicatos-pedem-queda-mais-forte-da-selic) — Agência Brasil (2026-03-18)
- [Copom? Mercado deve seguir de olho em conflito no Oriente Médio, para além de juros](https://www.infomoney.com.br/mercados/copom-mercados-deve-seguir-de-olho-em-conflito-no-oriente-medio-para-alem-de-juros/) — InfoMoney (2026-03-18)
- [Ibovespa cai com exterior e após Copom não indicar nível de corte da Selic em abril](https://www.infomoney.com.br/mercados/ibovespa-cai-com-exterior-e-apos-copom-nao-indicar-nivel-de-corte-da-selic-em-abril/) — InfoMoney (2026-03-19)
- [XP: frustração em expectativas de corte de juro pelo Copom pode gerar reação negativa](https://www.infomoney.com.br/mercados/xp-frustracao-em-expectativas-de-corte-de-juro-pelo-copom-pode-gerar-reacao-negativa/) — InfoMoney (2026-03-18)
- [Líder do governo na Câmara: Redução dos juros é pequeno avanço, mas insuficiente](https://www.infomoney.com.br/politica/lider-do-governo-na-camara-reducao-dos-juros-e-pequeno-avanco-mas-insuficiente/) — InfoMoney (2026-03-19)
- [Juro real do Brasil é o 2° maior do mundo pela oitava vez seguida com Selic em 14,75%](https://www.infomoney.com.br/economia/juro-real-do-brasil-e-o-2-maior-do-mundo-marco2026/) — InfoMoney (2026-03-18)
- [Brasil continua em 2º no ranking de maiores juros reais do mundo após decisão do Copom; veja lista](https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/18/brasil-ranking-juros-reais-marco.ghtml) — G1 (2026-03-18)
- [Indústria elogia queda de juros, mas acha corte insuficiente para recuperar perdas](https://www.infomoney.com.br/economia/industria-elogia-queda-de-juros-mas-acha-corte-insuficiente-para-recuperar-perdas/) — InfoMoney (2026-03-19)

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- [Taxa SELIC](https://dailyjournal.news/topics/taxa-selic)

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